PRÁTICA COM QUESTÕES OFICIAIS
Questão 15 da FUVEST 2006
Texto para as questões 14 e 15
Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para conhecer o calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser; que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver.
Amyr Klink, Mar sem fim.
Na frase “que nos faz professores e doutores do que não vimos”, o pronome sublinhado retoma a expressão antecedente
- A“para lugares”.
- B“o mundo”.
- C“um homem”.
- D“essa arrogância”.
- E“como o imaginamos”.
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Resolução comentada
O pronome relativo "que" retoma um termo já citado e funciona como sujeito da oração que ele introduz. Para achar o antecedente, pergunte: o que "nos faz professores e doutores do que não vimos"?
Veja o trecho completo: "Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser; que nos faz professores e doutores do que não vimos".
- Há dois "que" ligados por ponto e vírgula: "que nos faz ver o mundo..." e "que nos faz professores...".
- O verbo "faz" está na 3ª pessoa do singular, então o sujeito é singular.
- Quem faz o homem ver o mundo como imagina e se achar professor e doutor é a arrogância. Ela é o termo antecedente dos dois pronomes.
- "Um homem" não serve: o homem é quem sofre a ação ("nos faz"). "O mundo" é objeto de "ver". "Para lugares" e "como o imaginamos" não têm sentido como sujeito de "faz professores".
O segundo "que" retoma, portanto, "essa arrogância".
Alternativa D.
Por que as outras alternativas estão erradas
- A"Lugares" já é retomado por outro "que" ("que não conhece"); lugares não fazem ninguém professor.
- B"O mundo" é objeto de "ver", não pode ser sujeito de "nos faz professores".
- C"Um homem" é quem sofre a ação ("nos faz"), não quem a pratica.
- E"Como o imaginamos" é uma oração comparativa, não um termo que possa ser sujeito de "faz".
Assunto: Coesão referencial (retomada, anáfora e catáfora).
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