Como pensou
Vamos analisar a questão.
Temos uma explosão a 30 m de um prédio de altura H=40 m. Um engenheiro no topo mede o intervalo de tempo Δt entre a luz e o som.
A velocidade do som no ar depende da temperatura. O ar tem duas camadas:
- De 0 a h: temperatura T1
- De h a 40 m (ou seja, do solo até altura h, depois de h até o topo H): temperatura T2.
Na verdade, o enunciado diz: "T1 a temperatura do ar desde o solo até a altura h e T2 a temperatura do ar desde essa mesma altura até o topo do prédio." Então a camada inferior (0 a h) tem T1, e a camada superior (h a H=40) tem T2.
O som viaja do solo (ponto da explosão) até o topo do prédio.
O caminho do som: A explosão está a 30 m do prédio, no solo. O som viaja:
1. Do ponto da explosão até a base do prédio? Não, na verdade o som se propaga pelo ar. A distância horizontal é 30 m. O som viaja do solo até o topo. O caminho é uma linha reta? Mas a velocidade do som varia com a temperatura. Como a temperatura depende da altura, o som não viaja em linha reta; ele refrata. A altura h é a altura de inversão térmica.
Vamos modelar. A velocidade do som em um gás é proporcional à raiz da temperatura absoluta: v = c0 √(T/T0), onde c0 é a velocidade a T0=273,15 K.
Assim, na camada 1 (0 ≤ z ≤ h), v1 = c0 √(T1/T0).
Na camada 2 (h ≤ z ≤ H), v2 = c0 √(T2/T0).
O som viaja do ponto (x=0, z=0) até o ponto (x=30, z=H=40) (topo do prédio). O caminho do som será uma trajetória curvada (refração), mas podemos usar o princípio de Fermat ou a lei de Snell para meios estratificados.
Como a velocidade depende apenas da altura z, a quantidade horizontal p = (sen θ)/v é conservada, onde θ é o ângulo do raio com a vertical? Vamos lembrar a lei de Snell para meios estratificados: n sen θ = constante, onde n = c0/v é o índice de refração? Na verdade, a lei de Snell na forma: (sen θ)/v = constante, onde θ é o ângulo entre o raio e a normal à camada (ou seja, com a vertical). Seja θ o ângulo em relação à vertical. Então (sen θ)/v = p = constante ao longo do raio.
No solo, o raio sai da fonte. No topo, ele chega ao engenheiro. O deslocamento horizontal total é D=30 m, e o vertical é H=40 m.
Em cada camada, o raio é uma linha reta (v constante). Então temos duas retas: uma na camada 1 (0 a h) e outra na camada 2 (h a H). O raio incide na interface em z=h.
Seja θ1 o ângulo na camada 1 com a vertical, e θ2 na camada 2 com a vertical. Então:
sen θ1 / v1 = sen θ2 / v2 = p.
O deslocamento horizontal na camada 1: Δx1 = h tan θ1.
Na camada 2: Δx2 = (H - h) tan θ2.
Total: h tan θ1 + (H - h) tan θ2 = D = 30 m.
O tempo de percurso: t = (distância na camada 1)/v1 + (distância na camada 2)/v2.
Distância na camada 1: h / cos θ1.
Distância na camada 2: (H - h) / cos θ2.
Então Δt = h/(v1 cos θ1) + (H - h)/(v2 cos θ2).
O enunciado dá uma aproximação: sen(θ + Δθ) ≈ sen θ para Δθ << θ. Isso sugere que estamos considerando pequenas diferenças? Ou que a refração é pequena? Talvez a aproximação seja usada para linearizar a relação? Vamos ver as alternativas.
As alternativas têm formas envolvendo √(T1 T2 / T0) multiplicado por (1,25 c0 Δt - H√(T0/T2)) e um fator com (√T2 ± √T1). Há também 0,8 c0 Δt.
Vamos deduzir a expressão exata e depois aplicar aproximações.
Primeiro, vamos expressar v1 e v2 em termos de c0, T0, T1, T2.
v1 = c0 √(T1/T0)
v2 = c0 √(T2/T0)
A lei de Snell: sen θ1 / v1 = sen θ2 / v2 => v2 sen θ1 = v1 sen θ2 => sen θ2 = (v2/v1) sen θ1 = √(T2/T1) sen θ1.
Como T2 > T1, v2 > v1, então sen θ2 > sen θ1. O raio se afasta da vertical ao entrar na camada mais quente. Isso faz sentido.
Agora, o deslocamento horizontal: D = h tan θ1 + (H - h) tan θ2.
Como não sabemos θ1 e θ2, mas podemos relacioná-los.
Tempo: Δt = h/(v1 cos θ1) + (H - h)/(v2 cos θ2).
Queremos uma fórmula para h. As alternativas têm h em evidência? Não, as alternativas são expressões para h? Vejamos: as alternativas são da forma:
h = √(T1 T2 / T0) (A c0 Δt - H√(T0/T2)) * (1/(√T2 ± √T1)).
Então h é dado em função de Δt, H, T1, T2, c0.
Precisamos deduzir isso. Vamos considerar que o ângulo θ1 é pequeno? A aproximação sen(θ+Δθ) ≈ sen θ sugere que estamos tratando pequenos ângulos? Ou que a diferença entre os ângulos é pequena? Talvez a aproximação seja usada para expandir em série de Taylor. Vamos ver.
Talvez a trajetória seja quase reta, com pequena refração. A distância horizontal é 30 m, altura 40 m. O ângulo médio do raio com a vertical é arctan(30/40) = arctan(0,75) ≈ 36,9°. Não é tão pequeno. Mas a aproximação pode ser para outra coisa.
Vamos considerar a lei de Snell e tentar expressar o tempo total de forma aproximada. Podemos usar o fato de que a diferença de temperatura é pequena? Não necessariamente.
Outra abordagem: usar o princípio de Fermat para encontrar o caminho que minimiza o tempo. Mas como temos apenas duas camadas, podemos derivar.
Vamos parametrizar o ponto de incidência na interface: seja x a coordenada horizontal onde o raio cruza z=h. Então o raio vai de (0,0) a (x,h) na camada 1, e de (x,h) a (D,H) na camada 2. O tempo total é:
t(x) = √(x² + h²)/v1 + √((D-x)² + (H-h)²)/v2.
Para minimizar, derivamos em relação a x e igualamos a zero:
x/(v1 √(x²+h²)) - (D-x)/(v2 √((D-x)²+(H-h)²)) = 0.
Isso é exatamente a lei de Snell: sen θ1 / v1 = sen θ2 / v2, onde sen θ1 = x/√(x²+h²), sen θ2 = (D-x)/√((D-x)²+(H-h)²).
Então o tempo mínimo é Δt = √(x²+h²)/v1 + √((D-x)²+(H-h)²)/v2.
Queremos uma expressão para h. As alternativas sugerem que podemos resolver para h em termos de Δt. Talvez possamos usar uma aproximação para pequenos ângulos? Mas os ângulos não são pequenos.
Vamos olhar as alternativas: elas têm √(T1 T2 / T0) multiplicando algo. Vamos calcular v1 e v2:
v1 = c0 √(T1/T0)
v2 = c0 √(T2/T0)
Então 1/v1 = √(T0/T1)/c0, 1/v2 = √(T0/T2)/c0.
O tempo total: Δt = √(x²+h²)/(c0 √(T1/T0)) + √((D-x)²+(H-h)²)/(c0 √(T2/T0)) = (1/c0)[ √(x²+h²) √(T0/T1) + √((D-x)²+(H-h)²) √(T0/T2) ].
Multiplicando por c0: c0 Δt = √(T0/T1) √(x²+h²) + √(T0/T2) √((D-x)²+(H-h)²).
Isso não parece diretamente as alternativas. As alternativas têm 1,25 c0 Δt ou 0,8 c0 Δt. Note que 1,25 = 5/4 e 0,8 = 4/5. Isso sugere que a velocidade do som no ar é aproximada por c0 √(T/T0), mas talvez a relação entre temperatura e velocidade do som seja v = 20,05 √T? Não, c0 é dado a T0=273,15 K. A velocidade do som no ar a 273,15 K é cerca de 331 m/s. Mas nas alternativas aparece 1,25 c0 ou 0,8 c0. Talvez a velocidade do som seja considerada como c0 (1 + T/273)? Não.
Vamos calcular a velocidade do som a T0=273,15 K: c0 = 331,3 m/s. Mas as alternativas usam 1,25 c0 Δt. Por que 1,25? Talvez porque a velocidade do som no ar é aproximadamente v = 331,5 + 0,6 T(°C)? Não.
Vamos ler o enunciado com atenção: "Considere c0 a velocidade do som a T0 = 273,15 K". Então a velocidade do som a uma temperatura T é v = c0 √(T/T0). Isso é padrão para gás ideal.
Mas as alternativas têm 1,25 c0 Δt. 1,25 = 5/4. Talvez venha de alguma aproximação de √(T/T0) para T próximo de T0? Se T = T0 (1 + δ), então √(T/T0) ≈ 1 + δ/2. Mas não há 1,25.
Outra possibilidade: a velocidade do som no ar é dada por v = √(γ R T / M). Para o ar, γ=1,4, R=8,314, M=0,029 kg/mol. A 273,15 K, v = 331,3 m/s. Se T = 273,15 + t, então v ≈ 331,3 + 0,6 t. Mas as alternativas têm c0 multiplicado por 1,25 ou 0,8. Talvez seja um erro de digitação? Ou talvez a fórmula da velocidade do som seja v = c0 (T/T0)^(1/2) e eles usaram uma aproximação linear? Não.
Vamos considerar que a temperatura T está em Kelvin. A relação entre T e a altura pode ser dada por uma taxa de variação? Não, o enunciado não dá gradiente térmico. Apenas diz que T1 e T2 são temperaturas.
Vamos tentar deduzir as alternativas a partir de uma aproximação de ângulos pequenos? Mas D=30, H=40, então tan θ ~ 0,75, θ ~ 37°, não é pequeno. Mas talvez a aproximação sen(θ+Δθ) ≈ sen θ seja usada para aproximar a lei de Snell? Vamos ver.
A lei de Snell: sen θ2 = (v2/v1) sen θ1 = √(T2/T1) sen θ1.
Se T2 e T1 são próximos, então √(T2/T1) ≈ 1 + (T2-T1)/(2T1). Mas não sabemos.
O enunciado dá a aproximação: sen(θ + Δθ) ≈ sen θ para Δθ << θ. Isso é estranho, pois sen(θ+Δθ) = senθ cosΔθ + cosθ senΔθ ≈ senθ + cosθ Δθ. Se Δθ << θ, não necessariamente sen(θ+Δθ) ≈ senθ, a menos que Δθ seja muito pequeno. Talvez seja um erro de digitação e deveria ser sen(θ+Δθ) ≈ senθ + Δθ cosθ? Mas está escrito "sen(θ + Δθ) ≈ sen(θ) para Δθ << θ". Isso só é verdade se Δθ for muito pequeno em relação a 1 radiano, mas não depende de θ. Na verdade, para Δθ pequeno, sen(θ+Δθ) ≈ senθ + Δθ cosθ. A aproximação dada parece errada, mas talvez eles queiram dizer que a diferença entre os ângulos é pequena, então podemos aproximar sen θ2 ≈ sen θ1? Mas T2 > T1, então v2 > v1, então sen θ2 = (v2/v1) sen θ1 > sen θ1, então θ2 > θ1. A diferença não é necessariamente pequena.
Vamos tentar uma abordagem diferente. Talvez a onda sonora se propague em linha reta? Mas se a temperatura varia, a velocidade varia, então há refração. Mas se a distância é pequena, podemos desprezar a curvatura? O enunciado menciona "altura de inversão térmica h", que é a altura onde a temperatura muda. Isso sugere que a refração é importante.
Vamos considerar que o som viaja do solo ao topo. O tempo total é a soma dos tempos em cada camada, mas o caminho não é necessariamente uma linha reta. No entanto, podemos usar o fato de que a quantidade p = sen θ / v é constante. Seja p = sen θ1 / v1 = sen θ2 / v2.
Então sen θ1 = p v1, sen θ2 = p v2.
Como θ1 e θ2 são ângulos com a vertical, tan θ1 = sen θ1 / √(1 - sen²θ1) = p v1 / √(1 - p² v1²).
tan θ2 = p v2 / √(1 - p² v2²).
O deslocamento horizontal é D = h tan θ1 + (H - h) tan θ2 = h p v1 / √(1 - p² v1²) + (H - h) p v2 / √(1 - p² v2²).
O tempo é Δt = h / (v1 cos θ1) + (H - h) / (v2 cos θ2) = h / (v1 √(1 - p² v1²)) + (H - h) / (v2 √(1 - p² v2²)).
Isso é complicado. Mas as alternativas têm uma forma simples. Talvez haja uma aproximação para p pequeno? Mas p = sen θ / v. Se θ ~ 37°, v ~ 340 m/s, p ~ 0,6/340 ~ 0,0018 s/m. p v1 ~ sen θ1 ~ 0,6, não é pequeno.
Vamos olhar as alternativas novamente. Elas envolvem:
h = √(T1 T2 / T0) (A c0 Δt - B H√(T0/T2)) / (√T2 ± √T1)
Isso sugere que talvez o tempo Δt seja dado por algo como:
Δt = (1/c0) [ h √(T0/T1) + (H - h) √(T0/T2) ] * algo?
Se desprezarmos a refração (ou seja, considerarmos que o som viaja em linha reta, mas com velocidade variável), o tempo seria a soma dos tempos de percurso em cada camada ao longo da linha reta. A linha reta tem comprimento total L = √(D² + H²) = √(30² + 40²) = 50 m. O ângulo com a vertical é θ = arctan(D/H) = arctan(30/40) = 36,87°. O cosseno desse ângulo é H/L = 40/50 = 0,8. O seno é D/L = 30/50 = 0,6. Portanto, se o som viajasse em linha reta, o tempo seria:
Δt = (h / cos θ) / v1 + ((H - h) / cos θ) / v2 = (h/v1 + (H - h)/v2) / 0,8 = 1,25 (h/v1 + (H - h)/v2).
Mas note que 1,25 = 1/0,8. Isso explica o 1,25 nas alternativas! As alternativas A e B têm 1,25 c0 Δt, enquanto C e D têm 0,8 c0 Δt. Se multiplicarmos a equação acima por c0:
c0 Δt = 1,25 ( h c0/v1 + (H - h) c0/v2 ) = 1,25 ( h √(T0/T1) + (H - h) √(T0/T2) ).
Isso não corresponde exatamente às alternativas, mas vejamos: as alternativas têm algo como (1,25 c0 Δt - H√(T0/T2)) multiplicado por algo. Vamos isolar h.
Suponha que a velocidade do som seja aproximadamente constante? Não.
Vamos tentar deduzir a partir da hipótese de que o som viaja em linha reta, mas a velocidade é diferente em cada camada. Nesse caso, o tempo de percurso seria:
Δt = (h / cos θ)/v1 + ((H - h) / cos θ)/v2, onde θ é o ângulo da linha reta com a vertical. Nesse caso, cos θ = H / √(D² + H²) = 40/50 = 0,8. Então:
c0 Δt = (1/0,8) [ h c0/v1 + (H - h) c0/v2 ] = 1,25 [ h √(T0/T1) + (H - h) √(T0/T2) ].
Isso dá:
1,25 c0 Δt = 1,25 [ h √(T0/T1) + H √(T0/T2) - h √(T0/T2) ] = 1,25 [ H √(T0/T2) + h (√(T0/T1) - √(T0/T2)) ].
Então:
1,25 c0 Δt - 1,25 H √(T0/T2) = 1,25 h (√(T0/T1) - √(T0/T2)).
Isso não é exatamente as alternativas. As alternativas têm (1,25 c0 Δt - H√(T0/T2)) e depois multiplicado por √(T1 T2 / T0) / (√T2 ± √T1). Vamos ver se podemos manipular.
Suponha que a equação seja:
c0 Δt = 1,25 [ h √(T0/T1) + (H - h) √(T0/T2) ].
Multiplicando por √(T1 T2 / T0):
c0 Δt √(T1 T2 / T0) = 1,25 [ h √(T0/T1) * √(T1 T2 / T0) + (H - h) √(T0/T2) * √(T1 T2 / T0) ]
= 1,25 [ h √(T2) + (H - h) √(T1) ].
Isso não parece as alternativas.
Talvez a velocidade do som não seja v = c0 √(T/T0), mas sim v = c0 (T/T0)? Não, para gás ideal é raiz.
Vamos examinar as alternativas com mais cuidado. A forma geral é:
h = √(T1 T2 / T0) (α c0 Δt - β H√(T0/T2)) * (1/(√T2 - √T1)) ou (1/(√T2 + √T1)).
Onde α é 1,25 ou 0,8, e β é 1 ou algo assim.
Note que na alternativa A: h = √(T1 T2 / T0) (1,25 c0 Δt - H√(T0/T2)) (1/(√T2 - √T1)).
Na B: mesmo com (1/(√T2 + √T1)).
Na C: 0,8 c0 Δt e (1/(√T2 + √T1)).
Na D: 0,8 c0 Δt e (1/(√T2 - √T1)).
Na E: 1,25 c0 Δt + H√(T0/T2) e (1/(√T2 - √T1)).
Vamos tentar derivar a expressão para h usando a lei de Snell e alguma aproximação. Talvez a aproximação sen(θ+Δθ) ≈ sen θ seja usada para aproximar a lei de Snell. Vamos supor que a diferença entre os ângulos θ1 e θ2 é pequena, então podemos aproximar sen θ2 ≈ sen θ1 + (θ2 - θ1) cos θ1. Mas a lei de Snell diz sen θ2 / v2 = sen θ1 / v1. Se v2 > v1, então sen θ2 > sen θ1. A diferença Δθ = θ2 - θ1. Pela lei de Snell:
sen(θ1 + Δθ) / v2 = sen θ1 / v1.
Usando a aproximação sen(θ1 + Δθ) ≈ sen θ1 + Δθ cos θ1 (que é a expansão correta), temos:
(sen θ1 + Δθ cos θ1) / v2 = sen θ1 / v1.
=> sen θ1 (1/v2 - 1/v1) + Δθ cos θ1 / v2 = 0.
=> Δθ = v2 sen θ1 (1/v1 - 1/v2) / cos θ1 = sen θ1 (v2/v1 - 1) / cos θ1.
Isso não parece levar às alternativas.
Talvez a aproximação dada no enunciado seja um erro de impressão e deveria ser sen(θ+Δθ) ≈ senθ + Δθ cosθ? Mas está escrito "sen(θ + Δθ) ≈ sen(θ) para Δθ << θ". Isso é estranho, pois se Δθ << θ, não implica que sen(θ+Δθ) ≈ senθ, a menos que θ seja próximo de π/2? Não.
Vamos considerar que a onda sonora se propague aproximadamente em linha reta, e a refração é desprezível. Nesse caso, o tempo é dado pela integral ao longo da linha reta. Mas a velocidade varia com a altura. Se a linha reta tem equação z = (H/D) x? Na verdade, a linha reta do ponto (0,0) ao ponto (30,40) tem z = (40/30) x = (4/3) x. A altura h corresponde a x = (3/4) h. O tempo de percurso seria a integral de ds/v(z). Mas como v é constante em cada camada, o tempo é simplesmente a soma dos tempos em cada camada ao longo da linha reta. O comprimento do segmento na camada 1 é h / cos θ, onde cos θ = H/√(D²+H²) = 40/50 = 0,8. Então o tempo é (h/0,8)/v1 + ((H-h)/0,8)/v2 = 1,25 (h/v1 + (H-h)/v2). Isso é o que tínhamos.
Mas por que as alternativas têm √(T1 T2 / T0)? Vamos multiplicar a expressão do tempo por algo.
Seja t = 1,25 [ h/v1 + (H-h)/v2 ].
Substituindo v1 = c0 √(T1/T0), v2 = c0 √(T2/T0):
t = 1,25 / c0 [ h √(T0/T1) + (H-h) √(T0/T2) ].
Então c0 t = 1,25 [ h √(T0/T1) + (H-h) √(T0/T2) ].
Isso é o que tínhamos.
Agora, queremos isolar h. Vamos rearranjar:
c0 t / 1,25 = h √(T0/T1) + (H-h) √(T0/T2) = h (√(T0/T1) - √(T0/T2)) + H √(T0/T2).
=> c0 t / 1,25 - H √(T0/T2) = h (√(T0/T1) - √(T0/T2)).
Multiplicando por √(T1 T2 / T0):
(c0 t / 1,25) √(T1 T2 / T0) - H √(T0/T2) √(T1 T2 / T0) = h (√(T0/T1) √(T1 T2 / T0) - √(T0/T2) √(T1 T2 / T0)).
O lado direito: h (√(T2) - √(T1)).
O lado esquerdo: (c0 t / 1,25) √(T1 T2 / T0) - H √(T1) = (c0 t / 1,25) √(T1 T2 / T0) - H √(T1).
Então:
h = [ (1,25 c0 t) √(T1 T2 / T0) - H √(T1) ] / (√T2 - √T1) ? Não, porque 1/1,25 = 0,8. Então:
h = [ (c0 t / 1,25) √(T1 T2 / T0) - H √(T1) ] / (√T2 - √T1)
= [ 0,8 c0 t √(T1 T2 / T0) - H √(T1) ] / (√T2 - √T1).
Multiplicando numerador e denominador por √(T2)? Não.
Mas as alternativas são da forma:
h = √(T1 T2 / T0) (α c0 t - H √(T0/T2)) * (1/(√T2 ± √T1)).
Vamos comparar com a nossa expressão:
h = [ (1/1,25) c0 t √(T1 T2 / T0) - H √(T1) ] / (√T2 - √T1).
Se multiplicarmos o numerador e denominador por √(T2/T1)? Não.
Vamos reescrever a nossa expressão:
h = [ (0,8 c0 t) √(T1 T2 / T0) - H √(T1) ] / (√T2 - √T1).
Note que H √(T1) = H √(T0/T2) * √(T1 T2 / T0) ? Vamos ver:
H √(T0/T2) * √(T1 T2 / T0) = H √(T1 T2 / (T2 T0) * T0) = H √(T1) ? Não:
√(T0/T2) * √(T1 T2 / T0) = √( (T0/T2) * (T1 T2 / T0) ) = √(T1). Sim!
Portanto, H √(T1) = H √(T0/T2) * √(T1 T2 / T0).
Então podemos escrever:
h = [ 0,8 c0 t √(T1 T2 / T0) - H √(T0/T2) * √(T1 T2 / T0) ] / (√T2 - √T1)
= √(T1 T2 / T0) [ 0,8 c0 t - H √(T0/T2) ] / (√T2 - √T1).
Isso é exatamente a alternativa D!
Vamos verificar: a alternativa D é:
h = √(T1 T2 / T0) (0,8 c0 Δt - H √(T0/T2)) (1/(√T2 - √T1)).
Sim, é exatamente isso!
Portanto, a resposta correta é D.
Mas por que a alternativa A tem 1,25 e sinal negativo? Se usássemos 1,25 em vez de 0,8, teríamos:
h = √(T1 T2 / T0) (1,25 c0 Δt - H √(T0/T2)) (1/(√T2 - √T1))? Não, porque 1/1,25 = 0,8, então ao extrair 1/1,25 para fora, ficaria 0,8? Vamos ver: se tivéssemos c0 Δt = 1,25 [ ... ], então ao isolar h, teríamos h = [ (c0 Δt / 1,25) ... - H ... ] / (√T2 - √T1) = [ 0,8 c0 Δt ... - H ... ] / (√T2 - √T1). Então o coeficiente de c0 Δt é 0,8, não 1,25. Portanto a alternativa D está correta.
A alternativa C tem 0,8 mas com sinal + no denominador (√T2 + √T1). A alternativa B tem 1,25 e sinal +. A alternativa A tem 1,25 e sinal -. A alternativa E tem 1,25 e sinal + dentro do parêntese e sinal - no denominador.
Portanto, a correta é D.
Vamos confirmar se a suposição de que o som viaja em linha reta é válida. Na verdade, a onda sonora refrata, então o caminho não é uma linha reta. Mas o enunciado dá a aproximação sen(θ+Δθ) ≈ sen θ, que talvez seja usada para justificar que podemos aproximar a trajetória por uma linha reta? Ou talvez a aproximação seja para outra coisa. No entanto, a derivação que fizemos usando a linha reta leva exatamente a uma das alternativas. Além disso, as alternativas incluem 1,25 e 0,8, que vêm de 1/0,8 e 0,8. A presença de 0,8 na alternativa D sugere que a velocidade do som é considerada ao longo da linha reta, e o fator 0,8 é o cosseno do ângulo. Isso é uma aproximação comum em problemas de ITA: considerar que o som viaja em linha reta e que a refração é desprezível, ou que a correção é pequena. O enunciado menciona "altura de inversão térmica", mas não dá detalhes sobre o gradiente, então a solução provavelmente assume propagação retilínea.
Vamos verificar se há alguma outra interpretação. O enunciado diz: "Uma explosão controlada ocorre no solo a 30 m de um prédio de altura H = 40 m sobre o qual se encontra um engenheiro que mede o intervalo de tempo Δt desde a detecção da luz da explosão até a detecção sonora...". A luz viaja instantaneamente (ou quase), então Δt é o tempo que o som leva para percorrer a distância. O som se propaga pelo ar, que tem duas camadas de temperatura. A velocidade do som depende da temperatura. A questão pede a fórmula para h. A solução que encontramos é consistente com as alternativas.
Portanto, a resposta é D.
Vamos escrever a explicação.
Resumo do raciocínio:
1. A velocidade do som em um gás ideal é v = c0 √(T/T0).
2. Na camada 1 (0 a h), v1 = c0 √(T1/T0); na camada 2 (h a H), v2 = c0 √(T2/T0).
3. Considerando que o som viaja em linha reta (desprezando a refração), o tempo total é a soma dos tempos em cada camada ao longo da linha reta.
4. A distância horizontal é 30 m e vertical 40 m, então o comprimento da linha reta é 50 m. O ângulo θ com a vertical tem cos θ = 40/50 = 0,8.
5. O tempo de percurso é Δt = (h / cos θ)/v1 + ((H - h) / cos θ)/v2 = 1,25 (h/v1 + (H - h)/v2).
6. Substituindo v1 e v2 e rearranjando, obtemos h = √(T1 T2 / T0) (0,8 c0 Δt - H √(T0/T2)) / (√T2 - √T1).
7. Comparando com as alternativas, a correta é a D.
Assim, a resposta é D.