PRÁTICA COM QUESTÕES OFICIAIS
Questão 12 da FUVEST 2006
Texto para a questão 12
Noite de S. João para além do muro do meu quintal.
Do lado de cá, eu sem noite de S. João.
Porque há S. João onde o festejam.
Para mim há uma sombra de luz de fogueiras na noite,
Um ruído de gargalhadas, os baques dos saltos.
E um grito casual de quem não sabe que eu existo.
Alberto Caeiro, Poesia.
Considerando-se este poema no contexto das tendências dominantes da poesia de Caeiro, pode-se afirmar que, neste texto, o afastamento da festa de São João é vivido pelo eu-lírico como
- Aoportunidade de manifestar seu desapreço pelas festividades que mesclam indevidamente o sagrado e o profano.
- Bânsia de integração em uma sociedade que o rejeita por causa de sua excentricidade e estranheza.
- Cuma ocasião de criticar a persistência de costumes tradicionais, remanescentes no Portugal do Modernismo.
- Dfrustração, uma vez que não experimenta as emoções profundas nem as reflexões filosóficas que tanto aprecia.
- Ereconhecimento de que só tem realidade efetiva o que corresponde à experiência dos próprios sentidos.
Você já respondeu questões neste aparelho. Crie sua conta grátis para guardar o histórico e refazer as que errou.
Resposta salva no seu histórico.
Reportar erro na questão
Resolução comentada
Caeiro, o heterônimo "mestre" de Pessoa, defende que só existe o que é percebido diretamente pelos sentidos: "pensar é estar doente dos olhos", as coisas são o que são, sem metafísica nem sentimentalismo.
No poema, isso aparece em passos claros:
- "Porque há S. João onde o festejam": a festa só existe onde é vivida e percebida. Para quem está fora, ela não é uma realidade plena.
- "Do lado de cá, eu sem noite de S. João": o eu-lírico não vive a festa, então para ele ela não existe de fato.
- O que lhe chega é só o que os sentidos captam: "sombra de luz de fogueiras" (visão), "ruído de gargalhadas" e "baques dos saltos" (audição), "um grito casual" (audição).
- O grito é de "quem não sabe que eu existo": cada um tem a realidade que seus sentidos alcançam, e não há lamento nem crítica nisso.
O tom é de constatação serena, não de ressentimento, desprezo ou ânsia de pertencer. Isso afasta as alternativas que falam em desapreço, rejeição social, crítica a costumes ou frustração. A única que expressa a ideia de que só é real o que se sente é a E.
Alternativa E.
Por que as outras alternativas estão erradas
- ANão há condenação moral da mistura de sagrado e profano; o poema só constata que a festa não é vivida por ele.
- BO eu-lírico não demonstra ânsia de integração nem fala de rejeição social; o tom é de constatação.
- CNão há crítica a tradições nem referência ao contexto modernista português.
- DAtribui frustração e busca de emoções profundas e reflexões filosóficas, contrárias ao sensacionismo objetivo de Caeiro.
Assunto: Fernando Pessoa e a literatura portuguesa do século XX.
Reportar erro na resolução
Ver como caiu na prova