Questão G02 da 2ª fase da FUVEST 2021

2º dia · Geografia

Três representações da mesma área na cidade de São Paulo delimitada por uma linha laranja (abrangendo parte de Paraisópolis, Morumbi e Real Parque, próxima ao Rio Pinheiros). À esquerda, imagem de satélite (Google Earth). Ao centro, mapa de setores censitários com indicação de norte e escala gráfica (0 a 250 m). À direita, mapa prismático em perspectiva tridimensional. Uma legenda à direita indica a 'Renda média mensal por setor censitário (em R$)': azul (10.200 a 12.500), verde (5.200 a 7.700), amarelo (2.700 a 5.200) e vermelho (200 a 2.700); linha preta fina para 'Limite dos setores censitários' e linha laranja grossa para 'Limite da área destacada'. No rodapé constam: 'Observação: Cada setor censitário possui de 250 a 350 domicílios.' e 'Censo IBGE 2010 e Google Earth 2020. Adaptado.'

A imagem e os mapas mostram diferenças na ocupação do espaço urbano em uma área da cidade de São Paulo, cujos limites estão destacados em laranja.

a) Baseado nos pontos cardeais, onde ocorre a maior concentração de domicílios na área destacada?

b) Explique por que no mapa prismático há uma grande área rebaixada (em vermelho), enquanto uma pequena área ao sul caracteriza-se como uma forma elevada (em azul).

c) Cite dois problemas de infraestrutura urbana presentes nas áreas representadas em vermelho.

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Resolução comentada

a) Cada setor censitário tem de 250 a 350 domicílios, então onde há muitos setores pequenos, há mais domicílios por área. No mapa central, os setores vermelhos (Paraisópolis) são numerosos e pequenos, e estão na porção oeste da área destacada, com extensão para o sudoeste. Os setores verdes, a leste e ao norte, são poucos e grandes, ou seja, têm baixa densidade de domicílios. A imagem de satélite confirma isso: o casario denso e contínuo de Paraisópolis fica a oeste, e o restante tem mais áreas verdes e lotes amplos. A maior concentração de domicílios ocorre a oeste (com extensão para o sudoeste) da área destacada.

b) O mapa prismático usa a altura dos prismas para representar a renda média por setor. A grande área rebaixada em vermelho corresponde a Paraisópolis, onde a renda média mensal é a menor (R$ 200 a R$ 2.700). Ali vive uma população numerosa e de baixa renda, em uma favela produzida pela desigualdade socioeconômica e pelo acesso restrito à moradia formal, ao lado de bairros ricos como o Morumbi. A pequena área ao sul, em azul e elevada, é um setor de renda muito alta (R$ 10.200 a R$ 12.500), provavelmente de edifícios ou condomínios de alto padrão. Ela contrasta com o entorno, e isso mostra a segregação socioespacial: ricos e pobres vivem lado a lado, em espaços muito desiguais. A altura reflete a renda: o vermelho (baixa renda, favela) é rebaixado, e o azul (renda muito alta) é elevado.

c) Nas áreas vermelhas, a ocupação é densa e muitas vezes irregular, o que gera deficiências de infraestrutura. Dois exemplos:

  1. Saneamento básico precário: falta de rede de esgoto e de coleta de lixo adequadas, com esgoto a céu aberto e risco de doenças.
  2. Ruas estreitas e mal pavimentadas, com poucas áreas de lazer e drenagem insuficiente, o que dificulta o acesso de ambulâncias, bombeiros e transporte coletivo e agrava alagamentos e deslizamentos.

Dois problemas: saneamento básico precário (esgoto e lixo) e sistema viário/drenagem deficiente (ruas estreitas, sem pavimentação).

Assuntos: segregação socioespacial, urbanização, cartografia temática.

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