PRÁTICA COM QUESTÕES OFICIAIS

Questão 13 (2º exame) da UERJ 2013

2º exame · Linguagens · Literatura: Gênero lírico: eu lírico e leitura de poema

com base no texto abaixo, responda às questões de números 11 a 15. · 2º Exame de Qualificação

Igual-Desigual

Eu desconfiava: todas as histórias em quadrinho são iguais. Todos os filmes norte-americanos são iguais. Todos os filmes de todos os países são iguais. Todos os best-sellers1 são iguais Todos os campeonatos nacionais e internacionais de futebol são iguais. Todos os partidos políticos são iguais. Todas as mulheres que andam na moda são iguais. Todas as experiências de sexo são iguais. Todos os sonetos, gazéis, virelais, sextinas e rondós2 são iguais e todos, todos os poemas em verso livre são enfadonhamente iguais.

Todas as guerras do mundo são iguais. Todas as fomes são iguais. Todos os amores, iguais iguais iguais. Iguais todos os rompimentos. A morte é igualíssima. Todas as criações da natureza são iguais. Todas as ações, cruéis, piedosas ou indiferentes, são iguais. Contudo, o homem não é igual a nenhum outro homem, bicho ou coisa.

Ninguém é igual a ninguém. Todo ser humano é um estranho ímpar.

CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE
Nova reunião: 19 livros de poesia. Rio de Janeiro: José Olympio, 1985.

1 best-sellers – livros mais vendidos
2 gazéis, virelais, sextinas, rondós – tipos de poema

Todos os amores, iguais iguais iguais. (v. 19)

A intensificação da repetição do termo iguais no mesmo verso, relacionado a amores, enfatiza determinada crítica que o poeta pretende fazer.

A crítica de Drummond se dirige às relações amorosas, no que diz respeito ao seguinte aspecto:

  1. A
    exagero
  2. B
    padronização
  3. C
    desvalorização
  4. D
    superficialidade
Escolha uma alternativa para conferir o gabarito.
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Resolução comentada

O poema começa com uma série de generalizações: tudo é "igual" (histórias em quadrinhos, filmes, partidos, guerras, fomes). Nessa enumeração, o termo iguais quer dizer que os elementos de cada categoria seguem o mesmo modelo, sem diferenças entre si.

No verso 19, a repetição "iguais iguais iguais" intensifica essa ideia aplicada aos amores: todos seriam idênticos, repetindo o mesmo padrão. O poeta critica, portanto, a padronização das relações amorosas.

O final do poema confirma a leitura. Ele contrapõe tudo o que é igual à singularidade do ser humano: "Ninguém é igual a ninguém" e "Todo ser humano é um estranho ímpar". A crítica, então, é à uniformidade, à falta de singularidade, e não ao excesso, ao pouco valor ou à falta de profundidade do amor.

Os demais aspectos não têm apoio no verso:

  • exagero: nada no texto sugere que se ame demais;
  • desvalorização: o poeta não diz que o amor vale pouco;
  • superficialidade: não se fala de falta de profundidade, e sim de semelhança.

Alternativa B.

Por que as outras alternativas estão erradas

  • AO verso não trata de excesso ou exagero no amor, mas de semelhança entre os amores.
  • CA repetição de "iguais" não afirma que o amor valha pouco, apenas que os amores seguem o mesmo padrão.
  • DDizer que são iguais não equivale a dizer que são rasos; a crítica é à uniformidade, não à profundidade.

Assunto: Gênero lírico: eu lírico e leitura de poema.

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Ver como caiu na prova Questão 13 no caderno 2º Exame de Qualificação da UERJ 2013

Fonte: UERJ 2013 · 2º Exame de Qualificação. Prova oficial ↗