Questão H06 da 2ª fase da FUVEST 2023

BARDI, Pietro Maria. Coleção Arte e Cultura. Vol. VI. São Paulo: Banco Sudameris, 1983. p.59.
Com base na leitura da Carta das Estradas de Ferro da Província de São Paulo (ca. 1880), responda:
a) Que atividade econômica subsidia a configuração da rede ferroviária na província de S. Paulo?
b) Indique dois elementos que atestam a importância da cidade de Santos nessa rede de transporte.
c) Relacione o traçado das ferrovias com as dinâmicas econômicas e sociais da província paulista no século XIX.
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a) A rede é financiada e orientada pela cafeicultura. As linhas partem de regiões produtoras do Oeste Paulista (Campinas, Jundiaí, Rio Claro, Piracicaba, Mogi Mirim, Amparo, Sorocaba) e seguem para a capital e para o litoral. Os nomes das companhias, como Paulista, Mogiana, Ytuana e Sorocabana, indicam capital de fazendeiros e empresários do café. O objetivo era escoar a safra até o porto, o que torna o transporte mais rápido e barato que as tropas de mula. A cafeicultura (exportação de café) subsidia a rede ferroviária.
b) Dois elementos que mostram a importância de Santos na carta:
- Santos é o ponto final da linha São Paulo e Jundiahy, que atravessa a Serra do Mar (Alto da Serra, Raiz da Serra, Cubatão). Isso mostra o esforço de engenharia para ligar o planalto ao porto, a 79 km da capital.
- Todas as demais linhas (Paulista, Mogiana, Ytuana, Sorocabana) se conectam à São Paulo e Jundiahy, direta ou indiretamente, e por ela chegam ao mar. Santos é, portanto, o destino do fluxo da produção do interior.
Santos é o único terminal litorâneo da rede, ligado por uma ferrovia que vence a Serra do Mar, e é o destino de todas as linhas do interior, que convergem a ele via Jundiaí e São Paulo.
c) O traçado é em forma de leque: as linhas partem das áreas cafeeiras do interior (Campinas, Rio Claro, Mogiana) e convergem para a capital e para Santos. Elas não formam uma rede integrada entre regiões, e sim corredores de exportação. Por isso, a cidade de São Paulo se torna o entroncamento ferroviário e comercial, o que estimula seu crescimento urbano, bancário e comercial.
A ferrovia acompanhou a expansão do café para o Oeste Paulista, de solos férteis (terra roxa), e a substituição do Vale do Paraíba, que declinava e se liga ao Rio de Janeiro pela linha São Paulo–Rio e pela D. Pedro II.
No plano social, o transporte ferroviário permitiu o avanço da lavoura cafeeira, que usava mão de obra escrava e, cada vez mais, imigrantes europeus assalariados ou colonos, trazidos de Santos para as fazendas pelos trilhos. A ferrovia também gerou núcleos urbanos em torno das estações e uma burguesia ligada ao café, à indústria e aos serviços.
O traçado radial reflete a economia agroexportadora do café: liga as zonas produtoras à capital e ao porto, favorece a urbanização de São Paulo, a imigração e o deslocamento do eixo econômico do Vale do Paraíba para o Oeste Paulista.
Assuntos: ferrovias e café no século XIX, economia agroexportadora paulista, leitura de mapas históricos.
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