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PRÁTICA COM QUESTÕES OFICIAIS

Questão 14 da FUVEST 2006

1ª fase · Português: Efeitos de sentido e recursos expressivos

Texto para as questões 14 e 15

Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para conhecer o calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser; que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver.

Amyr Klink, Mar sem fim.

A repetição de “precisa viajar” acentua, no contexto, o valor daquelas experiências que

  1. A
    se traduzem na exploração de nossa plena capacidade imaginativa.
  2. B
    concretizam o aprendizado das diferenças que formam a identidade pessoal.
  3. C
    ratificam a convicção de quem julga conhecer o que apenas imaginou.
  4. D
    acabam comprovando a importância de se viver tudo o que se planejou.
  5. E
    reforçam a simplicidade do prazer de um cotidiano sem surpresas.
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Resolução comentada

A repetição de "precisa viajar" ("Um homem precisa viajar", "Precisa viajar por si", "precisa viajar para lugares que não conhece") insiste na necessidade da experiência direta, vivida com "olhos e pés", em oposição ao conhecimento indireto, vindo de histórias, imagens, livros ou TV.

O texto diz para que serve essa experiência:

  1. Entender "o que é seu", ou seja, a própria identidade e o próprio lugar.
  2. Dar valor às próprias árvores e ao próprio teto, o que só se aprende pelo contraste.
  3. Contrastar pares opostos: "conhecer o frio para conhecer o calor. E o oposto"; "sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto".

Viajar, portanto, torna concreto um aprendizado baseado em diferenças, e é esse aprendizado que ajuda a pessoa a se entender e a valorizar o que é seu. Isso corresponde à alternativa B.

As demais alternativas contradizem o texto. O autor critica a imaginação que substitui o ver ("ver o mundo como o imaginamos") e a arrogância de quem se julga "doutor do que não viu". Ele também valoriza o desconhecido, não a rotina sem surpresas.

Alternativa B.

Por que as outras alternativas estão erradas

  • AO autor critica ver o mundo "como o imaginamos"; a viagem se opõe à imaginação, não a explora.
  • CA viagem serve para quebrar a arrogância de quem acha que conhece o que só imaginou, não para ratificá-la.
  • DO texto não trata de comprovar planos vividos, e sim de conhecer o que não se conhece.
  • EO texto defende sair para o desconhecido, não um cotidiano sem surpresas; o valor do lar vem do contraste.

Assunto: Efeitos de sentido e recursos expressivos.

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