PRÁTICA COM QUESTÕES OFICIAIS
Questão 74 da UFPR 2026
“[...] a procura da causa se antecipa por vezes em nós à constatação do resultado e isso vai tão longe que chegamos a julgar não o que existe, mas o que não existe. Além dessa facilidade com que encontramos interpretações para qualquer sonho, nossa imaginação tende a impressionar-se facilmente com as coisas falsas e com as aparências mais frívolas.”
Montaigne, M. de. Ensaios. São Paulo: Editora 34, 2016. p. 954.
Em “Dos Coxos”, Montaigne reflete sobre a tendência humana de buscar causas ocultas e significados misteriosos para acontecimentos banais. Essa atitude é criticada pelo autor por:
- Apromover o uso racional da religião.
- Bser essencial para o avanço do conhecimento científico.
- Cconduzir à superstição e à perda do juízo crítico.
- Ddemonstrar a superioridade dos antigos sobre os modernos.
- Evalorizar a ignorância humana e não favorecer o alcance de verdades indubitáveis.
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Resolução comentada
O texto é de Montaigne, ensaísta cético do século XVI. No ensaio "Dos Coxos", ele critica o hábito de procurar a causa de um fato antes de ter certeza de que o fato existe. Foi nesse ensaio que ele disse que "julgamos não o que existe, mas o que não existe".
Para resolver, siga os passos:
- O trecho diz que a busca da causa "se antecipa" à constatação do resultado. Ou seja, explicamos antes de verificar.
- Ele diz que achamos interpretação para qualquer sonho e que a imaginação se impressiona com "coisas falsas" e "aparências mais frívolas". Portanto, o problema é a credulidade diante de aparências.
- A consequência é aceitar explicações sem exame, isto é, cair na superstição e abandonar o juízo crítico. Esse é o alvo da crítica de Montaigne, que defende a suspensão do juízo e a dúvida diante do que não foi verificado.
O texto não trata de religião, de ciência nem de antigos contra modernos. Também não elogia a ignorância: critica a precipitação em julgar sem base. Só a alternativa C reúne as duas ideias do trecho, superstição e perda do juízo crítico.
Alternativa C.
Por que as outras alternativas estão erradas
- AO texto não fala em uso racional da religião; a crítica é à credulidade e às interpretações infundadas.
- BMontaigne critica a busca precipitada de causas, e não a vê como essencial ao conhecimento científico.
- DO trecho não compara antigos e modernos; o assunto é a falha do juízo humano.
- EAtribui a Montaigne a defesa da ignorância e das verdades indubitáveis, o que não aparece no texto; a crítica é à precipitação do juízo.
Assunto: Humanismo renascentista e Montaigne.
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Fonte: UFPR 2026 · 1ª fase. Prova oficial ↗