Questão 9 da FUVEST 2025

1ª fase

“A mídia digital é uma mídia da presença. A sua temporalidade é o presente imediato. A comunicação digital se caracteriza pelo fato de que informações são produzidas, enviadas e recebidas sem mediação por meio de intermediários. Mediação e representação são interpretadas como não transparência e ineficiência, como congestionamento de tempo e de informação.

Uma mídia eletrônica de massa clássica como o rádio só permite uma comunicação unilateral. O destinatário da mensagem é condenado à passividade.

Hoje não somos mais destinatários e consumidores passivos de informação, mas sim remetentes e produtores ativos. Não nos contentamos mais em consumir informações passivamente, mas sim queremos produzi-las e comunicá-las ativamente nós mesmos. Somos simultaneamente consumidores e produtores.”

HAN, Byung-Chul. No enxame: Perspectivas do digital. São Paulo: Editora Vozes, 2018. p.35-36 (Adaptado).

Segundo o texto, a mídia digital distingue-se da mídia de massa tradicional por

  1. A
    reforçar a separação entre consumidor e produtor, resultante da ampliação da comunicação unilateral na internet.
  2. B
    apostar na passividade do público, que precisa de um mediador para poder comunicar informações ativamente.
  3. C
    gerar excesso de informação, que consolida estrutura capaz de condenar todos os consumidores à passividade.
  4. D
    provocar presentificação, decorrente da dissolução dos intermediários e da combinação dos papéis de consumidor e produtor.
  5. E
    dissolver a distinção entre produtor e consumidor, causadora de congestionamento de tempo e de informação.
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Resolução comentada

O texto contrapõe dois modelos de comunicação. Vamos ver o que ele diz de cada um.

  1. Mídia de massa clássica (rádio): comunicação unilateral, em que o destinatário é "condenado à passividade".

  2. Mídia digital: "da presença", com temporalidade do "presente imediato" (é a ideia de presentificação). As informações são produzidas, enviadas e recebidas "sem mediação por meio de intermediários". Além disso, somos "simultaneamente consumidores e produtores".

A diferença, então, tem dois pontos: o fim dos intermediários, com o presente imediato, e a fusão dos papéis de consumidor e produtor.

A alternativa D reúne exatamente isso: presentificação, dissolução dos intermediários e combinação dos papéis.

A alternativa E erra na relação de causa. Para o autor, o congestionamento de tempo e de informação não é efeito da fusão de papéis. Ele aparece como a forma como a mediação e a representação são interpretadas: como ineficiência, isto é, como o que atrapalha a comunicação direta.

As demais alternativas atribuem à mídia digital características que o texto reserva à mídia tradicional (unilateralidade, passividade) ou invertem a ideia central.

Alternativa D.

Pegadinha: A alternativa E engana porque começa com uma ideia correta (fim da distinção entre produtor e consumidor), mas depois liga o congestionamento de tempo e de informação a essa fusão, o que o texto não diz.

Por que as outras alternativas estão erradas

  • Adiz que a internet reforça a separação entre consumidor e produtor, mas o texto afirma que essa separação desaparece.
  • Batribui passividade e necessidade de mediador ao público digital, quando o texto diz o contrário.
  • Co texto não afirma que o excesso de informação condena à passividade; a passividade é traço do rádio.
  • Ea dissolução da distinção entre produtor e consumidor é correta, mas o congestionamento não é sua consequência: é como a mediação é vista, como ineficiência.

Assuntos: interpretação de texto, mídia digital.

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