Questão 52 da FUVEST 2016
TEXTO PARA AS QUESTÕES 51 E 52
Seria ingenuidade procurar nos provérbios de qualquer povo uma filosofia coerente, uma arte de viver. É coisa sabida que a cada provérbio, por assim dizer, responde outro, de sentido oposto. A quem preconiza o sábio limite das despesas, porque “vintém poupado, vintém ganhado”, replicará o vizinho farrista, com razão igual: “Da vida nada se leva”. (...)
Mais aconselhável procurarmos nos anexins não a sabedoria de um povo, mas sim o espelho de seus costumes peculiares, os sinais de seu ambiente físico e de sua história. As diferenças na expressão de uma sentença observáveis de uma terra para outra podem divertir o curioso e, às vezes, até instruir o etnógrafo.
Povo marítimo, o português assinala semelhança grande entre pai e filho, lembrando que “filho de peixe, peixinho é”. Já os húngaros, ao formularem a mesma verdade, não pensavam nem em peixe, nem em mar; ao olhar para o seu quintal, notaram que a “maçã não cai longe da árvore”.
Paulo Rónai, Como aprendi o português e outras aventuras.
Considere as seguintes afirmações sobre os dois provérbios citados no terceiro parágrafo do texto.
I. A origem do primeiro, de acordo com o autor, está ligada à história do povo que o usa.
II. Em seu sentido literal, o segundo expressa costumes peculiares dos húngaros.
III. A observação das diferenças de expressão entre esses provérbios pode, segundo o pensamento do autor, ter interesse etnográfico.
Está correto apenas o que se afirma em
- AI.
- BII.
- CIII.
- DI e II.
- EI e III.
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Resolução comentada
O autor defende que os provérbios não revelam uma filosofia coerente, mas sim "o espelho de seus costumes peculiares, os sinais de seu ambiente físico e de sua história". Com isso em mente, vamos avaliar cada afirmação.
I. Correta. O texto diz que o português é um "povo marítimo" e, por isso, usa a imagem do peixe: "filho de peixe, peixinho é". A origem do provérbio se liga, portanto, à história e à vida marítima dos portugueses.
II. Incorreta. Em sentido literal, "a maçã não cai longe da árvore" é apenas uma observação sobre o ambiente físico, o quintal. Ela não expressa costumes dos húngaros. O autor a associa ao ambiente físico, e não a costumes. Além disso, o sentido literal é um fato da natureza, e não um hábito cultural.
III. Correta. O autor afirma que as diferenças de expressão entre uma terra e outra "podem divertir o curioso e, às vezes, até instruir o etnógrafo". Isso significa que comparar "peixe" e "maçã" pode ter interesse etnográfico.
Assim, estão corretas apenas I e III.
Alternativa E.
Por que as outras alternativas estão erradas
- AIgnora que a afirmação III também está correta, pois o autor diz que as diferenças instruem o etnógrafo.
- BO sentido literal da maçã que cai perto da árvore remete ao ambiente físico, não a costumes peculiares húngaros.
- CIgnora que a afirmação I também está correta, pois o autor liga o provérbio do peixe ao povo marítimo.
- DInclui a afirmação II, que é falsa, e deixa de fora a III, que é verdadeira.
Assuntos: interpretação de texto, provérbios.
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