Questão G01 da 2ª fase da FUVEST 2019

2º dia · Geografia

Em junho de 2018, 12 crianças de um time de futebol e seu treinador ficaram presos na caverna de Tham Luang, no extremo norte da Tailândia. Por mais de duas semanas, a operação de resgate contou com equipes e assistência técnica de vários países, sensibilizando a população mundial.

No esquema a seguir, pode-se observar a localização e o perfil da caverna e, no gráfico, a pluviosidade média mensal na Tailândia.

Esquema da localização e perfil da caverna de Tham Luang e gráfico de barras da pluviosidade média mensal na Tailândia de 1981 a 2010. À esquerda, mapa de localização no norte da Tailândia (próximo a Mianmar e Laos) e perfil geológico do monte com altitude de 1.275 m, mostrando a extensão da caverna com anotações: "Entrada principal", "Entrada por onde ocorreu a inundação", "Passagem estreita sob 5 m de água", "Câmara onde foram encontradas mochilas e sapatos" e "Câmara onde o time foi encontrado". À direita, gráfico de barras da Pluviosidade Média Mensal na Tailândia (mm) com valores de janeiro a dezembro: jan (17,0), fev (20,4), mar (49,5), abr (88,7), mai (193,1), jun (188,6), jul (202,6), ago (240,9), set (253,0), out (187,2), nov (98,4) e dez (48,1).

https://webinfo.kz. Adaptado.
https://www.tmd.go.th. Adaptado.

Com base nos dados fornecidos e em seus conhecimentos, responda:

a) Qual a rocha mais comum na formação de cavernas?

b) Indique e explique um processo que ocorre para a formação de cavernas.

c) O clima da Tailândia é controlado pelas monções. Explique a relação entre esse tipo de clima e a dinâmica hídrica relacionada ao evento citado.

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Resolução comentada

a) A rocha mais comum na formação de cavernas é o calcário, uma rocha sedimentar carbonática (composta principalmente por carbonato de cálcio, \ce{CaCO3}). Ela é solúvel em água levemente ácida, e por isso predomina nas regiões cársticas, como a de Tham Luang.

b) O processo principal é a dissolução química (carstificação) da rocha carbonática. A água da chuva absorve \ce{CO2} da atmosfera e do solo e forma ácido carbônico:

\ce{H2O + CO2 -> H2CO3}

Essa água levemente ácida se infiltra por fraturas e planos de acamamento do calcário e reage com ele:

\ce{CaCO3 + H2CO3 -> Ca^{2+} + 2 HCO3^-}

Os íons são carregados em solução. Com o tempo, as fraturas se alargam, formam-se condutos e salões, e surge a caverna. Pode-se citar também o trabalho mecânico da água corrente subterrânea, que retira material e alarga os condutos.

c) O clima de monções tem forte sazonalidade na precipitação. No verão do Hemisfério Norte, o continente asiático se aquece mais do que o oceano, o que forma uma baixa pressão no continente. Os ventos úmidos vindos do oceano Índico e do Pacífico avançam sobre o continente, trazem muita umidade e provocam chuvas intensas. No gráfico, de maio a outubro os totais mensais ficam em torno de 190 a 250 mm, com máximo de 253 mm em setembro. No inverno, os ventos secos vêm do interior do continente, e as chuvas caem para 17 a 20 mm em janeiro e fevereiro.

O acidente ocorreu em junho, no início da estação chuvosa. O solo e o calcário fraturado do maciço, com infiltração e escoamento subterrâneo intensos, recebem grande volume de água. Isso eleva o nível da água dentro da caverna, que é um sistema de condutos de drenagem, e inunda galerias e passagens baixas, como a que ficou sob 5 m de água. O time ficou isolado nas câmaras mais internas.

As chuvas de monção do verão concentram água no período do evento, fazem a caverna encher e inundam suas passagens, o que prendeu as crianças.

Assuntos: cavernas e relevo cárstico, clima de monções, dinâmica hídrica.

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