Questão 83 da FUVEST 2016

1ª fase

Examine o gráfico.

Gráfico de linha intitulado "Variação da quantidade de navios negreiros que atracaram no Porto do Rio de Janeiro, 1796-1830". O eixo vertical representa o número de navios, variando de 0 a 140 com marcas a cada 20 unidades. O eixo horizontal representa os anos de 1796 a 1830, com marcas destacadas para 1796, 1800, 1810, 1820 e 1830. A curva inicia em cerca de 25 navios em 1796, oscila próxima de 20 até 1808, sobe expressivamente até cerca de 57 em 1811, recua para aproximadamente 33 em 1816, oscila em patamar mais elevado entre 40 e 60 durante a década de 1820, acelera acentuadamente a partir de 1825 alcançando um pico superior a 120 por volta de 1829, e finaliza em queda para 80 em 1830.

Manolo Florentino. Em costas negras. São Paulo: Companhia das Letras, 1997. Adaptado.

O gráfico fornece elementos para afirmar:

  1. A
    A despeito de uma ligeira elevação, o tráfico negreiro em direção ao Brasil era pouco significativo nas primeiras décadas do século XIX, pois a mão de obra livre já estava em franca expansão no país.
  2. B
    As grandes turbulências mundiais de finais do século XVIII e de começos do XIX prejudicaram a economia do Brasil, fortemente dependente do trabalho escravo, mas incapaz de obter fornecimento regular e estável dessa mão de obra.
  3. C
    Não obstante pressões britânicas contra o tráfico negreiro em direção ao Brasil, ele se manteve alto, contribuindo para que a ordem nacional surgida com a Independência fosse escravista.
  4. D
    Desde o final do século XVIII, criaram-se as condições para que a economia e a sociedade do Império do Brasil deixassem de ser escravistas, pois o tráfico negreiro estava estagnado.
  5. E
    Rapidamente, o Brasil aderiu à agenda antiescravista britânica formulada no final do século XVIII, firmando tratados de diminuição e extinção do tráfico negreiro e acatando as imposições favoráveis ao trabalho livre.
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Resolução comentada

O gráfico mostra a chegada de navios negreiros ao porto do Rio de Janeiro entre 1796 e 1830. O número fica perto de 20 até cerca de 1808. Depois sobe, chega a cerca de 57 em 1811, oscila entre 40 e 60 nos anos 1820 e dispara a partir de 1825, com pico acima de 120 por volta de 1829. Em 1830 cai para 80, valor ainda alto.

É preciso cruzar esses dados com o contexto histórico:

  1. A Inglaterra pressionava pelo fim do tráfico desde o início do século XIX. Isso aparece nos tratados de 1810 e 1815 e, sobretudo, no tratado de 1826, que previa o fim do tráfico em 1830.
  2. Mesmo com essa pressão, o gráfico mostra o tráfico crescendo, inclusive depois da Independência (1822). Muitos traficantes aceleraram as importações antes do prazo final.
  3. Isso indica que o Estado independente se formou sobre a escravidão. A elite agrária e os traficantes garantiram a continuidade do trabalho escravo.

Portanto, o gráfico sustenta a afirmação de que o tráfico se manteve alto apesar das pressões britânicas e contribuiu para que a ordem nacional fosse escravista.

Alternativa C.

Por que as outras alternativas estão erradas

  • AO tráfico cresceu muito e não era pouco significativo; além disso, a mão de obra livre não estava em franca expansão.
  • BO gráfico mostra fornecimento crescente de africanos escravizados, o que contradiz a ideia de incapacidade de obter mão de obra regular.
  • DO tráfico não estava estagnado, pois aumentou; as condições do período reforçavam a escravidão.
  • EOs altos números mostram que o Brasil resistiu à agenda britânica, cedendo apenas lentamente, e não aderiu rapidamente.

Assuntos: tráfico negreiro, Brasil Império, leitura de gráfico.

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