PRÁTICA COM QUESTÕES OFICIAIS
Questão 78 da UFPR 2026
“Hoje estamos todos na iminência da terra não suportar nossa demanda. Como diz o Pajé Yanomami David Kopenawa, o mundo acredita que tudo é mercadoria a ponto de projetar nela tudo o que somos capazes de experimentar. A experiência das pessoas em diferentes lugares do mundo se projeta na mercadoria significando que ela é tudo o que está fora de nós. Essa tragédia que agora atinge a todos é adiada em alguns lugares, em algumas situações regionais nas quais a política – o poder político, a escolha política – compõe espaços de segurança temporária em que as comunidades, mesmo quando já esvaziadas do verdadeiro sentido do compartilhamento de espaços ainda são, digamos, protegidas por um aparato que depende cada vez mais da exaustão das florestas, dos rios, das montanhas, nos colocando num dilema em que parece que a única possibilidade para que comunidades humanas continuem a existir é à custa da exaustão de todas as outras partes da vida.”
Krenak, A. Ideias para adiar o fim do mundo. São Paulo: Companhia das Letras, 2019. p. 45-46
Considerando a obra Ideias para adiar o fim do mundo e o excerto selecionado, que problematiza o processo de mercantilização da vida como raiz da crise econômica, assinale a alternativa correta.
- AA obra sugere que a “segurança temporária” proporcionada por políticas regionais é uma forma de violência lenta, pois, ao mesmo tempo que protege comunidades, as torna cúmplices do sistema que devora a natureza.
- BKrenak apropria-se da fala de Kopenawa para argumentar que a mercadoria é um simulacro da experiência humana, mas que, paradoxalmente, essa mesma lógica pode ser subvertida por movimentos sociais que transformam o consumo em ato político.
- CO “adiar o fim do mundo” não seria uma metáfora, mas um protocolo indígena de gestão de crise, baseado em saberes ancestrais que calculam os limites precisos de exploração da Terra, algo que a ciência ocidental ainda não conseguiu mapear.
- DPara Krenak, a mercantilização da vida – que transforma até mesmo experiências subjetivas em commodities – é um dos pilares da crise civilizatória, pois nos aliena da percepção de que nossa existência depende da saúde dos ecossistemas, não de sua exploração infinita.
- EKrenak defende que a política moderna, ao criar zonas de segurança temporárias, é capaz de restaurar o sentido autêntico do compartilhamento comunitário, revertendo a lógica de exaustão ambiental imposta pelo capitalismo.
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Resolução comentada
O trecho de Krenak, citando Davi Kopenawa, diz que o mundo trata tudo como mercadoria, a ponto de projetar nela toda a experiência humana. A consequência é uma crise que atinge todos, adiada apenas em alguns lugares onde a política cria "espaços de segurança temporária". Mesmo esses espaços dependem da exaustão de florestas, rios e montanhas. Isso gera o dilema de que a humanidade só sobreviveria à custa das outras formas de vida.
As alternativas devem ser comparadas com essa ideia central:
- A mercantilização da vida está na raiz da crise.
- Ela nos aliena da noção de que dependemos dos ecossistemas.
- A "segurança" regional é apenas adiamento, e nada indica que restaure o sentido do compartilhamento nem que reverta o capitalismo.
A alternativa D resume isso fielmente: a mercantilização transforma até experiências subjetivas em mercadoria, é pilar da crise civilizatória e nos afasta da percepção de que a existência depende da saúde dos ecossistemas, e não de sua exploração infinita.
As demais atribuem a Krenak ideias que o trecho não traz. A A diz que as comunidades são "cúmplices". A B propõe subverter a lógica pelo consumo político. A C fala em protocolo indígena de cálculo dos limites. A E afirma que a política restaura o sentido do compartilhamento.
Alternativa D.
Por que as outras alternativas estão erradas
- AChama as comunidades de "cúmplices" e fala em "violência lenta", ideias que o texto não afirma; ele só aponta o dilema da dependência da exaustão da natureza.
- BInventa uma saída pelo "consumo como ato político", contrária à crítica de Krenak à lógica da mercadoria.
- CAtribui a Krenak um "protocolo indígena de gestão de crise" com cálculo preciso de limites, o que não aparece no excerto.
- EDiz que a política restaura o compartilhamento e reverte a exaustão, mas o texto afirma que a segurança é temporária e comunidades já esvaziadas desse sentido.
Assunto: Sociedade e meio ambiente.
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Fonte: UFPR 2026 · 1ª fase. Prova oficial ↗