PRÁTICA COM QUESTÕES OFICIAIS
Questão 35 da UNICAMP 2027
Leia o poema de José Paulo Paes a seguir:
À Bengala
Contigo me faço
Pastor do rebanho
De meus próprios passos.
(PAES, J. P. Prosas seguidas de Odes Mínimas. São Paulo: Companhia das Letras, 1992, p. 61.)
No poema, a palavra e o objeto bengala, com quem dialoga o eu-lírico,
- Aindicam apoio material como extensão da imaginação, fantasia consequente da dificuldade de comparação entre o rebanho e os passos do eu-lírico.
- Bexprimem apoio psicológico como extensão do trauma, imagem recuperada pela associação entre os passos do rebanho e os do eu-lírico.
- Cexpressam o protagonismo daquele que conduz, condição recuperada pela aproximação semântica entre as palavras bengala e cajado.
- Dinvocam a fragilidade daquele que lamenta, dissolução sintática criada pela substituição da palavra cajado pela palavra bengala.
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Resolução comentada
O poema é uma ode mínima dirigida à bengala ("À Bengala"). O eu-lírico se dirige a ela e diz que, com ela, torna-se "pastor do rebanho de meus próprios passos".
O primeiro passo é ver a imagem do pastor: ele conduz o rebanho com um cajado, objeto que simboliza guia e comando. A bengala, que ampara quem anda com dificuldade, é aproximada do cajado: ela funciona como o cajado do pastor.
O segundo passo é ver o que muda com essa aproximação. Sem a bengala, o eu-lírico seria apenas alguém que precisa de apoio. Com ela, ele passa a conduzir os próprios passos, como o pastor conduz as ovelhas. Há, portanto, protagonismo, e não lamento.
O terceiro passo é conferir as alternativas. A palavra "cajado" não aparece no poema, mas é recuperada pela associação semântica com "pastor" e "rebanho". Isso corresponde à alternativa que fala de protagonismo de quem conduz e de aproximação entre bengala e cajado.
As demais alternativas introduzem ideias que o texto não sustenta: imaginação como fantasia por dificuldade de comparação, trauma ou fragilidade lamentosa e substituição sintática de palavras.
Alternativa C.
Por que as outras alternativas estão erradas
- ATrata a metáfora como fantasia nascida de dificuldade de comparação, mas a comparação é clara e intencional, e a bengala é apoio concreto, não extensão da imaginação.
- BInventa um trauma e um apoio psicológico que não aparecem no poema; os passos do rebanho são os próprios passos do eu-lírico.
- DLê o poema como lamento e fragilidade, quando o tom é de domínio ("me faço pastor"), e fala em substituição sintática que não ocorre.
Assuntos: Linguagem literária e figuras de linguagem, Gênero lírico: eu lírico e leitura de poema.
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Fonte: Comvest/Vestibular Unicamp 2027. Prova oficial ↗