Questão 41 do ENEM PPL 2015

1º dia · Ciências Humanas

Confidência do itabirano

De Itabira trouxe prendas diversas que ora te ofereço:
esta pedra de ferro, futuro aço do Brasil;
este São Benedito do velho santeiro Alfredo Durval;
este couro de anta, estendido no sofá de visitas;
este orgulho, esta cabeça baixa.

Tive ouro, tive gado, tive fazendas.
Hoje sou funcionário público.
Itabira é apenas uma fotografia na parede.
Mas como dói.

ANDRADE, C. D. Sentimento do mundo. São Paulo: Cia. das Letras, 2012 (fragmento).

O poeta pensa a região como lugar, pleno de afetos. A longa história da ocupação de Minas Gerais, iniciada com a mineração, deixou marcas que se atualizam em Itabira, pequena cidade onde nasceu o poeta. Nesse sentido, a evocação poética indica o(a)

  1. A
    pujança da natureza resistindo à ação humana.
  2. B
    sentido de continuidade do progresso.
  3. C
    cidade como imagem positiva da identidade mineira.
  4. D
    percepção da cidade como paisagem da memória.
  5. E
    valorização do processo de ocupação da região.
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Resolução comentada

O poema de Drummond fala de Itabira como lugar de afetos e de lembranças. O eu lírico enumera "prendas" trazidas de lá (a pedra de ferro, o São Benedito, o couro de anta) e contrasta o passado ("tive ouro, tive gado, tive fazendas") com o presente ("hoje sou funcionário público"). A cidade, que já foi riqueza e pertencimento, virou "apenas uma fotografia na parede", e a dor do último verso ("Mas como dói") mostra o peso afetivo dessa perda.

O conceito central é o de lugar: espaço vivido, carregado de vínculos e memória, diferente de mero espaço físico ou econômico. A mineração deixou marcas históricas, mas o poeta não celebra a ocupação nem o progresso; ele lembra e sofre.

Assim, Itabira aparece como paisagem guardada na memória, reduzida a imagem (a fotografia) e a objetos que a evocam. Isso corresponde exatamente à percepção da cidade como paisagem da memória.

Alternativa D.

Por que as outras alternativas estão erradas

  • AO poema não trata da natureza resistindo; a pedra de ferro é lembrada como futuro aço, e não há embate natureza-ser humano.
  • BO texto marca perda e ruptura ("tive ouro... hoje sou funcionário"), não continuidade do progresso.
  • CA cidade é evocada com dor e nostalgia pessoal, não como imagem positiva da identidade mineira em geral.
  • EO poeta não valoriza a ocupação; lamenta o que ficou no passado, e o tom é de saudade.

Assuntos: lugar e paisagem, memória e identidade, ocupação de Minas Gerais.

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