PRÁTICA COM QUESTÕES OFICIAIS
Questão 82 da UNICAMP 2016
Leia o poema “Mar Português”, de Fernando Pessoa.
MAR PORTUGUÊS
Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!
Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.
(Disponível em http://www.jornaldepoesia.jor.br/fpesso03.html.)
No poema, a apóstrofe, uma figura de linguagem, indica que o enunciador
- Aconvoca o mar a refletir sobre a história das navegações portuguesas.
- Bapresenta o mar como responsável pelo sofrimento do povo português.
- Crevela ao mar sua crítica às ações portuguesas no período das navegações.
- Dprojeta no mar sua tristeza com as consequências das conquistas de Portugal.
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Resolução comentada
A apóstrofe é uma figura de linguagem que ocorre quando o enunciador se dirige diretamente a alguém ou a alguma coisa, transformando esse destinatário em interlocutor. Não se trata do sinal gráfico chamado apóstrofo.
No poema, essa figura aparece em “Ó mar salgado” e “ó mar!”. O vocativo “ó mar” e as expressões “teu sal”, “te cruzarmos” e “fosses nosso” mostram que o enunciador fala com o mar, e não apenas sobre ele.
Nessa interlocução, o mar é convocado a uma reflexão sobre as navegações portuguesas. A primeira estrofe destaca o sofrimento envolvido nas conquistas: mães choraram, filhos rezaram e noivas ficaram sem casar. A segunda pergunta “Valeu a pena?” e apresenta uma resposta que valoriza a grandeza de espírito necessária para enfrentar os perigos.
Assim, o poema não se limita à tristeza nem faz apenas uma crítica às ações de Portugal: contrapõe os sacrifícios à dimensão grandiosa das conquistas. A apóstrofe estabelece o diálogo com o mar que organiza essa reflexão.
Alternativa A.
Por que as outras alternativas estão erradas
- BConfunde a interlocução com o mar com uma acusação de que ele seria responsável pelo sofrimento português.
- CReduz a reflexão a uma crítica às navegações, ignorando a valorização da coragem e das conquistas.
- DReduz o diálogo com o mar à expressão de tristeza, desconsiderando a reflexão sobre o valor dos sacrifícios.
Assunto: Figuras de pensamento: antítese, paradoxo, hipérbole, eufemismo e personificação.
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Fonte: Comvest/Vestibular Unicamp 2016. Prova oficial ↗