PRÁTICA COM QUESTÕES OFICIAIS

Questão 14 (2º exame) da UERJ 2013

2º exame · Linguagens · Português: Sentido das palavras: sinonímia, antonímia e campo semântico

com base no texto abaixo, responda às questões de números 11 a 15. · 2º Exame de Qualificação

Igual-Desigual

Eu desconfiava: todas as histórias em quadrinho são iguais. Todos os filmes norte-americanos são iguais. Todos os filmes de todos os países são iguais. Todos os best-sellers1 são iguais Todos os campeonatos nacionais e internacionais de futebol são iguais. Todos os partidos políticos são iguais. Todas as mulheres que andam na moda são iguais. Todas as experiências de sexo são iguais. Todos os sonetos, gazéis, virelais, sextinas e rondós2 são iguais e todos, todos os poemas em verso livre são enfadonhamente iguais.

Todas as guerras do mundo são iguais. Todas as fomes são iguais. Todos os amores, iguais iguais iguais. Iguais todos os rompimentos. A morte é igualíssima. Todas as criações da natureza são iguais. Todas as ações, cruéis, piedosas ou indiferentes, são iguais. Contudo, o homem não é igual a nenhum outro homem, bicho ou coisa.

Ninguém é igual a ninguém. Todo ser humano é um estranho ímpar.

CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE
Nova reunião: 19 livros de poesia. Rio de Janeiro: José Olympio, 1985.

1 best-sellers – livros mais vendidos
2 gazéis, virelais, sextinas, rondós – tipos de poema

Todo ser humano é um estranho
ímpar. (v. 26-27)

No contexto, a associação dos adjetivos estranho e ímpar sugere que cada ser humano não se conhece completamente.

Isto acontece porque cada indivíduo pode ser caracterizado como:

  1. A
    solitário
  2. B
    singular
  3. C
    intolerante
  4. D
    indiferente
Escolha uma alternativa para conferir o gabarito.
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Resolução comentada

O poema passa quase todo enumerando coisas que seriam "iguais": filmes, guerras, amores, a morte. Só no final surge o contraponto, marcado por "Contudo": "o homem não é igual a nenhum outro" e "Ninguém é igual a ninguém".

É nesse contraste que entram os dois adjetivos:

  1. Ímpar significa, ao pé da letra, "que não tem par", "sem igual", único. Também tem o sentido de número que não forma par.
  2. Estranho vem de "o que é estrangeiro, diferente". Aqui indica que cada pessoa é um mistério, inclusive para si mesma, justamente porque não se parece com mais ninguém.

A união dos dois reforça a ideia central: como ninguém se repete, cada ser humano é único, diferente de todos os outros. A palavra que resume isso é singular, que quer dizer "único, sem semelhante".

Os outros adjetivos não decorrem do texto. O poema não fala de isolamento, de falta de tolerância nem de indiferença. A questão é a unicidade, não o modo como a pessoa se relaciona com os demais.

Alternativa B.

Pegadinha: A alternativa A engana por associar "estranho" e "ímpar" à ideia de isolamento, quando o sentido é de unicidade.

Por que as outras alternativas estão erradas

  • AConfunde "ímpar" (sem igual) com "sozinho"; o poema trata de unicidade, não de solidão.
  • CIntolerância é atitude em relação aos outros e não aparece no texto.
  • DIndiferença só surge no verso sobre as ações, que são todas "iguais"; não descreve o ser humano único.

Assunto: Sentido das palavras: sinonímia, antonímia e campo semântico.

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Ver como caiu na prova Questão 14 no caderno 2º Exame de Qualificação da UERJ 2013

Fonte: UERJ 2013 · 2º Exame de Qualificação. Prova oficial ↗