Joãozinho pinta anéis encaixados, cada um deles dividido em seis partes iguais. No primeiro anel (o menor deles) Joãozinho pinta de cinza algumas partes, à sua escolha. Do segundo anel em diante, ele pinta de cinza somente as partes em contato com duas partes de cores diferentes do anel anterior. Observe um exemplo:
a) Joãozinho pintou o primeiro anel conforme a figura abaixo. Continue o trabalho de Joãozinho, pintando, na mesma figura, o segundo e o terceiro anéis.
b) Na figura abaixo, pinte as partes do primeiro anel de modo que o segundo anel fique todo pintado de cinza.
c) Explique por que, independentemente de como Joãozinho pintar o primeiro anel, os demais anéis sempre terão uma quantidade par de partes pintadas de cinza.
d) Explique por que, independentemente de como Joãozinho pintar o primeiro anel, nenhum anel a partir do terceiro será totalmente pintado de cinza.
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Resolução comentada
a) A regra diz que uma parte do anel novo fica cinza quando toca duas partes de cores diferentes do anel anterior. Cada parte nova toca duas partes vizinhas do anel de dentro. Basta olhar as seis partes do anel, em volta, e marcar cinza onde há mudança de cor entre vizinhas.
Lendo o primeiro anel da figura como cinza, branco, cinza, branco, branco, cinza (em volta, voltando ao início), as seis mudanças de cor, em ordem, são:
cinza–branco: muda, parte cinza;
branco–cinza: muda, parte cinza;
cinza–branco: muda, parte cinza;
branco–branco: não muda, parte branca;
branco–cinza: muda, parte cinza;
cinza–cinza (a última com a primeira): não muda, parte branca.
O 2.º anel fica, nessa ordem, com cinza, cinza, cinza, branco, cinza, branco (4 partes cinza).
Repetindo o processo para o 3.º anel: mudança, mudança, mudança, mudança, mudança, mudança vira, nessa ordem: (cinza–cinza) branco, (cinza–cinza) branco, (cinza–branco) cinza, (branco–cinza) cinza, (cinza–branco) cinza, (branco–cinza) cinza. O 3.º anel fica com branco, branco, cinza, cinza, cinza, cinza (4 partes cinza).
2.º anel: cinza, cinza, cinza, branco, cinza, branco; 3.º anel: branco, branco, cinza, cinza, cinza, cinza (sequências em volta do anel, na ordem das partes do 1.º anel).
b) Para o 2.º anel ficar todo cinza, cada parte dele deve tocar duas partes de cores diferentes do 1.º anel. Então duas partes vizinhas do 1.º anel nunca podem ter a mesma cor: as cores devem se alternar.
Como são 6 partes (número par), a alternância fecha certinho: pinta-se uma parte sim, uma não, ficando 3 partes cinza e 3 brancas intercaladas. Há duas maneiras (a outra é a troca de cores das partes).
c) Percorra o anel anterior dando uma volta completa. Cada parte cinza do anel novo corresponde a uma mudança de cor (de cinza para branco ou de branco para cinza) entre duas partes vizinhas do anel anterior.
Ao dar a volta completa, voltamos à cor de onde saímos. Cada mudança troca a cor, então só voltamos à cor inicial se o número de mudanças for par. Logo, o número de partes cinza do anel novo é par.
Isso vale para o 2.º anel, o 3.º e todos os seguintes, qualquer que seja a pintura do 1.º anel.
O número de partes cinza é igual ao número de mudanças de cor numa volta completa, que é sempre par.
d) Suponha que um anel a partir do 3.º ficasse todo cinza. Pelo item b), o anel anterior teria que ter as cores alternadas, ou seja, 3 partes cinza.
Mas esse anel anterior é, no mínimo, o 2.º anel, e pelo item c) todo anel a partir do 2.º tem quantidade par de partes cinza. Como 3 é ímpar, isso é impossível.
Um anel todo cinza exigiria um anel anterior com 3 partes cinza (número ímpar), o que contradiz o item c) para anéis a partir do 2.º. Logo nenhum anel a partir do 3.º é todo cinza.