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PRÁTICA COM QUESTÕES OFICIAIS

Questão 9 (Português) da 2ª fase do ITA 2027

Português · Português: Tese, ponto de vista e estrutura argumentativa

para responder às questões 7 a 9. · 2ª fase · Português

Soberania tecnológica se constrói com pessoas: como a formação de talentos impulsiona a autonomia científica do País

Em um mundo em que conhecimento é poder e tecnologia molda competitividade, garantir que o Brasil construa capacidades próprias é mais do que uma ambição: é uma necessidade estratégica. A soberania tecnológica — isto é, a capacidade de desenvolver soluções científicas, produtos e plataformas tecnológicas internamente — abre caminhos até __ 1 autonomia econômica e social.

As histórias de quem faz ciência no Brasil costumam começar cedo, muitas vezes ainda na graduação, quando o primeiro contato com a pesquisa abre caminhos que se estendem por toda a vida profissional. É nesse momento que o investimento público se revela decisivo, ao oferecer condições para que talentos sejam formados, permaneçam no sistema científico e avancem em trajetórias de longo prazo, dentro e fora do País.

Ao longo desse percurso, bolsas de estudo, programas de mobilidade e políticas de fomento funcionam como pontes entre __ 2 formação inicial e __ 3 pesquisa de alto nível. A experiência internacional, longe de representar uma ruptura, passa a integrar um ciclo mais amplo de qualificação, no qual o retorno ao Brasil se torna parte estratégica do fortalecimento da ciência nacional.

O programa Conhecimento Brasil, executado pelo CNPq com recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), é um dos principais exemplos dessa estratégia de qualificação do capital humano. Com foco em atrair pesquisadores brasileiros que atuam no exterior ou que tenham concluído doutorado ou pós-doutorado fora do País, a iniciativa abriu chamadas públicas que resultaram em centenas de projetos aprovados para execução em universidades, instituições de pesquisa e empresas nacionais.

Na neurociência, a trajetória de Lívia Hecke Morais segue um fio semelhante. Bolsista desde a graduação, ela acompanhou de perto o papel do CNPq em cada etapa de sua formação, até __ 4 experiência internacional que ampliou seu repertório científico. O retorno ao Brasil não significou recomeçar do zero, mas dar continuidade a uma história já em curso, agora com a chance de aplicar o conhecimento adquirido fora em diálogo direto com instituições nacionais, estudantes e grupos de pesquisa locais.

A repatriação representou um ponto de inflexão: a ciência feita no exterior passou __ 5 ganhar sentido concreto ao ser incorporada __ 6 demandas e desafios do País. “Sem apoio desde cedo, perdemos muitas pessoas com potencial”.

De acordo com os dados da demanda bruta submetida __ 7 duas chamadas do programa Conhecimento Brasil, mais de 2,5 mil pesquisadores e pesquisadoras brasileiros radicados em 56 países demonstraram interesse em regressar ao Brasil ou atuar em cooperação científica com instituições e empresas nacionais.

Esse conjunto de iniciativas se insere em uma atuação mais ampla do Governo do Brasil para fortalecer a base científica nacional. O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) tem trabalhado de forma articulada para transformar essa visão em política pública, combinando investimentos, programas estruturantes e ações voltadas __ 8 formação e __ 9 valorização de pesquisadores em todas as regiões do País.

Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. Soberania tecnológica se constrói com pessoas: como a formação de talentos impulsiona a autonomia científica do País. Brasília, 2026. Disponível em https://www.gov.br/mcti/pt-br/acompanhe-o-mcti/noticias/2026/01/soberania-tecnologica-se-constroi-com-pessoas-como-a-formacao-de-talentos-impulsiona-a-autonomia-cientifica-do-pais. Adaptado.

Quanto ao encaminhamento argumentativo, o texto DEFENDE que

  1. A
    o desenvolvimento científico depende da permanência dos pesquisadores no exterior, uma vez que a experiência internacional garante a autonomia sem necessidade de repatriação.
  2. B
    a formação científica no Brasil é exígua para a construção de autonomia tecnológica, razão pela qual a cooperação internacional prescinde de investimentos internos em ciência e tecnologia.
  3. C
    a soberania tecnológica resulta de um processo contínuo que articula formação inicial, experiência internacional e retorno estratégico de pesquisadores, mediado por políticas públicas consistentes.
  4. D
    programas governamentais, como o Conhecimento Brasil, têm impacto limitado, pois o interesse de pesquisadores no exterior não se converte efetivamente em projetos científicos no país.
  5. E
    o investimento em tecnologia funciona como um subterfúgio que tensiona o desenvolvimento econômico, haja vista o vultoso custo da formação de talentos no exterior.
O gabarito oficial ainda não saiu: escolha uma alternativa para conferir com a resposta dos cursinhos Farias Brito e Poliedro.
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Resolução comentada

A questão pede a tese do texto, isto é, a ideia central que ele sustenta do início ao fim.

O texto parte da ideia de que a soberania tecnológica, a capacidade de desenvolver ciência e tecnologia internamente, é uma necessidade estratégica. Depois, mostra o caminho para chegar a ela:

  1. Formação inicial: o contato com a pesquisa começa cedo, na graduação, com bolsas e investimento público.
  2. Experiência internacional: não é uma ruptura, mas parte de um "ciclo mais amplo de qualificação".
  3. Retorno ao Brasil: é "parte estratégica do fortalecimento da ciência nacional", pois o conhecimento é aplicado em instituições do País.
  4. Políticas públicas: o CNPq, o FNDCT, o programa Conhecimento Brasil e o MCTI sustentam todo o processo.

Portanto, o texto defende que a soberania resulta de um processo contínuo, que articula formação, experiência no exterior e repatriação, com apoio de políticas públicas. É exatamente o que diz a alternativa C.

As demais distorcem o texto: ou negam a importância do retorno, ou desvalorizam o investimento interno, ou afirmam que o programa fracassou, ou tratam o investimento como um problema. Nenhuma dessas ideias aparece no texto.

Alternativa C.

Por que as outras alternativas estão erradas

  • ADiz que a autonomia dispensa a repatriação, mas o texto trata o retorno ao Brasil como parte estratégica do processo.
  • BAfirma que a cooperação internacional dispensa investimento interno, mas o texto defende justamente o investimento público.
  • DDiz que o programa tem impacto limitado, mas o texto cita centenas de projetos aprovados e mais de 2,5 mil interessados.
  • EChama o investimento de subterfúgio que prejudica a economia, ideia que o texto não apresenta: ele o trata como decisivo.

Assunto: Tese, ponto de vista e estrutura argumentativa.

Resultado conferido com as resoluções dos cursinhos Farias Brito e Poliedro.

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Fonte: ITA 2ª fase 2027 · Português. Prova oficial ↗