Questão 8 da FUVEST 2025
“Eu não venero a criação mais do que o Criador, mas venero a criatura criada como eu sou, adotando a criação de maneira livre e espontânea, de modo que Ele possa elevar nossa natureza e nos tornar partícipes de Sua natureza divina. Sendo assim, eu me atrevo a fazer uma imagem do Deus invisível não como invisível, mas como tendo se tornado visível por nossa causa, tornando-se carne e sangue. Eu não faço uma imagem da divindade imortal. Eu pinto a carne visível de Deus, pois é impossível representar o espírito e ainda mais Deus, que dá vida ao espírito.”
John Damascene. On holy images. Disponível em https://www.gutenberg.org/files/49917/ (Adaptado).
Nessa citação, João Damasceno (675-749), monge e teólogo cristão do período medieval, dirige-se contra o movimento iconoclasta ao
- Acolocar a criatura no mesmo nível do Criador.
- Breduzir a divindade a seus elementos materiais.
- Cidentificar a imagem visível com a natureza divina.
- Dnegar o dogma da divindade de Jesus Cristo.
- Ejustificar a veneração de imagens sagradas.
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Resolução comentada
O movimento iconoclasta (séculos VIII-IX, no Império Bizantino) condenava o uso e a veneração de imagens religiosas, vistas como idolatria. João Damasceno escreve para defender essas imagens.
Seu argumento tem três passos:
- Ele diz que não venera a criação mais do que o Criador. Assim, afasta a acusação de idolatria e mantém a hierarquia entre Deus e a criatura.
- Deus é invisível, mas se tornou visível ao se encarnar em Jesus ("tornando-se carne e sangue"). Isso torna legítimo representar essa carne visível.
- Ele não pretende retratar a divindade imortal, que é impossível de representar. Pinta apenas a humanidade visível de Cristo.
O trecho, portanto, sustenta que fazer e venerar imagens sagradas é aceitável por causa da Encarnação. Isso é justificar a veneração de imagens sagradas.
As demais alternativas descrevem posições que o autor rejeita ou que não aparecem no texto. Ele não iguala criatura e Criador, não reduz Deus à matéria e não identifica a imagem com a natureza divina. Também não nega a divindade de Cristo: ao contrário, parte da Encarnação de Deus.
Alternativa E.
Por que as outras alternativas estão erradas
- AO autor afirma expressamente que não venera a criação mais do que o Criador, mantendo a distinção entre os dois.
- BEle diz que não faz imagem da divindade imortal, apenas da carne visível assumida por Deus, e portanto não reduz Deus à matéria.
- CEle afirma ser impossível representar o espírito e Deus; a imagem retrata só a carne, não a natureza divina.
- DO argumento pressupõe a divindade de Cristo, pois Deus se fez carne; não há negação do dogma.
Assuntos: querela iconoclasta, idade média, cristianismo bizantino.
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