Questão 72 da FUVEST 2012

1ª fase

Deve-se notar que a ênfase dada à faceta cruzadística da expansão portuguesa não implica, de modo algum, que os interesses comerciais estivessem dela ausentes – como tampouco o haviam estado das cruzadas do Levante, em boa parte manejadas e financiadas pela burguesia das repúblicas marítimas da Itália. Tão mesclados andavam os desejos de dilatar o território cristão com as aspirações por lucro mercantil que, na sua oração de obediência ao pontífice romano, D. João II não hesitava em mencionar entre os serviços prestados por Portugal à cristandade o trato do ouro da Mina, “comércio tão santo, tão seguro e tão ativo” que o nome do Salvador, “nunca antes nem de ouvir dizer conhecido”, ressoava agora nas plagas africanas...

Luiz Felipe Thomaz, “D. Manuel, a Índia e o Brasil”. Revista de História (USP), 161, 2o Semestre de 2009, p.16-17. Adaptado.

Com base na afirmação do autor, pode-se dizer que a expansão portuguesa dos séculos XV e XVI foi um empreendimento

  1. A
    puramente religioso, bem diferente das cruzadas dos séculos anteriores, já que essas eram, na realidade, grandes empresas comerciais financiadas pela burguesia italiana.
  2. B
    ao mesmo tempo religioso e comercial, já que era comum, à época, a concepção de que a expansão da cristandade servia à expansão econômica e vice-versa.
  3. C
    por meio do qual os desejos por expansão territorial portuguesa, dilatação da fé cristã e conquista de novos mercados para a economia europeia mostrar-se-iam incompatíveis.
  4. D
    militar, assim como as cruzadas dos séculos anteriores, e no qual objetivos econômicos e religiosos surgiriam como complemento apenas ocasional.
  5. E
    que visava, exclusivamente, lucrar com o comércio intercontinental, a despeito de, oficialmente, autoridades políticas e religiosas afirmarem que seu único objetivo era a expansão da fé cristã.
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Resolução comentada

O autor diz que a "faceta cruzadística" (religiosa) da expansão portuguesa não exclui os interesses comerciais. Ele compara com as cruzadas do Levante, que também tiveram o dinheiro e a participação da burguesia das repúblicas italianas.

Depois afirma que os dois desejos andavam "tão mesclados": dilatar o território cristão e obter lucro mercantil. O exemplo é D. João II, que, ao se declarar obediente ao papa, cita o comércio do ouro da Mina como serviço à cristandade, um "comércio tão santo". Para ele, comerciar e difundir o nome de Cristo na África eram a mesma coisa.

Conclusão: a expansão era ao mesmo tempo religiosa e comercial, e os dois lados se reforçavam na mentalidade da época.

Testando as alternativas:

  1. A nega o caráter comercial e ainda diz que as cruzadas eram só comerciais, o que o texto não afirma.
  2. C fala em incompatibilidade, o contrário de "mesclados".
  3. D trata os objetivos econômicos como complemento apenas ocasional, mas o texto mostra que eram constantes.
  4. E vê só o lucro, e a fé seria fachada, mas o autor diz que a ênfase religiosa é real.
  5. B traz a combinação e a ideia de que um fim servia ao outro.

Alternativa B.

Por que as outras alternativas estão erradas

  • ADiz que a expansão foi puramente religiosa e que as cruzadas eram só comerciais, ignorando que o texto afirma a presença dos dois fatores nos dois casos.
  • CAfirma que os objetivos eram incompatíveis, quando o texto diz que andavam "tão mesclados".
  • DReduz os objetivos econômicos e religiosos a complemento ocasional, contrariando a ideia de mistura constante.
  • ETorna o lucro o único objetivo e a fé mera declaração oficial, mas o autor reconhece o caráter cruzadístico real da expansão.

Assuntos: expansão marítima portuguesa, cruzadas, interpretação de texto histórico.

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