PRÁTICA COM QUESTÕES OFICIAIS

Questão 17 do ITA 2020

1ª fase · Português

Texto-base das questões 16 a 30 · 1ª fase

Todas as citações das obras indicadas foram extraídas das seguintes edições:

Machado de Assis. O alienista. In: Contos: uma antologia. Seleção, introdução e notas John Gledson. 2a ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2001, pp. 273-327.

Graciliano Ramos. S. Bernardo. Posfácio de Godofredo de Oliveira Neto. 94a edição revista. Rio de Janeiro: Record, 2013.

João Guimarães Rosa. A hora e vez de Augusto Matraga. In: Sagarana. 72a ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2017. 1a ed. São Paulo: Global, 2019, pp. 293-332.

Leia atentamente e assinale a alternativa correta.

A verdade é que nunca soube quais foram os meus atos bons e quais foram os maus. Fiz coisas boas que me trouxeram prejuízo; fiz coisas ruins que deram lucro. E como sempre tive a intenção de possuir as terras de S. Bernardo, considerei legítimas as ações que me levaram a obtê-las. [S. Bernardo, p. 48].

Com base no trecho destacado, é possível dizer que, para o protagonista

  1. A
    qualquer fim justifica qualquer meio e não há nem bem em si nem mal em si.
  2. B
    há bem e mal, mas qualquer meio para possuir as terras de S. Bernardo é legítimo.
  3. C
    todos os meios são bons em si, mas não todos os fins.
  4. D
    nenhum meio é ruim tendo em vista um fim legítimo.
  5. E
    nenhuma finalidade é legítima, mas há meios bons e meios ruins.
Escolha uma alternativa para conferir o gabarito.
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Resolução comentada

Paulo Honório distingue ações boas e ruins, mas não usa essa distinção como critério decisivo para julgar sua própria conduta. Isso aparece quando afirma: “Fiz coisas boas que me trouxeram prejuízo; fiz coisas ruins que deram lucro”. Portanto, o trecho não elimina a existência do bem e do mal: mostra que o resultado econômico pode contrariar o valor moral de uma ação.

A frase seguinte esclarece o critério adotado pelo protagonista: “considerei legítimas as ações que me levaram a obtê-las”. O pronome “las” retoma as terras de S. Bernardo. Para ele, alcançar esse objetivo torna legítimas as ações empregadas, mesmo que sejam moralmente ruins.

É importante perceber o limite dessa afirmação: o narrador justifica os meios usados para adquirir aquelas terras, não estabelece uma regra universal segundo a qual qualquer finalidade justificaria qualquer ação. Seu julgamento está subordinado ao interesse de possuir S. Bernardo.

Assim, ele reconhece ações boas e más, mas legitima os meios que servem ao seu projeto de aquisição.

Alternativa B.

Pegadinha: A alternativa A engana ao transformar a justificativa de um objetivo específico em uma regra universal e ao apagar a distinção entre ações boas e ruins.

Por que as outras alternativas estão erradas

  • AGeneraliza a justificativa para qualquer finalidade e nega a distinção entre bem e mal presente no trecho.
  • CO protagonista reconhece ações ruins, portanto não considera todos os meios bons em si.
  • DConfunde a legitimação dos meios com a ausência de maldade e generaliza o objetivo específico do narrador.
  • EO protagonista considera legítimas as ações que permitem realizar seu objetivo, não rejeita toda finalidade.

Assuntos: interpretação de texto, são bernardo, caracterização do personagem.

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Fonte: ITA 2020 · 1ª fase. Prova oficial ↗