Questão 11 (3º dia) da 2ª fase da UNICAMP 2017

3º dia · História

O ano de 1968 foi modelar: protestos, tumultos e motins em Praga, Chicago, Paris, Tóquio, Belgrado, Roma, México, Santiago... Da mesma maneira que as epidemias medievais não respeitavam as fronteiras religiosas nem as hierarquias sociais, a rebelião juvenil anulou as classificações ideológicas.
No México, as reivindicações se resumiam a uma palavra: democratização. Os jovens pediram repetidas vezes “diálogo entre o governo e os estudantes”. A atitude dos estudantes dava ao governo a possibilidade de reorientar sua política. Bastaria ouvir o que o povo dizia por meio das reivindicações juvenis; ninguém esperava uma mudança radical, mas sim maior flexibilidade e uma volta à tradição da Revolução Mexicana, que nunca foi muito dogmática e sim muito sensível às mudanças no ânimo popular.

(Adaptado de Octavio Paz, O labirinto da solidão. São Paulo: Cosac Naify, 2014, p. 215; 222.)

A partir do texto e de seus conhecimentos,

a) caracterize o sistema político mexicano em 1968 e indique um aspecto da Revolução Mexicana (1910-1917) reivindicado pelos estudantes naquele contexto;

b) cite dois instantes do protagonismo juvenil na história brasileira após 1960.

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Resolução comentada

Resolução comentada

a) Em 1968 o México vivia sob um regime de partido hegemônico: o PRI (Partido Revolucionário Institucional), no poder desde a década de 1929-1940, controlava a Presidência, o Congresso, os governos estaduais e os sindicatos por meio de corporativismo e clientelismo. Havia eleições, mas sem alternância real de poder. O regime era autoritário e centralizado, com forte presidencialismo, e reprimia dissidências. O massacre de Tlatelolco (2 de outubro de 1968), dias antes das Olimpíadas, mostrou essa face repressiva.

O texto diz que os estudantes pediam "diálogo" e "democratização", e que o governo poderia voltar à "tradição da Revolução Mexicana", sensível ao ânimo popular. Os estudantes reivindicavam, portanto, o caráter popular e participativo da Revolução, com suas promessas de justiça social, de democracia política (o lema "sufrágio efetivo, não reeleição" de Madero contra a ditadura de Porfirio Díaz) e de atenção às demandas populares, previstas na Constituição de 1917.

Resposta: sistema autoritário de partido hegemônico (PRI), com presidencialismo forte e repressão; os estudantes reivindicavam a abertura democrática e a participação popular herdadas da Revolução, como o sufrágio efetivo e a não reeleição.

b) Dois momentos do protagonismo juvenil no Brasil após 1960:

  1. Na ditadura militar, o movimento estudantil, organizado na UNE e nas entidades secundaristas, protagonizou os protestos de 1968: a morte do estudante Edson Luís no Rio (março) e a Passeata dos Cem Mil (junho) contra o regime. Também ocorreu o Congresso da UNE em Ibiuna (outubro de 1968), com prisões em massa. Jovens também integraram a luta armada contra o regime.

  2. No período da redemocratização e depois dela, os jovens estiveram nas Diretas Já (1983-84) e, em 1992, no movimento dos "caras-pintadas", que pediu o impeachment do presidente Collor. Pode-se citar ainda as Jornadas de Junho de 2013 ou as ocupações de escolas secundaristas em 2015-2016.

Resposta: os protestos estudantis de 1968 contra a ditadura (Passeata dos Cem Mil) e o movimento dos caras-pintadas pelo impeachment de Collor (1992).

Assuntos: revolução mexicana, movimentos de 1968, movimento estudantil no brasil.

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