Questão 5 (1º dia) da 2ª fase da UNICAMP 2013
Millôr Fernandes foi dramaturgo, jornalista, humorista e autor de frases que se tornaram célebres. Em uma delas, lê-se:
Por quê? é filosofia. Porque é pretensão.
a) Explique a diferença no funcionamento linguístico da expressão “porque” indicada nas duas formas de grafá-la.
b) Explique o sentido do segundo enunciado do texto (Porque é pretensão), levando em consideração a forma como ele se contrapõe ao primeiro enunciado. Considere em sua resposta apenas o sentido atribuído à palavra pretensão que se encontra abaixo.
pretensão: vaidade exagerada, presunção.
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Resolução comentada
Resolução comentada
a) Na primeira ocorrência, "Por quê?" é grafado separado e com acento porque está em final de frase, antes de ponto de interrogação. Nessa posição, o "quê" é tônico. A expressão é um pronome interrogativo, precedido da preposição "por", e introduz uma pergunta direta, que busca a causa ou o motivo de algo: "por qual motivo?".
Na segunda ocorrência, "Porque" é grafado junto e sem acento. Aqui é uma conjunção, usada para introduzir uma explicação ou resposta, isto é, a causa de algo já afirmado. Ela não pergunta nada: ela responde, apresentando uma justificativa.
Em resumo, a mudança de grafia marca a mudança de função. A forma separada formula a pergunta, e a forma junta dá a resposta. "Por quê?" é pronome interrogativo (preposição + pronome), usado para perguntar a causa; "Porque" é conjunção, usada para explicar ou responder, indicando a causa.
b) O primeiro enunciado associa a pergunta "Por quê?" à filosofia. Isso significa que filosofar é questionar, duvidar e investigar as causas das coisas, mantendo uma postura aberta e humilde diante do que não se sabe.
O segundo enunciado contrapõe a essa postura a da resposta "Porque". Quem responde, sobretudo de modo categórico e sem investigar, age como se já tivesse a explicação definitiva. Considerando "pretensão" como vaidade exagerada e presunção, o autor sugere que dar respostas prontas é presunçoso: é se achar dono da verdade, em vez de reconhecer os limites do próprio conhecimento.
A frase opõe, portanto, a humildade de quem pergunta à presunção de quem afirma saber a causa de tudo. Responder "porque" é pretensão, pois revela a vaidade de quem presume ter a resposta, ao contrário do filósofo, que se limita a perguntar.
Assuntos: porquês, interpretação de texto, classes de palavras.
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