Questão H05 da 2ª fase da FUVEST 2022

2º dia · História

À medida que a construção prosseguia, Rondon iniciava a segunda fase do seu projeto: a crucial exploração das terras da bacia amazônica onde hoje está situado o estado de Rondônia, pois a linha telegráfica atravessaria aquelas terras. Essa era a região que incendiava a imaginação de Rondon e seus oficiais, e também a de muitos brasileiros das cidades costeiras. Era o Brasil desconhecido. (...) Na verdade, o projeto do telégrafo parecia dar muito mais satisfação a Rondon pela chance de explorar aquelas terras do que pela construção da linha telegráfica (...) Rondon planejou uma expedição em 1907 para descobrir a nascente do rio Juruena e fazer contato com os indígenas conhecidos como nambikwara.

DIACON, Todd A. Rondon: o marechal da floresta. São Paulo: Companhia das Letras, 2006, p. 32-33.

a) Indique qual a importância da expansão da linha telegráfica no Brasil dessa época.

b) Explique o sentido da frase “Era o Brasil desconhecido”.

c) Caracterize a política indigenista desenvolvida por Cândido Rondon para “aquelas terras”.

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Resolução comentada

a) A Comissão Rondon (Comissão de Linhas Telegráficas Estratégicas de Mato Grosso ao Amazonas, criada em 1907) estendeu o telégrafo ao Centro-Oeste e à Amazônia, no início da República. A linha tinha importância estratégica e política: ligava o Rio de Janeiro, sede do governo, a regiões muito distantes e isoladas, o que permitia ao Estado transmitir ordens e informações com rapidez.\n\nTinha também função militar e geopolítica, porque ajudava a vigiar e afirmar a soberania nas fronteiras com Bolívia, Peru e Paraguai. Por fim, tinha função econômica e de integração nacional: abria caminho à ocupação, a novas povoações e ao comércio, como o da borracha, e aproximava essas áreas do restante do país.\n\nA expansão do telégrafo serviu para integrar o território, comunicar o governo central com áreas remotas e garantir a soberania e a presença do Estado nas fronteiras.\n\nb) No início do século XX, o interior do país, sobretudo a bacia amazônica e o atual Rondônia, era pouco conhecido pelo Estado e pela população urbana, concentrada no litoral. Faltavam mapas, estudos científicos e registros de rios, relevo, fauna e flora, e quase nada se sabia sobre os povos indígenas dali, como os nambikwara.\n\nA frase mostra essa distância entre o Brasil do litoral, mais urbano e integrado ao mercado externo, e o "sertão", visto como território a ser explorado e incorporado. Por isso a região "incendiava a imaginação" e a expedição tinha, para Rondon, forte caráter de descoberta e de levantamento científico.\n\nSignifica que o interior amazônico era uma região ainda não mapeada nem estudada, e pouco integrada ao país, que o litoral via como território a descobrir.\n\nc) Rondon, militar positivista, desenvolveu uma política de proteção e pacificação dos indígenas. Seu princípio, "morrer se preciso for, matar nunca", orientava o contato pacífico: os expedicionários não deviam reagir com armas aos ataques, e buscava-se a aproximação com presentes e diálogo.\n\nEssa política levou à criação, em 1910, do Serviço de Proteção aos Índios (SPI), que devia defender a vida e as terras indígenas. Na visão positivista, porém, os indígenas estavam em uma etapa "inferior" da evolução social e deviam ser gradualmente integrados à sociedade nacional, como trabalhadores e cidadãos. Havia, portanto, proteção física e territorial, mas com viés assimilacionista, que atenuava a diversidade cultural e servia à ocupação do território.\n\nFoi uma política de contato pacífico e proteção, institucionalizada no SPI, mas de caráter positivista e assimilacionista, que buscava integrar os indígenas à sociedade nacional.

Assuntos: comissão rondon, política indigenista na primeira república, integração do território.

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