Questão 5 (1º dia) da 2ª fase da FUVEST 2020
Examine a capa da revista Superinteressante, publicada em julho de 2019.

a) Indique o duplo sentido presente na manchete de capa da revista, explicitando os elementos linguísticos utilizados.
b) Explique como a imagem e o texto se combinam na construção do sentido.
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Resolução comentada
a) A manchete "PARA, NOIA" funciona por homofonia e por segmentação. Lida em voz alta, ela soa como "paranoia", palavra que designa um transtorno mental marcado por desconfiança e delírio de perseguição. Separada pela vírgula, ela se divide em duas palavras: "Para", forma do verbo parar no imperativo, e "noia", substantivo (redução coloquial de paranoia, de uso informal) usado como vocativo.
O primeiro sentido, "paranoia", remete ao tema da revista, os transtornos mentais. O segundo, "Para, noia", é uma ordem dirigida a quem sofre com pensamentos obsessivos: pare de se preocupar, de ruminar. A vírgula, que cria o vocativo, e o imperativo "Para", na linguagem coloquial, são os elementos linguísticos que sustentam a ambiguidade. Assim, a manchete nomeia o problema e, ao mesmo tempo, fala com quem o vive, sugerindo que é possível interromper o ciclo.
Resposta: a manchete soa como "paranoia" (transtorno mental) e, com a vírgula, vira "Para, noia", ordem em imperativo com vocativo coloquial, pedindo que o sofrimento mental cesse.
b) A imagem e o texto se completam. Na ilustração, uma pessoa está sentada, curvada, com os braços cruzados sobre as pernas, em postura de abatimento, e no lugar do rosto há um emaranhado de rabiscos. Esse emaranhado representa visualmente a mente confusa, os pensamentos que se embaralham e não param, característicos da ansiedade, da depressão e da paranoia. A ausência de rosto indica ainda que o transtorno apaga a identidade e a expressão da pessoa.
O texto verbal dá nome a essa experiência ("paranoia", "ansiedade", "depressão", "transtornos mentais") e a apresenta como algo que se pode enfrentar, com as "armas da psicologia e da psiquiatria". O imperativo "Para" ganha força diante dos rabiscos: é como se pedisse que o novelo mental se desfizesse. A poltrona, associada ao consultório, reforça a ideia de busca de tratamento. Portanto, a imagem mostra o problema e o texto aponta o caminho, e juntos constroem o sentido de que o sofrimento mental é real, mas tem ajuda.
Resposta: a imagem (rabiscos no lugar da cabeça) figura a mente em confusão e o texto nomeia o transtorno e propõe enfrentá-lo, de modo que o apelo "Para" e a promessa de um guia se complementam.
Assuntos: duplo sentido, homofonia, relação entre texto e imagem.
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