PRÁTICA COM QUESTÕES OFICIAIS
Questão 16 (Português e Inglês) da 2ª fase do IME 2025
Texto-base das questões 11 a 20 · Português e Inglês
Texto 2
COMO A CIÊNCIA DEFINE O QUE É TEMPO?
Há muitas armadilhas a serem enfrentadas para definir o que é o tempo. Absoluto na física clássica, relativo na física moderna, o conceito continua a intrigar as mentes mais brilhantes.
À luz da Ciência, será que somos mesmo prisioneiros do tempo que avança só em um sentido, isto é, do presente para o futuro? Contudo, temos uma pergunta a responder antes disso: afinal, o que é tempo?
O tempo é uma das mais fundamentais e intrigantes dimensões da Natureza. Desde a antiguidade, filósofos, cientistas e poetas têm tentado compreender e definir o tempo. Vamos explorar as várias perspectivas que têm moldado nossa compreensão dessa dimensão misteriosa.
Na filosofia, o tempo tem sido um tema central de discussão desde os tempos de Platão e Aristóteles. Para Platão, o tempo era uma imagem móvel da eternidade, um conceito abstrato que existia indepen- dentemente do mundo físico. Aristóteles, por outro lado, via o tempo como uma medida do movimento, algo que só existe em relação à mudança e aos eventos.
Santo Agostinho, um dos grandes pensadores da Idade Média, refletiu profundamente sobre o tempo, reconhecendo sua natureza paradoxal: “O que é o tempo? Se ninguém me perguntar, eu sei; mas se eu desejar explicar a quem me pergunta, não sei.” Para Agostinho, o tempo estava intrinsecamente ligado à experiência humana, à memória e à antecipação.
Na física clássica, o tempo era visto como uma constante universal, algo absoluto e imutável. Isaac Newton imaginava o tempo como um fluxo contínuo e uniforme, uma linha reta que todos os eventos do universo seguiam.
Essa visão foi revolucionada no início do século XX por Albert Einstein e sua Teoria da Relatividade. Segundo Einstein, o tempo não é absoluto, mas relativo. Ele é flexível e pode ser afetado pela gravidade e pela velocidade.
A Teoria da Relatividade de Einstein unificou o espaço e o tempo em um único continuum de quatro dimensões conhecido como espaço-tempo. Nessa visão, o tempo é tratado como uma dimensão semelhante às três dimensões espaciais, mas com características únicas.
No espaço-tempo, eventos são descritos por suas coordenadas espaciais e temporais, e a separação entre eventos pode ser medida tanto em termos de distância espacial quanto de intervalo temporal.
O tempo também tem uma dimensão psicológica. Nossa percepção dele pode variar dependendo de nossas experiências e estados mentais. Momentos de alegria podem parecer passar rapidamente, enquanto períodos de espera ou sofrimento podem se arrastar interminavelmente.
A neurociência tem investigado como nosso cérebro processa o tempo, revelando que diferentes áreas cerebrais estão envolvidas na percepção de intervalos, memória temporal e antecipação de eventos futuros. E quase sempre confundimos o tempo com a sensação de sua passagem em nossa vida.
Em cosmologia, o tempo é crucial para entender a origem e a evolução do universo. O modelo do Big Bang sugere que a temporalidade e o espaço começaram há cerca de 13,8 bilhões de anos. Antes disso, as leis da física, como as conhecemos, podem não ter sido aplicáveis. A questão do que existia “antes” é ainda um mistério e um campo de intensa pesquisa teórica.
Na mecânica quântica, o tempo também apresenta desafios únicos. Diferentemente da relati- vidade, em que ele é uma dimensão do espaço-tempo, na mecânica quântica o mesmo é tratado como um parâmetro que dita a evolução dos estados quânticos. A integração dessas duas visões – a relativística e a quântica – em uma teoria quântica da gravidade é uma das grandes metas da física moderna.
Parece impossível tentar definir a temporalidade de uma maneira aplicável a todos os campos da atividade humana sem cair numa circularidade, isto é, usar o próprio tempo para definir o tempo.
A Teoria da Relatividade Geral de Einstein desvenda o mistério de por que o tempo observado de um evento pode variar dramaticamente para diferentes observadores. Em um universo regido pela Relatividade Geral, a pergunta “Que horas são agora?” só faz sentido em relação a um observador específico, sublinhando a natureza subjetiva e relativa do tempo.
Somos e vivemos por um tempo determinado, imersos na passagem frenética e relativa das horas, e não há palavras definitivas capazes de capturá-lo. Mas ainda temos a poesia...
LAPOLA, Marcelo. Como a ciência define o que é tempo?, 2024. Disponível em: https://revistagalileu.globo.com/colunistas/quanticas/coluna/2024/06/como-a-ciencia-define-o-que-e-tempo-fisico-explica-entenda.ghtml. Acesso em: 27 de ago. de 2024. (texto adaptado)
“Santo Agostinho, um dos grandes pensadores da Idade Média, refletiu profundamente sobre o tempo, reconhecendo sua natureza paradoxal: ‘O que é o tempo?’ Se ninguém me perguntar, eu sei; mas se eu desejar explicar a quem me pergunta, não sei.” (texto 2, linhas 13 a 15)
Para Santo Agostinho, o tempo apresentava uma “natureza paradoxal”. Os elementos que compõem esse paradoxo, segundo o pensador são:
- Aexperiência vivida e percepção direta.
- Bsenso comum e entendimento imediato.
- Cconsciência imediata e experiência universal.
- Dinterpretação difícil e especificação ambígua.
- Ecompreensão intuitiva e definição complexa.
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Resolução comentada
Um paradoxo aparece quando duas ideias que parecem se opor valem ao mesmo tempo. Na frase de Agostinho, há dois momentos contrastados:
-
"Se ninguém me perguntar, eu sei": no uso cotidiano, sem ter de explicar, ele entende o que é o tempo. Isso é uma compreensão intuitiva, espontânea.
-
"Se eu desejar explicar a quem me pergunta, não sei": quando precisa definir o tempo em palavras, não consegue. Isso mostra que a definição é complexa, difícil de formular.
O paradoxo, portanto, é saber o que é o tempo (intuição) e, ao mesmo tempo, não saber dizer o que ele é (definição).
Agora, as alternativas:
- As letras A, B e C trazem pares em que os dois elementos apontam para o mesmo lado (vivência, imediatez), sem a oposição entre saber e não saber explicar.
- A letra D fala só de dificuldade, sem o lado do "eu sei".
- A letra E reúne exatamente os dois polos: compreensão intuitiva ("eu sei") e definição complexa ("não sei explicar").
Alternativa E.
Por que as outras alternativas estão erradas
- AOs dois termos vão no mesmo sentido (vivência e percepção); não há o polo de dificuldade em explicar.
- BSenso comum e entendimento imediato são ideias convergentes e não incluem a impossibilidade de definir.
- CConsciência imediata e experiência universal não expressam a oposição entre saber e não saber explicar.
- DAmbos os termos indicam dificuldade; falta o lado do "eu sei" que forma o paradoxo.
Assunto: Inferência e implícitos (pressupostos e subentendidos).
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Fonte: IME 2ª fase 2025 · Português e Inglês. Prova oficial ↗