PRÁTICA COM QUESTÕES OFICIAIS

Questão 18 do ITA 2020

1ª fase · Português

Texto-base das questões 16 a 30 · 1ª fase

Todas as citações das obras indicadas foram extraídas das seguintes edições:

Machado de Assis. O alienista. In: Contos: uma antologia. Seleção, introdução e notas John Gledson. 2a ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2001, pp. 273-327.

Graciliano Ramos. S. Bernardo. Posfácio de Godofredo de Oliveira Neto. 94a edição revista. Rio de Janeiro: Record, 2013.

João Guimarães Rosa. A hora e vez de Augusto Matraga. In: Sagarana. 72a ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2017. 1a ed. São Paulo: Global, 2019, pp. 293-332.

Leia atentamente e assinale a alternativa correta.

—Escola! Que me importava que os outros soubessem ler ou fossem analfabetos? Esses homens de governo têm um parafuso frouxo. Metam pessoal letrado na apanha da mamona. Hão de ver a colheita. [S. Bernardo, p. 50].

Conforme ficamos sabendo logo adiante no enredo, Paulo Honório decide, apesar do que afirma no trecho destacado, construir uma escola em S. Bernardo porque

  1. A
    teme as retaliações do governo.
  2. B
    tem interesse em conseguir as benevolências do governador.
  3. C
    está preocupado com as ocupações de Madalena.
  4. D
    está preocupado em dar um emprego a Padilha.
  5. E
    não crê na educação como um direito universal.
Escolha uma alternativa para conferir o gabarito.
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Resolução comentada

No capítulo 12 de S. Bernardo, Paulo Honório fala mal da escola: para ele, saber ler não serve para a colheita de mamona. Mesmo assim, ele a constrói, e o narrador explica o motivo logo depois.

O motivo é prático e interesseiro, o que combina com o personagem, que enxerga tudo como negócio:

  1. Ele queria se aproximar do governador, e a escola era um meio de agradá-lo.
  2. Um fazendeiro que faz uma escola em sua propriedade ganha prestígio com as autoridades.
  3. Esse prestígio rende favores políticos, como a ajuda para a estrada que ligaria a fazenda a Palmeira dos Índios, além de isenções e boa vontade do governo.

O trecho mostra o contraste que a questão pede: o discurso diz que a escola é inútil, mas a ação visa ao ganho pessoal. Isso confirma a mentalidade utilitária de Paulo Honório, que "coisifica" as relações.

As outras alternativas não aparecem como causa da construção. Madalena só chega depois e se ocupa da escola por iniciativa própria. Padilha é professor sem relação com a decisão. O governo não ameaça Paulo Honório, e a falta de fé na educação como direito, embora coerente com o personagem, não explica por que ele a constrói.

Alternativa B.

Por que as outras alternativas estão erradas

  • APaulo Honório não teme retaliações; ele quer, ao contrário, agradar o governo.
  • CMadalena entra na história depois da decisão e não é o motivo da escola.
  • DPadilha não é a razão da escola; o emprego dele não motiva a decisão.
  • EDescreve a opinião do personagem, mas não explica por que ele constrói a escola apesar dela.

Assuntos: S. Bernardo, Graciliano Ramos, interpretação de texto literário.

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Fonte: ITA 2020 · 1ª fase. Prova oficial ↗