PRÁTICA COM QUESTÕES OFICIAIS
Questão 83 da UNICAMP 2016
Cem anos depois
Vamos passear na floresta
Enquanto D. Pedro não vem.
D. Pedro é um rei filósofo,
Que não faz mal a ninguém.
Vamos sair a cavalo,
Pacíficos, desarmados:
A ordem acima de tudo.
Como convém a um soldado.
Vamos fazer a República,
Sem barulho, sem litígio,
Sem nenhuma guilhotina,
Sem qualquer barrete frígio.
Vamos, com farda de gala,
Proclamar os tempos novos,
Mas cautelosos, furtivos,
Para não acordar o povo.
(José Paulo Paes, O melhor poeta da minha rua, em Fernando Paixão (sel. e org.), Para gostar de ler. São Paulo: Ática, 2008, p.43.)
O tom irônico do poema em relação à história do Brasil põe em evidência
- Ao modo como a democracia surge no Brasil por interferência do Imperador.
- Ba maneira despótica como os republicanos trataram os símbolos nacionais.
- Ca postura inconsequente que sempre caracterizou os governantes do Brasil.
- Da forma astuciosa como ocorreram os movimentos políticos no Brasil.
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Resolução comentada
O poema recria a Proclamação da República (1889) com ironia. Os versos descrevem um golpe militar feito "a cavalo", "com farda de gala", "pacíficos, desarmados", sem violência e sem a participação popular.
Os sinais de ironia são estes:
- "Enquanto D. Pedro não vem" e "rei filósofo, que não faz mal a ninguém": o imperador aparece como figura inofensiva, que não oferece resistência.
- "Sem nenhuma guilhotina, sem qualquer barrete frígio": a república brasileira é comparada à Revolução Francesa, que teve guilhotina e barrete frígio como símbolos. Aqui não houve mobilização revolucionária.
- "Cautelosos, furtivos, para não acordar o povo": os militares agem escondidos, e o povo fica de fora. Esse é o ponto central da crítica.
A ironia mostra que a mudança de regime foi feita de forma calculada e cautelosa, por cima, sem ruptura real e sem o povo. Isso se resume em "forma astuciosa" de ocorrerem os movimentos políticos.
As demais alternativas não têm apoio no texto. Nada indica interferência do imperador para criar a democracia, tratamento despótico de símbolos nacionais ou uma crítica a todos os governantes de todas as épocas.
Alternativa D.
Por que as outras alternativas estão erradas
- AD. Pedro aparece só como figura passiva que "não vem"; o poema não diz que ele criou a democracia.
- BO poema não trata de símbolos nacionais nem de despotismo; os republicanos são retratados como cautelosos e pacíficos.
- CGeneraliza para "sempre" e para todos os governantes, e o poema trata de um episódio específico, além de descrever cautela, não inconsequência.
Assunto: Ironia, humor e sátira.
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Fonte: Comvest/Vestibular Unicamp 2016. Prova oficial ↗