PRÁTICA COM QUESTÕES OFICIAIS

Questão 15 (2º exame) da UERJ 2013

2º exame · Linguagens · Literatura: Gênero lírico: eu lírico e leitura de poema

com base no texto abaixo, responda às questões de números 11 a 15. · 2º Exame de Qualificação

Igual-Desigual

Eu desconfiava: todas as histórias em quadrinho são iguais. Todos os filmes norte-americanos são iguais. Todos os filmes de todos os países são iguais. Todos os best-sellers1 são iguais Todos os campeonatos nacionais e internacionais de futebol são iguais. Todos os partidos políticos são iguais. Todas as mulheres que andam na moda são iguais. Todas as experiências de sexo são iguais. Todos os sonetos, gazéis, virelais, sextinas e rondós2 são iguais e todos, todos os poemas em verso livre são enfadonhamente iguais.

Todas as guerras do mundo são iguais. Todas as fomes são iguais. Todos os amores, iguais iguais iguais. Iguais todos os rompimentos. A morte é igualíssima. Todas as criações da natureza são iguais. Todas as ações, cruéis, piedosas ou indiferentes, são iguais. Contudo, o homem não é igual a nenhum outro homem, bicho ou coisa.

Ninguém é igual a ninguém. Todo ser humano é um estranho ímpar.

CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE
Nova reunião: 19 livros de poesia. Rio de Janeiro: José Olympio, 1985.

1 best-sellers – livros mais vendidos
2 gazéis, virelais, sextinas, rondós – tipos de poema

O título do poema anuncia a noção de desigualdade.

Pela leitura do conjunto do texto, é possível concluir que a desigualdade entre os homens diz respeito principalmente a:

  1. A
    traços individuais
  2. B
    convicções políticas
  3. C
    produções culturais
  4. D
    orientações filosóficas
Escolha uma alternativa para conferir o gabarito.
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Resolução comentada

O poema tem duas partes. Na primeira, o eu lírico enumera, de forma exagerada, tudo o que "é igual": quadrinhos, filmes, partidos políticos, poemas, guerras, amores, a própria morte. São produções culturais, instituições, experiências e fenômenos naturais, todos tratados como repetitivos e sem novidade.

A virada vem com o conectivo "Contudo": "o homem não é igual a nenhum outro homem, bicho ou coisa". O contraste mostra que a desigualdade fica reservada ao ser humano, e não ao que ele cria ou vive.

Os versos finais confirmam isso: "Ninguém é igual a ninguém. / Todo ser humano é um estranho / ímpar". Cada pessoa é única, singular. Isso é uma característica individual, ligada à identidade de cada um.

Assim:

  1. Convicções políticas e orientações filosóficas aparecem apenas dentro da lista do que é igual ("todos os partidos políticos são iguais"), logo não são o foco da desigualdade.
  2. Produções culturais (quadrinhos, filmes, best-sellers, poemas) também estão na lista do que é igual.
  3. O que escapa à igualdade é a singularidade de cada pessoa, ou seja, seus traços individuais.

Alternativa A.

Por que as outras alternativas estão erradas

  • BOs partidos políticos aparecem na lista do que é igual, não como exemplo de desigualdade.
  • CQuadrinhos, filmes, best-sellers e poemas são citados como iguais, justamente o oposto do que a alternativa afirma.
  • DO poema não trata de orientações filosóficas; a desigualdade está na singularidade de cada ser humano.

Assunto: Gênero lírico: eu lírico e leitura de poema.

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Ver como caiu na prova Questão 15 no caderno 2º Exame de Qualificação da UERJ 2013

Fonte: UERJ 2013 · 2º Exame de Qualificação. Prova oficial ↗