PRÁTICA COM QUESTÕES OFICIAIS
Questão 17 da FUVEST 2006
Texto-base das questões 17 a 20
É impossível colocar em série exata os fatos da infância porque há aqueles que já acontecem permanentes, que vêm para ficar e doer, que nunca mais são esquecidos, que são sempre trazidos tempo afora, como se fossem dagora. É a carga. Há os outros, miúdos fatos, incolores e quase sem som – que mal se deram, a memória os atira nos abismos do esquecimento. Mesmo próximos eles viram logo passado remoto. Surgem às vezes, na lembrança, como se fossem uma incongruência. Só aparentemente sem razão, porque não há associação de idéias que seja ilógica. O que assim parece, em verdade, liga-se e harmoniza-se no subconsciente pelas raízes subterrâneas – raízes lógicas! – de que emergem os pequenos caules isolados – aparentemente ilógicos! só aparentemente! – às vezes chegados à memória vindos do esquecimento, que é outra função ativa dessa mesma memória.
Pedro Nava, Baú de ossos.
Ao analisar os processos da memória, o autor manifesta a convicção de que
- Aos fatos que não são lembrados com constância cairão para sempre nos abismos do esquecimento.
- Bé mais dolorosa a lembrança de fatos que pareciam para sempre esquecidos do que a dos fatos que não saem da memória.
- Cos fatos que pareciam inteiramente esquecidos podem de repente surgir na memória com o aspecto de uma associação imprópria.
- Dé mais prazerosa a memória assídua de fatos da infância do que a memória de fatos ocorridos mais recentemente.
- Eos fatos que, quando vividos, pareciam extravagantes costumam ser depois lembrados como inteiramente lógicos.
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Resolução comentada
O trecho distingue dois tipos de fato da infância. Os primeiros são "permanentes", "a carga": ficam e doem, são sempre lembrados. Os segundos são "miúdos fatos, incolores e quase sem som", que a memória joga "nos abismos do esquecimento".
O ponto central vem depois: esses fatos esquecidos às vezes reaparecem na lembrança "como se fossem uma incongruência", isto é, parecem sem sentido ou sem relação com nada. O autor afirma que isso é só aparência, pois "não há associação de idéias que seja ilógica". Há ligações no subconsciente, as "raízes lógicas", das quais emergem os "pequenos caules" aparentemente ilógicos. Ele ainda diz que o esquecimento é "outra função ativa" da memória, ou seja, o que foi esquecido pode voltar.
Assim, a convicção do autor é que fatos dados como esquecidos podem ressurgir de repente, com aparência de associação sem lógica (imprópria), embora haja lógica oculta.
Confrontando com as alternativas, é a C que reúne esses elementos: fato "esquecido", surgimento repentino e aparência de associação inadequada.
Alternativa C.
Por que as outras alternativas estão erradas
- AContradiz o texto, que diz que fatos esquecidos podem voltar à memória vindos do esquecimento.
- BO texto não compara a dor das lembranças; só diz que os fatos permanentes doem.
- DO autor não trata de prazer nem compara infância com fatos recentes.
- EInverte a ideia: o texto fala de lembranças que parecem ilógicas, mas têm lógica oculta, não de fatos vividos como extravagantes.
Assunto: Tema, ideia central e informações explícitas.
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