Questão H05 da 2ª fase da FUVEST 2023
“A Biblioteca de Alexandria cria um espaço abstrato do qual sábios de origens diversas vão poder apropriar-se. Esse espaço é o do helenismo, horizonte comum de textos, crenças, modelos intelectuais e tradições, que dependem, doravante, de tarefas coletivas – arquivar, editar, comentar, elaborar mapas, escrever a história, recensear. Poder-se-ia dizer que uma das chaves da cultura alexandrina é a relação paradoxal que ela mantém com a memória. A ausência de uma tradição e de uma memória locais explica talvez como a biblioteca, esse lugar de memória artificial, criado por uma política voluntarista, terá podido atrair e reter gregos de todas as origens.”
JACOB, Christian. “Ler para escrever: navegações alexandrinas”. In: BARATIN, Marc e JACOB, Christian. O poder das bibliotecas. Rio de Janeiro: Ed.UERJ, 2000, p.53-54. Adaptado.
Com base na leitura do texto, responda às questões:
a) O que foi o helenismo?
b) Cite dois exemplos que indicam a relação entre a cultura alexandrina e a memória.
c) Indique dois elementos que tornaram possível aos pensadores humanistas (séculos XIV-XVI) se apropriarem do patrimônio cultural clássico.
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Resolução comentada
Resolução comentada
a) Helenismo é o período e o processo de difusão da cultura grega pelo Oriente Médio, Egito e Ásia Central a partir das conquistas de Alexandre Magno (séc. IV a.C.), com a formação dos reinos helenísticos (Ptolomeus, Selêucidas, Antigônidas). Houve fusão da cultura grega com tradições orientais (egípcia, persa, babilônica), e o grego (koiné) virou língua comum. Como diz o texto, o helenismo é um "horizonte comum de textos, crenças, modelos intelectuais e tradições", compartilhado por sábios de origens diversas. Alexandria, no Egito ptolomaico, foi seu principal centro, com a Biblioteca e o Museu.
Resposta: o helenismo foi a difusão e fusão da cultura grega com culturas orientais após as conquistas de Alexandre, criando um universo cultural comum, cujo centro foi Alexandria.
b) O texto afirma que a cultura alexandrina tem uma relação paradoxal com a memória: a cidade, recém-fundada, não tinha tradição local, e por isso construiu uma memória artificial. Dois exemplos tirados do texto:
- A própria Biblioteca, "lugar de memória artificial", criado por uma política voluntarista (dos Ptolomeus), que reuniu e conservou obras gregas de todas as origens.
- As tarefas coletivas dos sábios que preservam e organizam o saber: arquivar, editar, comentar, recensear (catalogar), elaborar mapas e escrever a história.
Resposta: a Biblioteca como memória artificial criada por política deliberada; e tarefas como arquivar, editar, comentar, recensear e escrever a história.
c) Os humanistas dos séculos XIV a XVI puderam se apropriar do patrimônio clássico graças a:
- A preservação e transmissão dos textos antigos, copiados em mosteiros medievais e em bibliotecas bizantinas e árabes. Com a queda de Constantinopla (1453), sábios bizantinos levaram manuscritos gregos à Itália.
- O mecenato de cidades e famílias ricas (Médici em Florença, papado), que financiou a busca, a cópia, a tradução e o estudo dos manuscritos, e a invenção da imprensa de tipos móveis (Gutenberg, c. 1450), que multiplicou e difundiu as edições dos clássicos. O mesmo método filológico (editar, comentar) herdado de Alexandria também contribuiu.
Resposta: a conservação e circulação de manuscritos (mosteiros, Bizâncio, mundo árabe) e o mecenato junto com a imprensa, que difundiu os textos.
Assuntos: helenismo, biblioteca de alexandria, renascimento humanista.
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