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PRÁTICA COM QUESTÕES OFICIAIS

Questão 16 da FUVEST 2006

1ª fase · Literatura: Intertextualidade e paródia

Costuma-se reconhecer que tanto O primo Basílio quanto as Memórias póstumas de Brás Cubas possuem notável conteúdo de crítica social. Apesar das muitas diferenças que separam os dois romances, em ambos essa crítica

  1. A
    fundamenta-se em minuciosa análise das relações sociais e tem como finalidade propor soluções construtivas para os problemas detectados.
  2. B
    dá a ver um conjunto de personagens que, com raras exceções, têm como traços mais marcantes a inconsistência, a pretensão, a veleidade e outras características semelhantes, figurando assim uma sociedade globalmente medíocre.
  3. C
    assume a forma do romance de tese, próprio da estética realista, no qual se procura validar um conjunto de hipóteses científicas, verificando-se sua pertinência na vida social das personagens.
  4. D
    visa a demonstrar o prejuízo que o excesso de leituras romanescas pode trazer à formação moral dos indivíduos, em particular quando interfere na educação das mulheres, matrizes da família.
  5. E
    incide principalmente sobre as mazelas sociais derivadas da persistência da escravidão em um contexto já moderno, no qual ela não mais se justifica.
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Resolução comentada

A questão pede o ponto em comum entre a crítica social de Eça de Queirós (O primo Basílio, 1878) e a de Machado de Assis (Memórias póstumas de Brás Cubas, 1881).

Nos dois romances, a crítica não vem acompanhada de projeto de reforma. O que há é a exposição de uma sociedade burguesa vazia, movida por aparências, interesses e vaidades. Vamos testar cada ideia:

  1. Em O primo Basílio, aparecem Luísa, entediada e influenciada por leituras românticas, Jorge, Basílio (sedutor fútil), Juliana (a criada que chantageia), Sebastião (exceção honesta), o conselheiro Acácio (pretensioso e de ideias vazias) e Leopoldina (adúltera). No geral, são figuras medíocres.
  2. Em Brás Cubas, há o próprio Brás (vaidoso, inconsequente), Virgília, Lobo Neves (ambicioso), Quincas Borba e outros movidos por vaidade, conveniência e veleidade. Aqui também há raras exceções, como Eugênia, que sofre por causa da sociedade.
  3. Portanto, o traço comum é a sociedade retratada como globalmente medíocre, com personagens inconsistentes e pretensiosos.

As demais alternativas atribuem a ambos algo que só se aplica a um deles, ou a nenhum: propor soluções, fazer romance de tese, criticar a leitura de romances ou a escravidão.

Alternativa B.

Por que as outras alternativas estão erradas

  • ANenhum dos dois romances propõe soluções construtivas; ambos expõem e ironizam, sem programa de reforma.
  • CO romance de tese cabe, no máximo, a Eça, e Machado não valida hipóteses científicas em Brás Cubas, que é obra de ironia e sondagem psicológica.
  • DA crítica à leitura de romances aparece em O primo Basílio (Luísa), mas não é o foco de Brás Cubas.
  • EA escravidão é tema machadiano, mas não de O primo Basílio, que se passa em Lisboa burguesa.

Assuntos: Intertextualidade e paródia, Realismo português: Eça de Queirós, Memórias Póstumas de Brás Cubas.

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