Questão 6 (1º dia) da 2ª fase da FUVEST 2020

1º dia · Português

Adaptados a esse idioma que se transforma conforme a plataforma, os memes e textões dominaram a rotina desta década como modos de a gente rir, repercutir notícias, dividir descontentamentos, colocar o dedo em feridas, relatar injustiças e até se informar. Entraram logo no vocabulário para além da internet: "virar meme", "dar textão". Suas características também interferiram no jeito de compreender o mundo e expressar o que acontece à nossa volta. Viktor Chagas, professor e pesquisador da Universidade Federal Fluminense (UFF), os vê como manifestações culturais de grande relevância para entender o período e, também, como "extravasadores de afetos”. [...]

Por mais que o textão seja "ão", assim como o meme ele é uma expressão sintética típica de hoje, explica Viktor Chagas. Mesmo o textão mais longo na verdade é um textinho: faz parte da lógica do espaço em que circula.

TAB UOL,“Vim pelo meme e era textão”. Disponível em https://tab.uol.com.br/. Adaptado.

a) Retire do texto dois argumentos que justifiquem a caracterização de “memes e textões” como “extravasadores de afetos”.

b) Em que sentido pode se afirmar que não há uma contradição no trecho “Mesmo o textão mais longo na verdade é um textinho”?

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a) A expressão "extravasadores de afetos" indica que memes e textões servem para descarregar emoções. O texto traz vários usos que sustentam isso, e dois deles bastam:

  1. Eles são "modos de a gente rir", isto é, canais de humor e de descontração, que exteriorizam emoções positivas.
  2. Eles servem para "dividir descontentamentos", "colocar o dedo em feridas" e "relatar injustiças". Aqui há expressão de insatisfação, indignação e crítica, ou seja, emoções negativas que o usuário despeja e compartilha com outros.

Também caberia citar "repercutir notícias", pois reagir a fatos é uma forma de manifestar sentimentos sobre eles. O ponto central é que esses formatos permitem exprimir, de modo rápido e público, tanto alegria quanto revolta.

Dois argumentos possíveis: servem para rir (humor) e para dividir descontentamentos e relatar injustiças (indignação).

b) A contradição seria só aparente, porque "textão" e "textinho" são medidas diferentes, tomadas em referenciais diferentes.

O sufixo "-ão" (aumentativo) mede o tamanho do texto em relação ao padrão das redes sociais, onde a comunicação é curta e sintética (memes, legendas, comentários). Nesse ambiente, um texto de alguns parágrafos parece "grande".

O sufixo "-inho" (diminutivo) vem de outra comparação: o mesmo texto, medido pelos padrões de outros gêneros, como artigos, ensaios ou reportagens, é curto. Como diz o texto, isso "faz parte da lógica do espaço em que circula": a sintetização típica da internet faz até o texto "mais longo" ser pequeno.

Além disso, o "Mesmo... na verdade" mostra que o autor está corrigindo a primeira impressão. Não há incoerência, só uma mudança de ponto de vista.

Não há contradição porque "textão" é grande em relação ao padrão curto das redes, e "textinho" é pequeno em relação a textos de outros gêneros ou meios.

Assuntos: interpretação de texto, sentido de expressões, sufixos aumentativo e diminutivo.

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