PRÁTICA COM QUESTÕES OFICIAIS

Questão 73 da UFPR 2026

1ª fase · Filosofia: Pensamento africano, indígena e decolonial

“Se durante um tempo éramos nós, os povos indígenas, que estávamos ameaçados da ruptura ou da extinção do sentido da nossa vida, hoje estamos todos diante da iminência de a Terra não suportar a nossa demanda.”

Krenak, A. A vida não é útil. São Paulo: Companhia das Letras, 2020, p. 79.

No livro A vida não é útil, Ailton Krenak questiona a lógica que rege a modernidade. Essa lógica está associada:

  1. A
    à valorização excessiva da cultura indígena em detrimento do modo de vida ocidental.
  2. B
    à ideia de que tudo deve servir a um propósito econômico ou produtivo.
  3. C
    à substituição das tradições religiosas e das cosmovisões autóctones por práticas laicas.
  4. D
    ao desprezo pelas tecnologias e avanços científicos contemporâneos.
  5. E
    ao não reconhecimento da excepcionalidade da espécie humana.
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Resolução comentada

O trecho de Krenak faz um paralelo entre dois momentos. Antes, os povos indígenas eram os ameaçados de perder o sentido de suas vidas. Hoje, todos estão ameaçados, porque a Terra pode não suportar a "nossa demanda", isto é, o nosso consumo e a nossa exploração dela.

O título do livro, A vida não é útil, mostra qual é a crítica. A modernidade ocidental trata a natureza, o tempo e as pessoas como recursos. Tudo precisa render, produzir e ser aproveitado. É a lógica utilitária e produtivista do capitalismo, que leva ao esgotamento do planeta.

Confira as alternativas com esse raciocínio:

  1. Krenak não defende a superioridade da cultura indígena sobre a ocidental. Ele critica um modelo de desenvolvimento, e isso descarta A.
  2. Ele não propõe trocar religião por práticas laicas. Ao contrário, valoriza as cosmovisões tradicionais, e isso descarta C.
  3. Ele critica o modo de vida moderno, e não a ciência em si, o que descarta D.
  4. Ele questiona o antropocentrismo, ou seja, a ideia de que o humano é superior e separado da natureza. Dizer que a lógica moderna "não reconhece a excepcionalidade humana" inverte isso, e E fica descartada.

A lógica criticada, portanto, é a de que tudo deve servir a um propósito econômico ou produtivo.

Alternativa B.

Por que as outras alternativas estão erradas

  • AKrenak critica o modelo moderno de consumo e não afirma que a cultura indígena deva ser valorizada em detrimento da ocidental.
  • CEle valoriza as cosmovisões tradicionais e não associa a lógica moderna à substituição delas por práticas laicas.
  • DO alvo da crítica é o utilitarismo e o consumo excessivo, e não um suposto desprezo pela tecnologia e pela ciência.
  • EInverte a crítica: a modernidade peca por antropocentrismo, ao se achar excepcional, e não por deixar de reconhecer a excepcionalidade humana.

Assunto: Pensamento africano, indígena e decolonial.

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Fonte: UFPR 2026 · 1ª fase. Prova oficial ↗