PRÁTICA COM QUESTÕES OFICIAIS
Questão 19 do ITA 2020
Texto-base das questões 16 a 30 · 1ª fase
Todas as citações das obras indicadas foram extraídas das seguintes edições:
Machado de Assis. O alienista. In: Contos: uma antologia. Seleção, introdução e notas John Gledson. 2a ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2001, pp. 273-327.
Graciliano Ramos. S. Bernardo. Posfácio de Godofredo de Oliveira Neto. 94a edição revista. Rio de Janeiro: Record, 2013.
João Guimarães Rosa. A hora e vez de Augusto Matraga. In: Sagarana. 72a ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2017. 1a ed. São Paulo: Global, 2019, pp. 293-332.
Leia atentamente e assinale a alternativa correta.
| E ela conhecia e temia os repentes de Nhô Augusto. Duro, doido e sem detença, como um bicho grande do mato. E, em casa, sempre fechado em si. Nem com a menina se importava. Dela, Dionóra, gostava, às vezes; da sua boca, das suas carnes. Só. No mais, sempre com os capangas, com mulheres perdidas, com o que houvesse de pior. [...] E sem efeito eram sempre as orações e promessas, com que ela o pretendera trazer, pelo menos, até a meio caminho direito. [Sagarana, p. 297]. | Pareceu-me que havia ali um equívoco e que, se Madalena quisesse, tudo se esclareceria. O coração dava-me coices desesperados, desejei doidamente convencer-me da inocência dela. —Para quê? murmurou Madalena. Há três anos vivemos uma vida horrível. Quando procuramos entender-nos, já temos a certeza de que acabamos brigando. [S. Bernardo, p. 189]. |
- ADionóra e Madalena são apaixonadas por seus maridos e não ousam enfrentá-los, como confirmam, respectivamente, os testemunhos de Tião da Thereza e D. Glória.
- BDionóra e Madalena inicialmente têm afeto por seus maridos, mas, aconselhadas pelos padres em cada narrativa, acabam por se desiludir e resolvem se separar.
- CDionóra e Madalena nunca amaram seus maridos, mas mantiveram seus respectivos casamentos por conveniência, como elas mesmas afirmam.
- DDionóra e Madalena são mulheres que, em algum momento, amaram seus maridos, mas não conseguiram suportar as condições de seus respectivos casamentos, conforme seus desfechos evidenciam.
- EDionóra e Madalena nunca amaram seus maridos e conseguiram se libertar de seus casamentos infelizes, conforme seus desfechos evidenciam.
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Resolução comentada
As duas passagens mostram casamentos infelizes, marcados pela violência ou pela incompreensão do marido.
Em Sagarana, Dionóra conhece e teme os repentes de Nhô Augusto. Ele a procura só por desejo ("da sua boca, das suas carnes. Só."), vive com capangas e mulheres perdidas. Ela rezava e fazia promessas para trazê-lo "a meio caminho direito". Isso indica que ela se importava com ele e tinha esperança de que mudasse. No desfecho, Dionóra abandona o marido e foge com outro homem, depois que Augusto é surrado e dado como morto.
Em S. Bernardo, Paulo Honório tenta se convencer da inocência de Madalena, e ela responde que há três anos vivem uma vida horrível e que toda tentativa de entendimento acaba em briga. Madalena se casou com esperança de uma vida melhor e foi sufocada pelo ciúme e pela brutalidade do marido. No desfecho, ela se suicida.
Conclusão: as duas, em algum momento, tiveram afeto ou esperança no casamento, mas não suportaram as condições impostas pelos maridos. Uma foge e a outra se mata, e esses desfechos confirmam isso.
A única alternativa que diz isso é a D.
Alternativa D.
Por que as outras alternativas estão erradas
- ADiz que não ousam enfrentar os maridos, mas Dionóra o abandona e Madalena se mata; os testemunhos citados não sustentam isso.
- BInventa conselho de padres como causa da desilusão e fala em separação, que não ocorre com Madalena (suicídio).
- CAfirma que nunca amaram e casaram por conveniência, o que o texto não diz; elas mesmas não afirmam isso.
- ENega qualquer amor e diz que se libertaram; Madalena não se liberta, morre.
Assuntos: Sagarana, S. Bernardo, personagens femininas.
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Fonte: ITA 2020 · 1ª fase. Prova oficial ↗