PRÁTICA COM QUESTÕES OFICIAIS
Questão 13 da FUVEST 2006
Texto para a questão 13
PROFUNDAMENTE
Quando ontem adormeci
Na noite de São João
Havia alegria e rumor
Estrondos de bombas luzes de Bengala
Vozes cantigas e risos
Ao pé das fogueiras acesas.
No meio da noite despertei
Não ouvi mais vozes nem risos
(...)
Onde estavam os que há pouco
Dançavam
Cantavam
E riam
Ao pé das fogueiras acesas?
— Estavam todos dormindo
Estavam todos deitados
Dormindo
Profundamente
*
Quando eu tinha seis anos
Não pude ver o fim da festa de São João
Porque adormeci
Hoje não ouço mais as vozes daquele tempo
Minha avó
Meu avô
Totônio Rodrigues
Tomásia
Rosa
Onde estão todos eles?
— Estão todos dormindo
Estão todos deitados
Dormindo
Profundamente.
Manuel Bandeira, Libertinagem.
No conhecido poema de Bandeira, aqui parcialmente reproduzido, a experiência do afastamento da festa de São João
- Aé de ordem subjetiva e ocorre, primordialmente, no plano do sonho e da imaginação.
- Breflete, em chave saudosista, o tradicionalismo que caracterizou a geração modernista de 1922.
- Cse dá predominantemente no plano do tempo e encaminha uma reflexão sobre a transitoriedade das coisas humanas.
- Dassume feição abstrata, na medida em que evita assimilar os dados da percepção sensível, registrados pela visão e pela audição.
- Eé figurada poeticamente segundo o princípio estético que prevê a separação nítida de prosa e poesia.
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Resolução comentada
O poema tem duas partes. Na primeira, o eu lírico adormece durante a festa de São João e, ao acordar de madrugada, não ouve mais vozes nem risos: todos dormem. Na segunda, o mesmo esquema se repete em outra escala. Aos seis anos ele adormeceu antes do fim da festa, e hoje não ouve mais as vozes "daquele tempo", as de avós e conhecidos que já morreram.
O sono, então, funciona como metáfora da morte. O afastamento da festa é uma passagem do tempo: da infância viva e barulhenta ao presente de silêncio e perdas. O verso "Onde estão todos eles?" abre uma reflexão sobre a finitude e sobre o caráter transitório da vida humana.
Conferindo as alternativas:
- O sonho não é o plano principal. O sono é real e vira imagem da morte.
- A geração de 1922 rompeu com a tradição, e o poema usa verso livre e linguagem coloquial.
- O poema é concreto: traz bombas, luzes de Bengala, fogueiras, vozes e risos, com apelo à visão e à audição.
- A separação nítida entre prosa e poesia é justamente o que o Modernismo recusa.
Só a alternativa que une o plano do tempo à transitoriedade das coisas humanas descreve o poema.
Alternativa C.
Por que as outras alternativas estão erradas
- Atrata o sono como sonho e imaginação, mas ele é metáfora da morte e a experiência é temporal, não onírica.
- Bo Modernismo de 1922 rompeu com o tradicionalismo, e o poema não é uma defesa dele.
- Do poema é muito concreto, com imagens visuais e sonoras (luzes de Bengala, estrondos, vozes, risos).
- EBandeira usa verso livre e linguagem coloquial, diluindo a fronteira entre prosa e poesia, o oposto do que a alternativa afirma.
Assunto: Modernismo: Semana de 22 e primeira geração.
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Este texto também caiu em
- EEAR 2016 · Questão 1 (CFS 2)– As expressões “dormindo profundamente”, em destaque no final da primeira e da segunda parte do poema, significam, respectivamente:
- EEAR 2016 · Questão 2 (CFS 2)– Os versos “Onde estavam os que há pouco/ Dançavam/ Cantavam/ E riam/ Ao pé das fogueiras acesas?” fazem referência
- EEAR 2016 · Questão 3 (CFS 2)– No verso “Havia alegria e rumor”, a palavra “rumor” poderia ter sido substituída, sem prejuízo de sentido ao texto, por
- EEAR 2016 · Questão 4 (CFS 2)– Em relação ao verso “ Como um túnel”, marque a alternativa que apresenta, em destaque, palavra ou expressão de mesmo sentido de “como”.
- ITA 2008 · Questão 39 (Português)Está(ão) correta(s):
- ITA 2008 · Questão 40 (Português)Esse poema, contudo, não é propriamente romântico, não só porque o autor não pertence historicamente ao Romantismo, mas, sobretudo, porque
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