Questão 9 (3º dia) da 2ª fase da UNICAMP 2017

Projeto de uma vila agrícola – Teresa – para dez famílias, que poderão chegar a cem. O nome foi dado em homenagem à imperatriz d. Teresa Cristina pelo autor do projeto, o médico Jean Maurice Faivre. A planta mostra, ao centro, uma fonte rodeada de árvores, tendo ao lado uma casa comunitária com biblioteca, gabinete de história natural e laboratório de química e física, também cercada de árvores. Ao redor estão dispostas dez casas assobradadas com jardins e árvores circundantes, em meio a uma várzea aprazível. Nos arredores situam-se moinhos; um estabelecimento para tecelagem; serraria, forja e carpintaria; olaria e cemitério. Encorajado pelo imperador, Faivre trouxe da França uma leva de imigrantes. Instalou-se com eles no interior do Paraná, às margens do rio Ivaí, onde fundou uma colônia, Teresina, de efêmera duração”.
(Litografia. 32,5 x 18 cm. Rio de Janeiro, s.d. IHGB. Em João Antônio de Paula, “O processo econômico”, em Lilia Moritz Schwarcz (dir.), História do Brasil Nação. Vol 2. Rio de Janeiro: Objetiva, 2012, p. 201.)
a) Cite e explique um princípio do discurso da medicina sanitarista desenvolvida no século XIX, presente na constituição da vila agrícola Teresa.
b) Contextualize o cenário político do Brasil Império que incentivou o estabelecimento das colônias agrícolas.
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Resolução comentada
Resolução comentada
a) A medicina sanitarista (higienista) do século XIX defendia que a saúde dependia do ambiente: ar circulante, água limpa, espaço, vegetação e ordenamento do território. Segundo a teoria dos miasmas, doenças vinham de ares viciados, pântanos e aglomerações insalubres. Por isso o planejamento urbano passou a ser visto como instrumento de prevenção.
A planta de Teresa traz esses princípios: casas afastadas entre si, com jardins e árvores ao redor, o que garante ventilação e áreas arejadas. Há uma fonte central, que remete à água potável, e o cemitério fica nos arredores, longe das moradias. O traçado geométrico e simétrico expressa a ideia de ordem, de racionalização do espaço, e o povoado fica em várzea "aprazível", em local tido como saudável. A casa comunitária com biblioteca e laboratório reflete ainda a confiança na ciência e na educação como base da vida social. Princípio: o meio ambiente ordenado (ar, água, vegetação, espaço e afastamento do cemitério) determina a saúde, por isso o espaço deve ser planejado de modo higiênico.
b) Desde 1850, com a Lei Eusébio de Queirós, o tráfico atlântico de escravos foi extinto, e a escravidão entrou em crise gradual. A elite imperial passou a temer a falta de mão de obra para a lavoura cafeeira e a discutir a transição para o trabalho livre. Ao mesmo tempo, a Lei de Terras (1850) tornou a terra acessível apenas pela compra, o que dificultava o acesso de imigrantes pobres e de homens livres nacionais à propriedade.
Nesse cenário, o governo de d. Pedro II incentivou a imigração europeia e a criação de colônias agrícolas, oficiais ou particulares, com os objetivos de: substituir progressivamente a mão de obra escrava; povoar áreas pouco ocupadas, como o interior do Paraná e o Sul, e garantir o domínio do território; produzir alimentos; e "civilizar" e "branquear" a população, segundo ideias racistas e de progresso da época. O imperador apoiou, assim, iniciativas como a de Faivre. Fim do tráfico (1850), crise da escravidão, necessidade de mão de obra livre e Lei de Terras levaram o Império a estimular a imigração e as colônias agrícolas, para povoar o território e modernizar a produção.
Assuntos: medicina sanitarista, brasil império, imigração e colônias agrícolas.
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