Questão 73 da FUVEST 2012

1ª fase

Fui à terra fazer compras com Glennie. Há muitas casas inglesas, tais como celeiros e armazéns não diferentes do que chamamos na Inglaterra de armazéns italianos, de secos e molhados, mas, em geral, os ingleses aqui vendem suas mercadorias em grosso a retalhistas nativos ou franceses. (...) As ruas estão, em geral, repletas de mercadorias inglesas. A cada porta as palavras Superfino de Londres saltam aos olhos: algodão estampado, panos largos, louça de barro, mas, acima de tudo, ferragens de Birmingham, podem-se obter um pouco mais caro do que em nossa terra nas lojas do Brasil.

Maria Graham. Diário de uma viagem ao Brasil.
São Paulo, Edusp, 1990, p. 230
(publicado originalmente em 1824). Adaptado.

Esse trecho do diário da inglesa Maria Graham refere-se à sua estada no Rio de Janeiro em 1822 e foi escrito em 21 de janeiro deste mesmo ano. Essas anotações mostram alguns efeitos

  1. A
    do Ato de Navegação, de 1651, que retirou da Inglaterra o controle militar e comercial dos mares do norte, mas permitiu sua interferência nas colônias ultramarinas do sul.
  2. B
    do Tratado de Methuen, de 1703, que estabeleceu a troca regular de produtos portugueses por mercadorias de outros países europeus, que seriam também distribuídas nas colônias.
  3. C
    da abertura dos portos do Brasil às nações amigas, decretada por D. João em 1808, após a chegada da família real portuguesa à América.
  4. D
    do Tratado de Comércio e Navegação, de 1810, que deu início à exportação de produtos do Brasil para a Inglaterra e eliminou a concorrência hispano-americana.
  5. E
    da ação expansionista inglesa sobre a América do Sul, gradualmente anexada ao Império Britânico, após sua vitória sobre as tropas napoleônicas, em 1815.
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Resolução comentada

O texto descreve o Rio de Janeiro em janeiro de 1822: ruas cheias de mercadorias inglesas (algodão estampado, louça, ferragens de Birmingham), vendidas por comerciantes ingleses em grosso a retalhistas locais. Ou seja, produtos manufaturados ingleses chegavam diretamente ao Brasil, algo que não era possível no período colonial.

Até 1808, o Brasil era colônia e o pacto colonial obrigava a comerciar só com Portugal. Com a chegada da corte portuguesa, fugindo de Napoleão, D. João decretou a abertura dos portos às nações amigas (na prática, a Inglaterra, sua aliada e protetora). Em 1810, os tratados de Comércio e Navegação e de Aliança e Amizade fixaram tarifa alfandegária preferencial de 15% para os produtos ingleses, o que reforçou essa presença.

Assim, a cena descrita por Maria Graham é efeito direto da abertura dos portos e da nova situação comercial do Brasil.

Conferindo as demais:

  1. O Ato de Navegação (1651) reforçou o controle inglês dos mares, não o retirou.
  2. O Tratado de Methuen (1703) ligava Portugal e Inglaterra (vinhos por tecidos), não distribuía mercadorias europeias variadas.
  3. O tratado de 1810 não iniciou a exportação brasileira nem eliminou concorrentes hispano-americanos.
  4. A Inglaterra não anexou a América do Sul; sua influência foi econômica.

Alternativa C.

Por que as outras alternativas estão erradas

  • AO Ato de Navegação de 1651 ampliou o domínio inglês sobre o comércio marítimo, e não o retirou.
  • BO Tratado de Methuen tratava de vinhos portugueses e tecidos ingleses, sem relação com o que o texto mostra e com distribuição pelas colônias.
  • DO tratado de 1810 deu vantagens tarifárias aos ingleses; não iniciou exportações brasileiras nem eliminou a concorrência hispano-americana.
  • EA Inglaterra exerceu influência econômica, sem anexar a América do Sul ao Império Britânico.

Assuntos: abertura dos portos, período joanino, relações Brasil-Inglaterra.

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