Questão H06 da 2ª fase da FUVEST 2021
Comércio exterior do Brasil entre 1536 e 1822

R. Simonsen, História econômica do Brasil. 7ª ed. São Paulo: Companhia Ed. Nacional, 1977.
A partir da análise do gráfico, no qual a ordenada corresponde a valores totais de exportação (em milhões de libras esterlinas) e a abcissa a intervalos de tempo (em décadas), justifique
a) o declínio nos valores do açúcar entre, aproximadamente, 1650 e 1710;
b) a diferença entre os valores totais e a somatória dos valores de açúcar e ouro por volta de 1760;
c) a diferença entre os valores de açúcar e ouro por volta de 1810.
Reportar erro na questão
Resolução comentada
a) O gráfico mostra o açúcar caindo de cerca de 3,5 milhões de libras (c. 1650) para cerca de 1,5 (c. 1710). Há duas causas principais.
A primeira é a expulsão dos holandeses do Nordeste (1654). Eles tinham aprendido a técnica de produção e o refino do açúcar e passaram a produzi-lo nas Antilhas (Barbados, Guadalupe, Martinica, Suriname), com mão de obra escrava e mais perto dos mercados europeus.
A segunda é a concorrência. O açúcar antilhano, vendido por ingleses, franceses e holandeses, derrubou os preços do açúcar brasileiro e reduziu a parcela de Portugal no mercado europeu. Soma-se a isso a crise do Império português após a União Ibérica e a Restauração de 1640. Por isso o valor exportado caiu.
Resposta: a queda se deve à concorrência do açúcar antilhano, produzido por holandeses, franceses e ingleses depois da expulsão dos holandeses do Nordeste, o que baixou os preços e a participação do açúcar brasileiro.
b) Por volta de 1760, as exportações totais ficam em cerca de 4,5 milhões de libras. Açúcar (cerca de 1,9) e ouro (cerca de 1,6) somam cerca de 3,5. Sobra então cerca de 1 milhão de libras, que corresponde a outros produtos.
Nesse período, a economia colonial se diversificou. Havia exportação de algodão (Maranhão), tabaco (Bahia), couros, arroz, cacau e anil. Os incentivos pombalinos, como as companhias de comércio do Grão-Pará e Maranhão e de Pernambuco e Paraíba, estimularam parte dessas culturas.
Resposta: a diferença, de cerca de 1 milhão de libras, corresponde à exportação de outros produtos, como algodão, tabaco, couros, arroz e cacau, na economia diversificada do período pombalino.
c) Por volta de 1810, o açúcar vale cerca de 0,8 milhão de libras e o ouro cerca de 0,4 ou menos. O açúcar fica, portanto, acima do ouro.
O ouro declinou desde 1760 porque as minas se esgotaram: o ouro de aluvião era superficial e a técnica era rudimentar. Além disso, a Coroa cobrava pesados impostos, como o quinto e a derrama.
O açúcar, por sua vez, teve alguma recuperação no fim do século XVIII. A Revolução do Haiti (1791) desorganizou a produção antilhana, e o açúcar brasileiro voltou a ganhar mercado. Mesmo assim, o valor total era bem menor que o do auge. As exportações totais se recuperam por volta de 1810 com algodão e outros produtos, depois da abertura dos portos (1808).
Resposta: o açúcar supera o ouro porque as minas se esgotaram e o ouro entrou em declínio, enquanto o açúcar se recuperou com a crise antilhana (Haiti) e a agricultura continuou sendo a base das exportações.
Assuntos: brasil colônia, economia açucareira, ciclo do ouro.
Reportar erro na resolução
Ver como caiu na prova