Questão 10 (3º dia) da 2ª fase da UNICAMP 2017

3º dia · História

Charge de Carlos Latuff mostrando Theresa May, caracterizada com terno na estampa da bandeira do Reino Unido, empurrando um carrinho de mão com tijolos em direção a um muro onde está escrito "CALAIS". Ao fundo, há outros muros e cercas com inscrições: "BERLIN WALL", de onde sai um balão de fala com o texto "HYPOCRITES!"; "U.S. MEXICO", com cerca de arame; e "PALESTINE", com uma alta parede de concreto encimada por uma torre de vigia com a bandeira de Israel.

(Disponível em https://desertpeace.wordpress.com/2016/09/09/assorted-toons-for-the-end-of-the-week/cr1n3uyxeaa1o7f. Acessado em 10/11/2016.)

A charge de Carlos Latuff, publicada em 2016, faz associações sobre diversos processos do mundo contemporâneo. A primeira-ministra britânica, Theresa May, ouve uma voz enquanto carrega tijolos para a construção de um polêmico muro em Calais, na França.

a) Explique qual é a justificativa histórica para a exclamação “hipócritas” oriunda do muro de Berlim.

b) Por que a questão dos muros tornou-se um assunto recorrente na política internacional do século XXI? Justifique sua resposta a partir de uma das referências da charge.

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a) O Muro de Berlim foi erguido em 1961 pelo governo da Alemanha Oriental (RDA), alinhada à URSS, para impedir a fuga de alemães orientais para o setor ocidental da cidade. Era o símbolo máximo da Guerra Fria e da divisão da Europa em dois blocos. Durante décadas, os países capitalistas ocidentais, entre eles o Reino Unido, condenaram o muro como emblema da falta de liberdade, do cerceamento da circulação de pessoas e do autoritarismo do bloco soviético. Sua queda, em 1989, foi celebrada como vitória da liberdade e da abertura.

Por isso a voz do muro de Berlim chama de "hipócritas" os governantes ocidentais: o mundo que criticou aquele muro agora constrói barreiras próprias para barrar o deslocamento de pessoas, no caso, os migrantes e refugiados que tentam chegar ao Reino Unido a partir de Calais, na França. Há hipocrisia porque o Ocidente condenou o Muro de Berlim por impedir a livre circulação e hoje ergue muros semelhantes contra imigrantes.

b) No século XXI, a globalização intensificou a circulação de capitais, mercadorias e informações, mas não a de pessoas. Ao mesmo tempo, guerras, conflitos e desigualdades (Síria, Iraque, Afeganistão, África subsaariana) geraram grandes fluxos de migrantes e refugiados em direção a países ricos. Em resposta, e após os atentados terroristas de 2001 e o avanço de discursos xenófobos e nacionalistas, os Estados passaram a reforçar fronteiras com muros e cercas, em nome da segurança, do controle migratório e do emprego.

Tomando a referência EUA-México: os Estados Unidos ampliaram, desde os anos 1990 e sobretudo após 2001, as barreiras na fronteira para conter a imigração ilegal de mexicanos e latino-americanos em busca de trabalho, além do tráfico de drogas. A proposta de um muro ainda maior marcou a campanha de Donald Trump em 2016. Os muros voltaram à pauta porque, numa globalização que libera capitais e bens mas restringe pessoas, os Estados ricos tentam conter migrações e refugiados, como na fronteira EUA-México.

Assuntos: muro de berlim e guerra fria, migrações e fronteiras no século xxi.

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