Questão 61 da FUVEST 2008

1ª fase

História em quadrinhos de 4 quadros satirizando o trânsito da cidade de São Paulo. Quadro 1: vista aérea de um engarrafamento gigantesco com um helicóptero sobrevoando, com texto narrando que não conseguiram retirar os carros do engarrafamento no anel viário de interligação da Radial Leste com a 23 de Maio. Quadro 2: um rolo compressor passando por cima de carros engarrafados com texto dizendo que a prefeitura apelou para uma solução inusitada. Quadro 3: caminhão basculante despejando asfalto quente sobre os carros esmagados, com texto 'jogou asfalto sobre as carcaças amontoadas em toda a região'. Quadro 4: a avenida 23 de Maio cinquenta anos depois, novamente completamente engarrafada sobre o novo nível elevado da via. Assinatura: Maringoni.

Fonte: Adaptado da Revista Atenção, Editora Página Aberta, ano 2, nº 5, 1996.

A charge acima, satirizando uma situação problemática, comum às grandes cidades, sugere a

I. importância da circulação para a dinâmica das atividades urbanas, exigindo da municipalidade a produção de soluções.
II. hegemonia do automóvel particular frente ao transporte público coletivo, resultando em entraves à fluidez do tráfego viário.
III. ausência de instrumentos legais de planejamento urbano, impedindo o processo de metropolização.

Está correto o que se afirma em

  1. A
    I, apenas.
  2. B
    I e II, apenas.
  3. C
    III, apenas.
  4. D
    II e III, apenas.
  5. E
    I, II e III.
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Resolução comentada

A charge exagera o caos do trânsito paulistano: um engarrafamento que nunca se desfaz é resolvido com rolo compressor e asfalto, e 50 anos depois a avenida nova já está congestionada de novo. Vamos testar cada afirmação.

I. Correta. A circulação de pessoas e mercadorias é condição para o funcionamento da cidade (trabalho, comércio, serviços). Quando ela para, as atividades urbanas travam, e o poder público precisa propor soluções. A charge ironiza justamente a "solução inusitada" da prefeitura, o que mostra essa cobrança.

II. Correta. A imagem mostra ruas tomadas por carros, sem qualquer transporte coletivo. Isso remete à priorização do automóvel particular, que é a causa do congestionamento e trava a fluidez do tráfego. Além disso, a solução (mais asfalto, via elevada) segue a lógica rodoviarista e o problema reaparece no quadro 4.

III. Incorreta. A charge não trata de leis ou instrumentos de planejamento, e a metropolização é um processo já consolidado, que não é impedido por essa ausência. A afirmação também inverte a lógica: o problema é consequência da metropolização, não algo que a impeça.

Portanto, só I e II estão corretas.

Alternativa B.

Por que as outras alternativas estão erradas

  • Aignora a afirmação II, pois a charge mostra só automóveis, evidenciando a hegemonia do carro particular sobre o transporte coletivo.
  • Ca charge não trata de instrumentos legais, e a metropolização não é impedida por eles.
  • Dinclui a III, que é falsa, e exclui a I, que é verdadeira.
  • Einclui a III, que não tem apoio na charge e inverte a relação com a metropolização.

Assuntos: mobilidade urbana, interpretação de charge, metropolização.

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