Questão 84 da FUVEST 2016
Na Belle Époque brasileira, que difusamente coincidiu com a transição para o regime republicano, surgiram aquelas perguntas cruciais, envoltas no oxigênio mental da época, muitas das quais, contudo, nos incomodam até hoje: como construir uma nação se não tínhamos uma população definida ou um tipo definido? Frente àquele amálgama de passado e futuro, alimentado e realimentado pela República, quem era o brasileiro? (...)
Inúmeras tentativas de respostas a todas estas questões mobilizaram os intelectuais brasileiros durante várias décadas.
Elias Thomé Saliba. Raízes do riso. São Paulo: Companhia das Letras, 2002.
Entre as tentativas de responder, durante a Belle Époque brasileira, às dúvidas mencionadas no texto, é correto incluir
- Aas explicações positivistas e evolucionistas sobre o impacto da mistura de raças na formação do caráter nacional brasileiro.
- Bos projetos de valorização dos vínculos entre o caráter nacional brasileiro e os produtos da indústria cultural norte-americana.
- Co reconhecimento e a celebração da origem africana da maioria dos brasileiros e a rejeição das tradições europeias.
- Da percepção de que o país estava plenamente inserido na modernidade e havia assumido a condição de potência mundial.
- Eo desejo de retornar ao período anterior à chegada dos europeus e de recuperar padrões culturais e cotidianos indígenas.
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Resolução comentada
O texto fala da Belle Époque brasileira (fim do século XIX e início do XX), quando a República recém-instalada levantou a questão da identidade nacional: quem é o brasileiro, se a população é tão miscigenada e "indefinida"?
Nesse período, a intelectualidade era dominada pelas teorias científicas europeias, como o positivismo, o darwinismo social e o determinismo racial. Pensadores como Nina Rodrigues, Sílvio Romero e Euclides da Cunha usaram essas ideias para discutir se a mistura de raças (brancos, negros e indígenas) explicava o "atraso" do país e que caráter nacional ela formava. Daí surgiram tanto o pessimismo racial quanto as teses do branqueamento.
Análise das alternativas:
- A relaciona a pergunta do texto ("quem era o brasileiro?") às explicações positivistas e evolucionistas sobre a mistura de raças, o que corresponde ao debate da época.
- B é anacrônica: a indústria cultural norte-americana só teve forte influência mais tarde, sobretudo a partir dos anos 1930-40.
- C contraria a mentalidade dominante, que era eurocêntrica e desvalorizava a herança africana.
- D não combina com as "dúvidas" do texto: os intelectuais viam o país como atrasado, e não como potência.
- E descreve o indianismo romântico do Império, e não um desejo de voltar ao período pré-cabralino.
Alternativa A.
Por que as outras alternativas estão erradas
- BAnacronismo: a influência da indústria cultural norte-americana no Brasil é posterior à Belle Époque.
- COs intelectuais da época eram eurocêntricos e não celebravam a origem africana nem rejeitavam a tradição europeia.
- DO debate partia da sensação de atraso e indefinição, não da ideia de que o país era potência moderna.
- EO ideal de recuperar o passado indígena remete ao indianismo romântico do Império e não foi resposta central da Belle Époque.
Assuntos: Belle Époque brasileira, racismo científico, identidade nacional.
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