Como pensou
Precisamos resolver a questão de múltipla escolha. Vamos entender.
Temos duas pequenas esferas metálicas puntiformes idênticas, cada uma massa m e carga positiva Q, presas às extremidades de duas barras isolantes finas de mesmo comprimento ℓ e massas desprezíveis, fixadas em um mesmo ponto. As esferas podem mover-se em um mesmo plano vertical fixo. O sistema é colocado em uma região onde atua campo elétrico uniforme vertical E = -E ŷ, como mostra a figura (apontando para baixo). Inicialmente, as esferas são mantidas em repouso em configuração simétrica tal que o ângulo entre os fios é β. Em seguida, são liberadas. Despreze resistência do ar e assinale alternativa que corresponde à expressão do campo elétrico E para que, durante o movimento, o ângulo entre os fios atinja um valor mínimo igual a 2α.
Temos duas cargas positivas Q, massas m, suspensas por fios de comprimento ℓ, presas no mesmo ponto. Campo elétrico vertical para baixo E (módulo E). As cargas positivas sofrem força elétrica qE = QE para baixo (já que E = -E ŷ e carga positiva: F = Q E = -Q E ŷ, para baixo). Então tanto gravidade quanto força elétrica apontam para baixo, então podemos definir uma aceleração efetiva g' = g + QE/m (para baixo). Mas as cargas também interagem entre si: repulsão coulombiana. Precisamos analisar movimento.
O sistema é um pêndulo duplo? Na verdade são dois pêndulos simples independentes, mas acoplados pela repulsão elétrica. Como as esferas têm mesma massa e carga, e simetria, o movimento é simétrico em relação à vertical. O ângulo entre os fios é 2θ, onde θ é o ângulo de cada fio com a vertical. Inicialmente ângulo entre fios = β, então cada fio faz ângulo β/2 com a vertical. Liberadas do repouso. Elas vão se mover? A repulsão elétrica e a gravidade/força elétrica vertical. Vamos ver: Se estão inicialmente em repouso, a soma dos torques em cada esfera deve ser zero? Mas o problema diz "Inicialmente, as esferas são mantidas em repouso em uma configuração simétrica tal que o ângulo entre os fios é β. Em seguida, elas são liberadas." Isso significa que nessa configuração inicial não necessariamente é equilíbrio; elas são mantidas e depois liberadas. Então vão oscilar. O ângulo mínimo entre os fios durante o movimento será 2α. Provavelmente o movimento é oscilatório, e o ângulo mínimo ocorre quando elas chegam à distância mínima? Mas como são liberadas do repouso, a energia mecânica se conserva. A energia potencial efetiva (gravitacional + elétrica + força elétrica) e energia cinética. O ângulo mínimo durante o movimento? Inicialmente têm velocidade zero, então é um ponto de retorno (máximo ou mínimo?). Como são liberadas em β, se β não é equilíbrio, elas vão se mover. A força repulsiva elétrica tende a aumentar o ângulo, enquanto a gravidade/força elétrica vertical tende a diminuir? Vamos analisar.
Para uma esfera, as forças: peso mg para baixo, força elétrica QE para baixo (total mg + QE = m g_eff para baixo). Tensão T no fio. Força de repulsão coulombiana entre as cargas: F_C = k Q^2 / d^2, onde d é a distância entre as esferas = 2 ℓ sen θ (com θ = ângulo do fio com vertical; metade do ângulo entre fios). A repulsão é horizontal, afastando as esferas. A componente vertical? Não, repulsão é ao longo da linha que une as esferas, que é horizontal (já que simétrico). Então F_C horizontal.
Torque em relação ao ponto de suspensão: A força gravitacional efetiva (mg + QE) vertical para baixo, distância horizontal ℓ sen θ, torque restaurador: τ_g = - (mg + QE) ℓ sen θ (tendendo a diminuir θ). A força elétrica repulsiva horizontal F_C, atua na esfera afastando, distância vertical ℓ cos θ do ponto de suspensão, então torque τ_C = + F_C ℓ cos θ (tendendo a aumentar θ). A equação de movimento: I θ'' = τ_total = ℓ [ F_C cos θ - (mg + QE) sen θ ]? Cuidado: para uma partícula de massa m presa a uma haste/fio de massa desprezível, o momento de inércia I = m ℓ^2. A equação: m ℓ^2 θ'' = ℓ F_C cos θ - ℓ (mg + QE) sen θ? Sim, torque = r × F. Para θ positivo (lado direito), a repulsão horizontal para direita? Vamos definir θ como ângulo do fio com a vertical, positivo para a direita. Para a esfera da direita, a repulsão aponta para a direita (afastando), então torque em relação ao pivô: r = ℓ (sen θ, -cos θ)? A força F_C = (F_C, 0) horizontal para direita; torque = r_x F_y - r_y F_x = (ℓ sen θ)*0 - (-ℓ cos θ)*(F_C) = ℓ F_C cos θ. Positivo (anti-horário? Para a direita, θ aumentando? Se θ positivo para direita, aumentar θ significa girar no sentido horário? Vamos definir θ como ângulo com a vertical, e a posição x = ℓ sen θ, y = -ℓ cos θ. A velocidade angular θ' positiva corresponde a aumento de θ. O torque da força horizontal para direita: τ = x F_y - y F_x = (ℓ sen θ)*0 - (-ℓ cos θ) F_C = ℓ F_C cos θ. Positivo, então tende a aumentar θ. O torque do peso efetivo para baixo: F = (0, -m g_eff). τ = x F_y - y F_x = (ℓ sen θ)(-m g_eff) - (-ℓ cos θ)*0 = - m g_eff ℓ sen θ. Negativo, tende a diminuir θ. Então equação: m ℓ^2 θ'' = ℓ [ F_C cos θ - m g_eff sen θ ]. Dividindo por m ℓ^2: θ'' = (1/(m ℓ)) [ F_C cos θ - m g_eff sen θ ] = (F_C cos θ)/(m ℓ) - (g + QE/m) sen θ / ℓ? Wait: g_eff = g + QE/m. Então θ'' = (F_C cos θ)/(m ℓ) - (g + QE/m) sen θ / ℓ? Unidades: F_C/(m ℓ) tem dimensão aceleração/comprimento? F_C = N = kg m/s^2, dividido por kg m = 1/s^2, sim. E g_eff sen θ / ℓ? g_eff tem m/s^2, dividido por ℓ m dá 1/s^2. Ok.
F_C = k Q^2 / d^2 = k Q^2 / (2 ℓ sen θ)^2 = k Q^2 / (4 ℓ^2 sen^2 θ). Então F_C cos θ = k Q^2 cos θ / (4 ℓ^2 sen^2 θ). Então:
θ'' = [ k Q^2 cos θ / (4 ℓ^2 sen^2 θ) - m (g + QE/m) sen θ ] / (m ℓ?) Wait, dividimos por m ℓ^2? Vamos refazer:
Equação: m ℓ^2 θ'' = ℓ F_C cos θ - ℓ m g_eff sen θ.
Divide por m ℓ^2:
θ'' = (F_C cos θ)/(m ℓ) - (g_eff sen θ)/ℓ.
F_C cos θ = (k Q^2 cos θ)/(4 ℓ^2 sen^2 θ).
Então:
θ'' = (k Q^2 cos θ)/(4 m ℓ^3 sen^2 θ) - (g_eff sen θ)/ℓ.
Mas g_eff = g + QE/m. Então:
θ'' = (k Q^2 cos θ)/(4 m ℓ^3 sen^2 θ) - (g + QE/m) sen θ / ℓ.
Isso é uma equação diferencial não linear.
Queremos condições para que o ângulo mínimo entre os fios durante o movimento seja 2α. Como inicialmente liberado do repouso em θ_i = β/2. O movimento é oscilatório? O ângulo θ varia entre um mínimo θ_min = α (já que ângulo entre fios mínimo 2α => θ_min = α) e um máximo θ_max = β/2 (se partir do repouso e não houver mais energia? Mas pode ser que a configuração inicial β/2 seja o máximo, e o mínimo seja α). Na verdade, se liberado do repouso, a energia total é constante. O movimento pode ser periódico entre θ_min e θ_max. Dado que a força repulsiva tende a aumentar θ, e a gravidade efetiva tende a diminuir θ. Dependendo do campo E, o equilíbrio pode ser em algum θ. Se E for grande o suficiente, a força vertical efetiva para baixo é grande, então o equilíbrio é com θ pequeno. Inicialmente em β/2, se β/2 > equilíbrio, a esfera cai (θ diminui) até que a repulsão a pare, e então volta. O mínimo seria simétrico? Mas o problema afirma que o ângulo mínimo atinge 2α, então α < β/2. Precisamos encontrar E tal que a amplitude de oscilação seja de β/2 até α.
Usamos conservação de energia. A energia potencial total do sistema (duas esferas) em função de θ: energia potencial gravitacional + energia potencial elétrica + energia potencial da força elétrica externa? A força elétrica externa é conservativa com potencial U_E = Q * V, onde V = E y? Campo E = -E ŷ, então potencial elétrico φ = E y + const (pois E = -∇φ = -∂φ/∂y ŷ => ∂φ/∂y = E => φ = E y + C). Carga Q positiva, então U_E = Q φ = Q E y + const. y = -ℓ cos θ. Então U_E = - Q E ℓ cos θ. Gravidade: U_g = m g y = - m g ℓ cos θ. Juntas: U_vert = - (m g + Q E) ℓ cos θ (por esfera). Duas esferas: -2 (mg + QE) ℓ cos θ.
Energia potencial elétrica de interação entre as cargas: U_C = k Q^2 / d = k Q^2 / (2 ℓ sen θ).
Energia cinética: cada esfera tem (1/2) m (ℓ θ')^2 = (1/2) m ℓ^2 θ'^2. Duas: m ℓ^2 θ'^2.
Conservação: E_total = m ℓ^2 θ'^2 + U_total(θ) = constante.
U_total(θ) = -2 (mg + QE) ℓ cos θ + k Q^2 / (2 ℓ sen θ).
No ponto de retorno, θ' = 0. Inicialmente em θ_i = β/2, velocidade zero. No mínimo θ_f = α, velocidade zero? O ângulo mínimo ocorre quando a velocidade angular é zero (ponto de retorno). Então a energia potencial em θ_i e θ_f deve ser igual:
U_total(β/2) = U_total(α).
Assim:
-2 (mg + QE) ℓ cos(β/2) + k Q^2 / (2 ℓ sen(β/2)) = -2 (mg + QE) ℓ cos α + k Q^2 / (2 ℓ sen α).
Rearranjando:
2 (mg + QE) ℓ [ cos α - cos(β/2) ] = k Q^2 / (2 ℓ) [ 1/sen α - 1/sen(β/2) ]? Vamos ver sinais.
Levar termos:
-2 (mg + QE) ℓ cos(β/2) + k Q^2/(2ℓ sen(β/2)) = -2 (mg + QE) ℓ cos α + k Q^2/(2ℓ sen α)
=> 2 (mg + QE) ℓ [ cos α - cos(β/2) ] = k Q^2/(2ℓ) [ 1/sen α - 1/sen(β/2) ]? Wait, mover termos:
2 (mg + QE) ℓ cos α - 2 (mg + QE) ℓ cos(β/2) = k Q^2/(2ℓ sen α) - k Q^2/(2ℓ sen(β/2))
=> 2 (mg + QE) ℓ (cos α - cos(β/2)) = (k Q^2/(2ℓ)) (1/sen α - 1/sen(β/2)).
Sim.
Então:
2 (mg + QE) ℓ = [ k Q^2/(2ℓ) (1/sen α - 1/sen(β/2)) ] / (cos α - cos(β/2)).
=> mg + QE = [ k Q^2/(2ℓ) (1/sen α - 1/sen(β/2)) ] / [ 2 ℓ (cos α - cos(β/2)) ]
= k Q^2 / (4 ℓ^2) * [ 1/sen α - 1/sen(β/2) ] / [ cos α - cos(β/2) ].
Então:
mg + QE = (k Q^2)/(4 ℓ^2) * [ 1/sen α - 1/sen(β/2) ] / [ cos α - cos(β/2) ].
Resolvendo para E:
QE = (k Q^2)/(4 ℓ^2) * [ 1/sen α - 1/sen(β/2) ] / [ cos α - cos(β/2) ] - mg.
E = (k Q)/(4 ℓ^2) * [ 1/sen α - 1/sen(β/2) ] / [ cos α - cos(β/2) ] - mg/Q.
Isso corresponde a alguma alternativa? Vejamos:
A) kQ/(4ℓ²) [ (1/sen α - 1/sen(β/2)) / (cos α - cos(β/2)) ] - mg/Q.
B) mesmo com + mg/Q.
C) kQ/(4ℓ²) [ (1/sen α - 1/sen(β/2)) / (cos(β/2) - cos α) ] - mg/Q. (denominador invertido)
D) kQ/(4ℓ²) [ (1/sen α - 1/sen(β/2)) / (cos(β/2) - cos α) ] + mg/Q.
E) kQ/(4ℓ²) [ (1/sen α + 1/sen(β/2)) / (cos(β/2) - cos α) ] + mg/Q.
Nossa expressão tem denominador (cos α - cos(β/2)). Mas note que β > 2α? O ângulo mínimo 2α < β? Provavelmente α < β/2, então sen α < sen(β/2), então 1/sen α - 1/sen(β/2) > 0. E cos α > cos(β/2) (pois α < β/2 e cosseno decrescente no primeiro quadrante). Então cos α - cos(β/2) > 0. Então numerador e denominador positivos, então o termo é positivo. E a expressão tem - mg/Q. A alternativa A parece exatamente a nossa, mas com sinal? Vamos comparar: A: kQ/(4ℓ²) * [1/sen α - 1/sen(β/2)] / [cos α - cos(β/2)] - mg/Q. Sim! É a alternativa A.
Mas vamos verificar se há alguma pegadinha. O campo elétrico E na figura aponta para baixo, então a força elétrica sobre cargas positivas é para baixo, aumentando a força vertical efetiva. Nossa equação de energia considerou U_E = - Q E ℓ cos θ? Vamos checar o sinal. Se E aponta para baixo (E = -E ŷ, com E > 0), então o potencial elétrico φ diminui com y? E = -∇φ = - dφ/dy ŷ. Se E = -E ŷ, então -dφ/dy = -E => dφ/dy = E => φ = E y + const. y = -ℓ cos θ (se origem no pivô, para baixo negativo). Então φ = - E ℓ cos θ + const. U_E = Q φ = - Q E ℓ cos θ. Correto. Então a força elétrica é QE para baixo (pois F = -∇U = - d/dy (-QE y?) Wait, U = - Q E ℓ cos θ = Q E y (com y negativo). F_y = -dU/dy = - Q E = - Q E (para baixo). Sim.
Então a energia potencial vertical é -(mg + QE) ℓ cos θ por esfera. Correto.
A conservação de energia: no ponto de retorno θ = α, a velocidade angular é zero? Mas será que o mínimo é ponto de retorno? Sim, na oscilação, a velocidade angular se anula nos extremos. Inicialmente em β/2, liberado do repouso, é um extremo (máximo?). O mínimo α é outro extremo. Então energia igual.
Portanto, a resposta é A.
Mas vamos confirmar com a equação de torque: a equação de movimento tem θ'' = ... Nós usamos energia. O termo E aparece linearmente. A expressão para E obtida é consistente.
Verificar se a configuração inicial β/2 é maior que α? O problema diz "ângulo entre os fios atinja um valor mínimo igual a 2α". Isso implica que durante o movimento o ângulo entre os fios diminui até 2α, então α é o mínimo. Inicialmente β é maior que 2α? Provavelmente sim. Mas a expressão de E pode ser positiva? Se E > 0, então a força elétrica é para baixo, aumentando o peso efetivo. Para que o ângulo mínimo seja α, precisamos de um campo E tal que a energia em α iguale a energia em β/2. Nossa fórmula dá E em função de α e β. Se α = β/2, então numerador zero, E = -mg/Q? Mas se α = β/2, não há movimento, equilíbrio? Mas se não há movimento, o campo E poderia ser qualquer? Hmm. Se β/2 = α, então o sistema é liberado no repouso e permanece em repouso? Mas para permanecer em repouso, a soma dos torques deve ser zero. A nossa fórmula com α = β/2 dá E = -mg/Q, ou seja, campo para cima? Mas o campo é para baixo? Vamos checar: se α = β/2, a energia em β/2 é igual à energia em α trivialmente, então qualquer E? Não, se α = β/2, o mínimo é o próprio inicial, então não há movimento, mas para que não haja movimento, é necessário que a força resultante seja zero naquela configuração. Nossa conservação de energia não impõe equilíbrio, apenas que a energia em dois pontos é igual. Se α = β/2, a igualdade é trivial para qualquer E, então não determina E. Mas o problema assume que α ≠ β/2. Provavelmente β > 2α > 0. Então ok.
Vamos testar com um caso limite. Se E for muito grande positivo, a força vertical efetiva é grande, o sistema fica quase na vertical, então α pequeno. Nossa fórmula: para α pequeno, 1/sen α ~ 1/α grande, cos α ~ 1 - α²/2. Numerador positivo grande, denominador cos α - cos(β/2) ~ (1 - α²/2) - cos(β/2). Se β/2 fixo, denominador positivo (se α < β/2), então E grande positivo. Sim, coerente.
Se E negativo (campo para cima), a força elétrica é para cima, reduzindo o peso efetivo, então o ângulo mínimo poderia ser maior? Nossa fórmula com E negativo seria possível se o termo kQ... for menor que mg/Q? Mas o problema provavelmente considera E > 0? A figura mostra E para baixo. A alternativa A tem - mg/Q, então E pode ser positivo se o primeiro termo > mg/Q. Ok.
Portanto, alternativa A.
Mas vamos verificar as alternativas: A e C diferem no denominador: A tem cos α - cos(β/2); C tem cos(β/2) - cos α. Como cos α > cos(β/2), A tem denominador positivo. C teria denominador negativo, então o primeiro termo seria negativo (se numerador positivo), e a expressão seria - (algo) - mg/Q, o que daria E negativo grande. Para que o campo para baixo (E > 0) a alternativa A é plausível. B tem + mg/Q, mas nossa derivação deu - mg/Q. Vamos revisar a derivação dos sinais para garantir.
Equação de conservação:
E_total = K + U = constante.
U(θ) = -2 (mg + QE) ℓ cos θ + k Q^2 / (2 ℓ sen θ).
Em θ_i = β/2, K=0. Em θ_f = α, K=0 (mínimo). Então U(β/2) = U(α).
-2 (mg + QE) ℓ cos(β/2) + k Q^2/(2 ℓ sen(β/2)) = -2 (mg + QE) ℓ cos α + k Q^2/(2 ℓ sen α).
Trazer termos com (mg+QE) para um lado:
-2 (mg + QE) ℓ cos(β/2) + 2 (mg + QE) ℓ cos α = k Q^2/(2 ℓ sen α) - k Q^2/(2 ℓ sen(β/2))
=> 2 (mg + QE) ℓ [cos α - cos(β/2)] = (k Q^2/(2ℓ)) [1/sen α - 1/sen(β/2)].
Isso está correto? Vamos expandir:
Lado esquerdo: -2(...)cosβ/2 + 2(...)cosα = 2(...)(cosα - cosβ/2). Sim.
Lado direito: kQ²/(2ℓ senα) - kQ²/(2ℓ senβ/2) = kQ²/(2ℓ)[1/senα - 1/senβ/2]. Sim.
Então:
2 (mg + QE) ℓ = kQ²/(2ℓ) [1/senα - 1/senβ/2] / [cosα - cosβ/2]
=> mg + QE = kQ²/(4ℓ²) * [1/senα - 1/senβ/2] / [cosα - cosβ/2]
=> QE = kQ²/(4ℓ²) * ... - mg
=> E = kQ/(4ℓ²) * ... - mg/Q. Sim, alternativa A.
Portanto, resposta A.
Mas vamos ver se há alguma consideração sobre o movimento ser restrito ao plano vertical e as hastes isolantes finas (barras) em vez de fios? Diz "barras isolantes finas de mesmo comprimento ℓ e massas desprezíveis, fixadas em um mesmo ponto. As esferas podem mover-se em um mesmo plano vertical fixo." Isso é como pêndulos simples com barras rígidas (sem colapso). A equação é a mesma para pequenas oscilações? Não, mas para grandes também, pois a barra mantém o comprimento ℓ fixo. A energia é a mesma.
Verificar se a força elétrica entre as esferas é considerada? Sim, U_C = k Q² / d. d = 2ℓ sen θ. Sim.
A alternativa A é exatamente a expressão.
Vamos ver se a expressão poderia ser simplificada usando identidades trigonométricas? Talvez o denominador cos α - cos(β/2) pode ser escrito como -2 sen((α+β/2)/2) sen((α-β/2)/2)? Mas não é necessário. As alternativas estão nessa forma.
Parece que a resposta é A.
Mas vamos verificar se há algum erro de sinal na energia potencial elétrica. A interação entre cargas positivas é repulsiva, então U_C = + k Q² / d. Sim, positivo. A energia potencial total é U = U_vert + U_C. Em θ = α (mínimo), a distância entre esferas é menor (pois sen α < sen β/2), então U_C é maior. Para compensar, a energia potencial vertical deve ser menor (mais negativa) em α? Vamos ver: U_vert(α) = -2(mg+QE)ℓ cos α. Como cos α > cos(β/2), U_vert(α) é mais negativo (menor) que U_vert(β/2). Então a soma U_C + U_vert: em α, U_C é maior, U_vert é menor. Para que a soma seja igual, o aumento em U_C deve ser compensado pela diminuição em U_vert. Isso requer que (mg+QE) seja positivo e suficientemente grande. Nossa equação reflete isso.
Se E for negativo (força para cima), mg+QE poderia ser negativo, então U_vert(α) seria menos negativo? Vamos ver: se E muito negativo, mg+QE < 0, então U_vert = -2(mg+QE)ℓ cos θ = +2|mg+QE|ℓ cos θ. Aí cos α > cos(β/2), então U_vert(α) > U_vert(β/2). Aí precisaríamos que U_C(α) < U_C(β/2) para igualar, mas U_C(α) > U_C(β/2) (pois α < β/2). Então não teria solução. Portanto E deve ser positivo (ou pelo menos mg+QE > 0) para que o mínimo α seja possível. A fórmula dá E = ... - mg/Q, que pode ser positivo se o primeiro termo > mg/Q. Ok.
Portanto, alternativa A.
Vou redigir a explicação.
Passos:
1. Definir θ como metade do ângulo entre os fios.
2. Analisar forças: peso mg, força elétrica QE (ambas para baixo) => peso efetivo m g_eff = mg + QE.
3. Energia potencial por esfera: U_vert = - (mg + QE) ℓ cos θ. Duas esferas: -2(mg+QE)ℓ cos θ.
4. Energia potencial elétrica entre as cargas: U_C = k Q² / d, com d = 2ℓ sen θ => U_C = k Q² / (2ℓ sen θ).
5. Conservação de energia entre θ_i = β/2 e θ_min = α (ambos com velocidade zero).
6. Igualar U_total(β/2) = U_total(α).
7. Isolar E.
Chegar na expressão da alternativa A.
Resposta: A.
Vamos escrever em português.
Verificar se a alternativa A não tem erro de digitação:
A) kQ/(4ℓ²) * [ (1/sen α - 1/sen(β/2)) / (cos α - cos(β/2)) ] - mg/Q.
Sim.
Portanto, resposta A.
Para resolver a questão, vamos analisar a dinâmica e a conservação de energia do sistema.
1. Geometria e forças:
Cada esfera está presa por uma haste de comprimento \ell. Seja \theta o ângulo que cada haste forma com a vertical. O ângulo entre as hastes é 2\theta. Inicialmente, \theta_i = \beta/2 e, no mínimo, \theta_{\min} = \alpha.
As forças verticais que atuam em cada esfera são o peso mg e a força elétrica QE, ambas apontando para baixo (pois \vec E = -E\hat y e a carga é positiva). Assim, podemos definir um peso efetivo:
mg_{\text{ef}} = mg + QE.
2. Energia potencial:
A energia potencial gravitacional + elétrica devida ao campo externo, para as duas esferas, é:
U_{\text{vert}} = -2(mg + QE)\ell\cos\theta.
A energia potencial de interação coulombiana entre as duas cargas Q, separadas por uma distância d = 2\ell \operatorname{sen}\theta, é:
U_C = \frac{kQ^2}{d} = \frac{kQ^2}{2\ell\operatorname{sen}\theta}.
A energia potencial total é:
U(\theta) = -2(mg + QE)\ell\cos\theta + \frac{kQ^2}{2\ell\operatorname{sen}\theta}.
3. Conservação de energia:
Como as esferas são liberadas do repouso em \theta = \beta/2 e atingem o ângulo mínimo \theta = \alpha também com velocidade nula (ponto de retorno), a energia mecânica se conserva:
U(\beta/2) = U(\alpha).
Substituindo a expressão de U(\theta):
-2(mg + QE)\ell\cos(\beta/2) + \frac{kQ^2}{2\ell\operatorname{sen}(\beta/2)}
=
-2(mg + QE)\ell\cos\alpha + \frac{kQ^2}{2\ell\operatorname{sen}\alpha}.
4. Isolando E:
Reorganizando os termos:
2(mg + QE)\ell\left[\cos\alpha - \cos(\beta/2)\right]
=
\frac{kQ^2}{2\ell}\left[\frac{1}{\operatorname{sen}\alpha} - \frac{1}{\operatorname{sen}(\beta/2)}\right].
Portanto:
mg + QE = \frac{kQ^2}{4\ell^2}\,
\frac{\dfrac{1}{\operatorname{sen}\alpha} - \dfrac{1}{\operatorname{sen}(\beta/2)}}
{\cos\alpha - \cos(\beta/2)}.
Finalmente, isolando E:
E = \frac{kQ}{4\ell^2}\,
\frac{\dfrac{1}{\operatorname{sen}\alpha} - \dfrac{1}{\operatorname{sen}(\beta/2)}}
{\cos\alpha - \cos(\beta/2)}
- \frac{mg}{Q}.
Essa expressão corresponde exatamente à alternativa A.
Resposta: A