Questão 54 da FUVEST 2026
Nossa forma de governo não entra em rivalidade com as instituições dos outros. Nosso governo não copia o de nossos vizinhos, mas é um exemplo para eles. É verdade que somos chamados de democracia, pois a administração está nas mãos de muitos e não de poucos. Mas, enquanto existe justiça igual para todos e igualmente em suas disputas privadas, a reivindicação de excelência também é reconhecida; e quando um cidadão é de alguma forma distinto, ele é preferido para o serviço público, não como uma questão de privilégio, mas como recompensa do mérito. Nem a pobreza é um obstáculo, pois um homem pode beneficiar seu país, seja qual for a obscuridade de sua condição. Não há exclusividade em nossa vida pública, e em nossos negócios privados não suspeitamos uns dos outros [...]. Enquanto estamos assim sem restrições em nossos negócios privados, um espírito de reverência permeia nossos atos públicos; somos impedidos de fazer o mal pelo respeito às autoridades e às leis, tendo uma consideração especial por aquelas que são ordenadas para a proteção dos prejudicados, bem como por aquelas leis não escritas.
Tucídides. Oração Fúnebre de Péricles. University of Minnesota. Human Rights Library. Richard Hoocker, 1996. Adaptado.
O excerto, que pretende reproduzir o discurso fúnebre de Péricles (século V a.C.) na Guerra do Peloponeso,
- Aequipara os comportamentos privados às condutas públicas.
- Boferece uma visão crítica da democracia representativa.
- Creproduz a opinião da época sobre a política nas pólis gregas.
- Denaltece a democracia como marca da superioridade ateniense.
- Edefende que todas as pessoas tenham igual acesso a cargos públicos.
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Resolução comentada
O texto é a famosa Oração Fúnebre de Péricles, transmitida por Tucídides. Ela foi proferida em homenagem aos atenienses mortos no primeiro ano da Guerra do Peloponeso. Nesse tipo de discurso, o orador exalta a cidade pela qual os soldados morreram.
Para achar a alternativa correta, veja o que o trecho faz:
- Afirma que o governo ateniense "não copia o de nossos vizinhos, mas é um exemplo para eles". Atenas se coloca como modelo para as demais cidades.
- Elogia a democracia: a administração está "nas mãos de muitos e não de poucos", há justiça igual para todos e o mérito conta mais que a riqueza ("nem a pobreza é um obstáculo").
- Destaca o respeito às leis e às autoridades como virtude cívica.
Portanto, o texto é um elogio: apresenta a democracia como o que distingue e torna Atenas superior.
As demais alternativas não se sustentam. O texto distingue a liberdade privada do respeito nas ações públicas, e não as equipara. Não critica a democracia, e a democracia ateniense era direta, não representativa. É a visão de um orador ateniense, não a opinião geral das pólis. Além disso, o acesso aos cargos é ligado ao mérito, e não a uma defesa de igualdade para todas as pessoas (mulheres, escravizados e estrangeiros ficavam de fora da cidadania).
Alternativa D.
Por que as outras alternativas estão erradas
- AO texto contrasta a liberdade nos negócios privados com a reverência nos atos públicos, não os iguala.
- BO discurso louva a democracia, e a de Atenas era direta, não representativa.
- CExpressa o ponto de vista ateniense, que se contrapõe aos vizinhos, e não a opinião geral das pólis.
- EO acesso aos cargos é por mérito, e a cidadania ateniense excluía mulheres, escravizados e estrangeiros.
Assuntos: democracia ateniense, Guerra do Peloponeso, interpretação de texto histórico.
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