PRÁTICA COM QUESTÕES OFICIAIS
Questão 55 (1º exame) da UERJ 2015
O movimento e a avenida
Em vista da importância do Exército para as classes dominantes, não é de admirar que o tráfego militar fosse o fator determinante do planejamento das cidades, exemplificado pelo traçado das avenidas de Paris, proposto pelo prefeito Haussmann entre 1853 e 1870.
Adaptado de MUNFORD, Lewis. A cidade na história: suas origens, transformações e perspectivas. São Paulo: Martins Fontes, 1991.
Topografia da Maré facilita ocupação pelo Exército
Ao adotar no Complexo da Maré estratégia semelhante à utilizada para ocupar os Complexos do Alemão e da Penha, o Exército vai encontrar mais vantagens do que desvantagens, apesar de a nova região ser maior e mais populosa. A topografia da área a ser pacificada é plana, e as ruas são mais largas, fatores que acabam facilitando a distribuição do efetivo e as manobras dos veículos militares.
Adaptado de extra.globo.com, 02/04/2014.
Apesar das muitas diferenças existentes entre Paris no século XIX e Rio de Janeiro no século XXI, os textos apontam para manifestações do exercício do poder militar em ambas as cidades.
Nos dois contextos, é reconhecível a seguinte relação estratégica entre o espaço da cidade e a ação do Estado:
- Asítio urbano e polarização política
- Bmorfologia urbana e controle social
- Chierarquia urbana e segurança pública
- Dcentro urbano e marginalização econômica
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Resolução comentada
Os dois textos tratam de como a forma física da cidade ajuda o Estado a usar a força militar.
No primeiro texto, Munford diz que o tráfego militar determinou o traçado das avenidas de Haussmann em Paris (1853-1870). Ou seja, o desenho das ruas serviu para permitir a circulação rápida de tropas e o domínio sobre a população.
No segundo texto, a ocupação do Complexo da Maré pelo Exército é facilitada pela topografia plana e pelas ruas largas, que permitem distribuir o efetivo e manobrar veículos militares. Mais uma vez, a forma do espaço urbano favorece a ação do Estado.
O conceito que une os dois casos é a morfologia urbana: o traçado das ruas, a largura das vias e o relevo. A ação do Estado, em ambos, é o controle social, isto é, a vigilância e o domínio sobre a população por meio da força.
As outras opções trazem conceitos que os textos não abordam:
- sítio urbano (local de implantação) e polarização política não aparecem;
- hierarquia urbana (relação entre cidades por importância) não é discutida;
- centro urbano e marginalização econômica também não são o foco.
Alternativa B.
Por que as outras alternativas estão erradas
- AOs textos não falam de polarização política; o foco é o traçado das ruas a serviço de manobras militares, não divisão de forças políticas.
- CHierarquia urbana trata da relação de importância entre cidades, tema ausente dos textos, e eles não falam de segurança pública em geral.
- DOs textos não abordam centro urbano nem marginalização econômica; tratam do desenho viário e de sua utilidade militar.
Assunto: Planejamento urbano e mobilidade.
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Fonte: UERJ 2015 · 1º Exame de Qualificação. Prova oficial ↗