Questão 51 da FUVEST 2016
TEXTO PARA AS QUESTÕES 51 E 52
Seria ingenuidade procurar nos provérbios de qualquer povo uma filosofia coerente, uma arte de viver. É coisa sabida que a cada provérbio, por assim dizer, responde outro, de sentido oposto. A quem preconiza o sábio limite das despesas, porque “vintém poupado, vintém ganhado”, replicará o vizinho farrista, com razão igual: “Da vida nada se leva”. (...)
Mais aconselhável procurarmos nos anexins não a sabedoria de um povo, mas sim o espelho de seus costumes peculiares, os sinais de seu ambiente físico e de sua história. As diferenças na expressão de uma sentença observáveis de uma terra para outra podem divertir o curioso e, às vezes, até instruir o etnógrafo.
Povo marítimo, o português assinala semelhança grande entre pai e filho, lembrando que “filho de peixe, peixinho é”. Já os húngaros, ao formularem a mesma verdade, não pensavam nem em peixe, nem em mar; ao olhar para o seu quintal, notaram que a “maçã não cai longe da árvore”.
Paulo Rónai, Como aprendi o português e outras aventuras.
No texto, a função argumentativa do provérbio “Da vida nada se leva” é expressar uma filosofia de vida contrária à que está presente em “vintém poupado, vintém ganhado”. Também é contrário a esse último provérbio o ensinamento expresso em:
- AMais vale pão hoje do que galinha amanhã.
- BA boa vida é mãe de todos os vícios.
- CDe grão em grão a galinha enche o papo.
- DDevagar se vai ao longe.
- EÉ melhor prevenir do que remediar.
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Resolução comentada
"Vintém poupado, vintém ganhado" defende a economia: guardar dinheiro agora é ganhar. Para achar o provérbio contrário, procure o que valorize gastar ou aproveitar o presente, sem se preocupar com o futuro.
Analisando as opções:
- "De grão em grão a galinha enche o papo": pouco a pouco se acumula algo. Defende a poupança, como o provérbio do texto.
- "Devagar se vai ao longe": defende a perseverança e a paciência. Não trata de gastar ou poupar.
- "É melhor prevenir do que remediar": defende a precaução e o planejamento, ou seja, pensar no futuro. Está alinhado ao poupar.
- "A boa vida é mãe de todos os vícios": critica a vida de prazeres e excessos. Está mais próximo da moderação, ou seja, do lado do poupador.
- "Mais vale pão hoje do que galinha amanhã": é melhor ter o pouco certo agora do que esperar algo maior e incerto no futuro. Valoriza o presente e desconfia do adiamento, como faz o farrista do texto ao dizer que "da vida nada se leva". Opõe-se, portanto, a economizar pensando no amanhã.
Só o provérbio da alternativa A contraria a ideia de poupar em vista do futuro.
Alternativa A.
Por que as outras alternativas estão erradas
- BCondena a vida de prazeres e excessos, o que vai no mesmo sentido da moderação e da poupança.
- CDefende acumular aos poucos, que é praticamente o mesmo ensinamento de poupar vintém.
- DFala de paciência e constância, sem relação de oposição com poupar.
- EValoriza a precaução e o pensar no futuro, coerente com a economia.
Assuntos: interpretação de provérbios, argumentação.
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