Questão 18 (2º dia) da 2ª fase da UNICAMP 2013

2º dia · Ciências Humanas e Artes

Na foto abaixo reproduzida, o presidente Jânio Quadros condecora o líder da Revolução Cubana, Ernesto Che Guevara.

Fotografia em preto e branco na qual o presidente Jânio Quadros, visto de perfil à direita com óculos e paletó escuro, condecora Ernesto Che Guevara, à esquerda, com a Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul. Ao fundo, homens de terno observam a cena. Abaixo da imagem lê-se: (Fonte: http://bloghistoriacritica.blogspot.com.br. Acessado em 3/01/2013.).

a) Como essa condecoração pode ser explicada no contexto das propostas do governo Jânio Quadros para as relações externas do Brasil?

b) Quais grupos, no Brasil, criticaram esse acontecimento?

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a) A condenação de Che Guevara com a Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul, em agosto de 1961, faz parte da chamada Política Externa Independente (PEI) de Jânio Quadros. Em plena Guerra Fria, o governo buscava autonomia diante dos dois blocos, EUA e URSS, sem alinhamento automático a Washington. Na prática, o Brasil defendia a autodeterminação dos povos e a não intervenção, o que implicava recusar o isolamento de Cuba, então pressionada pelos EUA (embargo, expulsão da OEA proposta depois, invasão da Baía dos Porcos em abril de 1961).

A PEI também previa ampliar mercados, com aproximação da América Latina, da África, da Ásia e do bloco socialista, e restabelecer relações com a URSS e o Leste Europeu. Condecorar o líder cubano, que visitava o país depois de uma reunião em Punta del Este, era um gesto simbólico de independência diante dos EUA e de afirmação dessa diplomacia.

A condecoração expressa a Política Externa Independente: autonomia diante dos EUA, defesa da autodeterminação de Cuba e aproximação com países não alinhados e socialistas.

b) O gesto foi muito criticado por grupos conservadores e anticomunistas. Entre eles estavam a UDN, partido de Jânio, e seu principal porta-voz, Carlos Lacerda, governador da Guanabara, que denunciou o ato e passou a atacar o presidente. Também criticaram setores das Forças Armadas, em especial militares anticomunistas ligados à Escola Superior de Guerra, a Igreja Católica conservadora, a imprensa liberal-conservadora e empresários e grupos alinhados aos interesses dos EUA, que viam na aproximação com Cuba uma ameaça de comunismo no Brasil. Essa oposição foi um dos fatores de desgaste que levaram à renúncia de Jânio, em 25 de agosto de 1961.

Criticaram o ato a UDN e Carlos Lacerda, setores militares, a Igreja conservadora, a imprensa e grupos empresariais anticomunistas e pró-EUA.

Assuntos: governo jânio quadros, política externa independente, guerra fria.

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