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Questão 67 da UFPR 2008

1ª fase · História: Conquista e colonização da América espanhola

“O que podia acontecer a estes bárbaros mais conveniente ou mais saudável do que serem submetidos ao domínio daqueles cuja prudência, virtude e religião os converterão de bárbaros, tais que mal mereciam o nome de seres humanos, em homens civilizados o quanto podem ser, de facinorosos em probos, de ímpios e servos do demônio em cristãos e cultores da verdadeira religião? [...] E se recusarem o nosso domínio poderão ser coagidos pelas armas a aceitá-lo, e esta guerra será, como acima declaramos com autoridade de grandes filósofos e teólogos, justa pela lei da natureza, muito mais ainda do que a que fizeram os romanos para submeter a seu império todas as demais nações, assim como é melhor e mais certa a religião cristã do que a antiga dos romanos, sendo maior o que em engenho, prudência, humanidade, fortaleza de alma e de corpo e toda virtude os espanhóis fazem a estes homúnculos do que os antigos romanos faziam às outras nações.”

(As justas causas de guerra contra os índios, segundo o tratado de Demócrates Alter, de Juan Ginés de Sepúlveda. In: SUESS, Paul (coord.). A conquista espiritual da América Espanhola. Petrópolis: Vozes, 1992, p. 534–535.)

Com base no texto e nos conhecimentos sobre a conquista da América, é correto afirmar que Juan Ginés de Sepúlveda:

  1. A
    ficou ao lado de Bartolomé de Las Casas na defesa dos índios da América, adotando uma posição fundada na teoria da desigualdade natural dos homens, que afirmava ser injusto os povos superiores escravizarem os inferiores.
  2. B
    criticou o expansionismo espanhol na América com base na teologia cristã, que afirmava ser a escravidão um pequeno preço a pagar diante dos benefícios da inserção do indígena na civilização européia e, portanto, na comunidade cristã.
  3. C
    traçou as diretrizes gerais do Estado espanhol em relação à política indigenista na América, na medida em que defendia a idéia de que caberia à Igreja Católica, sob a supervisão da Coroa, promover a conversão dos conquistados para a religião cristã.
  4. D
    defendeu a tese de que a Coroa Espanhola deveria estabelecer uma política centralizada em relação à conversão dos indígenas americanos, pois ficou incomodado com as narrativas das atrocidades cometidas pelos conquistadores espanhóis em relação aos incas e astecas.
  5. E
    foi um representante do renascimento ibérico, na medida em que combina em seu pensamento elementos da teologia cristã e da filosofia da antiguidade greco-romana, dentre eles a idéia de guerra justa, justificando assim o domínio espanhol na América.
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Resolução comentada

Sepúlveda, no debate de Valladolid (1550-51), foi o grande adversário de Las Casas. No trecho, ele diz que os índios são "bárbaros", quase sem humanidade, e que dominá-los é um benefício, pois os tornaria "homens civilizados" e cristãos. Se resistirem, podem ser forçados pelas armas, e essa guerra seria "justa pela lei da natureza".

Para fundamentar isso, ele recorre a duas fontes:

  1. a teologia cristã (a religião cristã seria "melhor e mais certa" e os índios seriam "servos do demônio");
  2. a filosofia antiga, citando "grandes filósofos e teólogos" (a ideia aristotélica de escravidão natural) e o exemplo do Império Romano.

Com isso, ele une elementos cristãos e greco-romanos para justificar a conquista. Isso é característico do humanismo renascentista ibérico.

Alternativas:

  • (A) e (B) erram ao dizer que ele estava ao lado de Las Casas ou criticava o expansionismo; ele o defendia.
  • (C) atribui a ele a formulação das diretrizes do Estado, o que o texto não mostra; ele era um teórico e polemista.
  • (D) diz que ele se incomodou com as atrocidades, mas ele as justificava, e não pedia uma política centralizada por esse motivo.
  • (E) descreve corretamente a combinação de teologia cristã, filosofia antiga e guerra justa para legitimar o domínio.

Alternativa E.

Por que as outras alternativas estão erradas

  • ASepúlveda foi adversário de Las Casas, não aliado, e defendia a sujeição dos índios, não a condenava.
  • BEle não criticava o expansionismo; ao contrário, o legitimava com argumentos religiosos e filosóficos.
  • CAtribui a ele a definição das diretrizes do Estado espanhol, algo que o texto não indica; ele era teórico e polemista.
  • DEle não se incomodava com as atrocidades; justificava a guerra e o domínio, e o texto não trata de centralização.

Assuntos: Conquista e colonização da América espanhola, Povos indígenas: colonização, resistência e direitos.

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Fonte: UFPR 2008 · 1ª fase. Prova oficial ↗