Questão 14 da FUVEST 2017

1ª fase

Considerando-se o excerto no contexto de Mayombe, os paralelos que nele são estabelecidos entre aspectos da natureza e da vida humana podem ser interpretados como uma

  1. A
    reflexão relacionada ao próprio Comandante Sem Medo e a seu dilema característico entre a valorização do indivíduo e o engajamento em um projeto eminentemente coletivo.
  2. B
    caracterização flagrante da dificuldade de aceder ao plano do raciocínio abstrato, típica da atitude pragmática do militante revolucionário.
  3. C
    figuração da harmonia que reina no mundo natural, em contraste com as dissensões que caracterizam as relações humanas, notadamente nas zonas urbanizadas.
  4. D
    representação do juízo do Comissário a respeito da manifesta incapacidade que tem o Comandante Sem Medo de ultrapassar o dogmatismo doutrinário.
  5. E
    crítica esclarecida à mentalidade animista — que tende a personificar os elementos da natureza — e ao tribalismo, ainda muito difundidos entre os guerrilheiros do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA).
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Resolução comentada

O excerto não veio no enunciado, então a resolução se apoia no que a FUVEST cobra em Mayombe, de Pepetela. Nesse trecho, o Comandante Sem Medo (Teoria) reflete sobre a floresta e compara árvores, que crescem em luta por luz, ao homem. Nas imagens de árvores que se entrelaçam e se sufocam, a mata é ao mesmo tempo um todo coletivo e um conjunto de indivíduos em competição.

O conceito central do romance é a tensão entre o indivíduo e a coletividade. O Comandante Sem Medo é o personagem que vive esse dilema: é intelectual, questionador e individualista em sua sensibilidade, mas está comprometido com a guerrilha do MPLA e com a causa coletiva da libertação. O Mayombe, com suas árvores gigantes que dependem do conjunto da floresta, serve de metáfora para essa contradição.

Passo a passo:

  1. Identificar que o paralelo natureza/vida humana é metafórico, não literal.
  2. Ligar a imagem da floresta (árvores individuais dentro de um todo) ao dilema indivíduo versus coletivo.
  3. Verificar quem vive esse dilema no romance: o Comandante Sem Medo.

As demais alternativas atribuem ao trecho ideias alheias à obra: pragmatismo avesso ao abstrato, harmonia idealizada da natureza, dogmatismo do Comandante (ele é justamente o que questiona) ou crítica ao animismo.

Alternativa A.

Por que as outras alternativas estão erradas

  • BO Comandante é reflexivo e lida bem com abstrações; o paralelo não mostra incapacidade de raciocínio abstrato.
  • CA natureza do Mayombe é marcada por luta e competição, não por harmonia, e a oposição com zonas urbanas não aparece.
  • DO Comandante não é dogmático, pelo contrário, é questionador, e o trecho não exprime um juízo do Comissário sobre ele.
  • EO paralelo é recurso poético e reflexivo, não uma crítica ao animismo ou ao tribalismo dos guerrilheiros.

Assuntos: Mayombe, Pepetela, literatura angolana.

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